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quarta-feira, 5 de abril de 2017

As Minhas Leituras - Joker - O Príncipe Palhaço do Crime (No Coração das Trevas DC - Volume 1)

Em primeiro lugar, tenho de pedir desculpa a todos os leitores pela minha ausência. Neste ano letivo tenho tido mais trabalho e manter atualizações regulares no blog tem sido extremamente difícil para mim. No entanto, vou voltar a fazer análises na rubrica As Minhas Leituras, começando pelos mais recentes volumes da Levoir, no âmbito da coleção No Coração das Trevas DC
Joker- O Príncipe Palhaço do Crime é uma antologia de histórias de diversas épocas e de dversos autores tendo por base o Joker e a sua constante dualidade com Batman. O tomo começa com uma introdução de duas páginas a toda a coleção pelo habitual autor José Hartvig de Freitas. Ao contrário das outras coleções da Levoir dedicadas aos universos Marvel e DC estes livros não têm textos introdutórios sobre as histórias que se seguem mas apenas uma referência global neste primeiro livro.
Posteriormente há um pequeno resumo da origem do Joker que se destaca por ser desenhada por Brian Bolland, o artista da história Piada Mortal, uma das mais marcantes deste vilão. Após tudo isto, chegamos às histórias. As primeiras duas são os primeiros encontros entre Batman e Joker de sempre e não saem dos típicos arquétipos de histórias da Era de Ouro da Banda Desenhada. É notável a influência de Conrad Veidt na criação do Joker e é sempre interessante esta análise mais simples das duas personagens.
A seguir, temos uma brilhante história de uma das maiores duplas da banda desenhada americana de sempre: Dennis O'Neil e Neal Adams. O argumento é sólido e tem um final que parece ser um precursor de, mais uma vez, Piada Mortal. A história também reforçou uma opinião que tenho há já algum tempo de que Neal Adams é dos melhores ilustradores de sempre. O seu estilo era tão avançado comparado com outros autores dos anos 70, que a sua arte mudou o panorama das bandas desenhadas americanas. Esta é uma história que me era desconhecida antes de ler o livro mas que fico muito contente por a ter lido. Uma excelente pérola desta dupla maravilhosa.
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Passando para 2005, chega-nos O Homem que Ri, uma história que já tinha lido na coleção Os Clássicos da Banda Desenhada - Série Ouro, que tenho emprestada. Quando li a história há uns cinco anos gostei dela mas agora fiquei a gostar ainda mais. Nestes cinco anos li muitas histórias e era possível a minha opinião ter-se alterado, gostando menos da narrativa. Mas não, achei muito interessante ser quase um remake da primeira história do Joker de sempre e do facto de muitos aspetos dela terem sido transpostos para o grande ecrã nos filmes de Christopher Nolan. É definitivamente uma das melhores histórias que já li, no que toca a explorar o Joker.
Por último há uma história bastante recente que não tem nenhum elemento que a torne excepcional. Pelo contrário, o argumentista tentou explorar a infância do Joker, que é sempre algo que me desagrada. O ponto forte deste criminoso é o facto de não ter identidade. Isso é que o torna tão eficaz e tão curioso. Sempre que se tenta explicar uma razão para ser assim (exceto, claro, em Piada Mortal (pois é dada uma explicação satisfatória do porquê de Joker estar tão alterado, sem ser a razão baseada na "vítima tornada opressora" clássica) eu acabo por perder o interesse. É por isso que não consigo achar o primeiro filme de Tim Burton do Batman algo tão bom assim.
Resumindo, achei este volume excelente. Deu-me boas histórias e acabou por mudar um pouco a minha visão desta personagem marcante que o Joker é, um vilão que nunca conseguiu encantar-me como encantou tantos outros fãs de banda desenhada (apesar de o achar um excelente vilão, apenas não o maior dos vilões). Tenho acompanhado esta nova coleção e novas análises estarão presentes no blog nos próximos dias.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

As Minhas Leituras - Liga da Justiça: Origem

Eu sei que As Minhas Leituras tem estado muito parada mas eu vou tentar fazer uns dois posts por semana só dessa rubrica nos próximos tempos. Hoje, Liga das Justiça: Origem, publicada como o primeiro volume da coleção Super-Heróis DC da Levoir. 
O curioso é que eu já analisei este livro, quando li as seis revistas há 3 anos atrás (análise). E a minha opinião pouco mudou.
Acho que o livro introduz muito bem estas sete personagens como uma equipa. Todos têm o seus atritos mas têm de se unir para parar um bem comum como em todas as primeiras histórias... Mas as personagens parecem humanas e isso torna o livro quase real. Além disso, apesar de todas estas personagens serem bastante conhecidas, este livro pertence a Os Novos 52, um reboot que a DC Comics fez ao seu universo, apagando toda a cronologia e deixando espaço para novas histórias e introduções. Este Super-Homem nunca teve todas as batalhas de morte contra o Darkseid. Este Lanterna Verde ainda era extremamente imaturo e inexperiente e esta Mulher Maravilha ainda se estava a adaptar ao nosso mundo. Tudo isto faz com que a Liga pareça realmente nova e traz aos leitores um sentimento de novidade. Sentimento esse que se prolongou em todas as revistas desse tal reboot, mas nunca da mesma forma. Assim como em Batman V Superman, é único ver o início de algo tão grande.
O argumento é do mestre Geoff Johns que escreveu sagas como 52 ou Blackest Night e conta com desenhos de Jim Lee, artista de Super-Homem: Pelo Amanhã ou Justiceiro: Diário de Guerra (já publicadas em coleções anteriores da Levoir). Os dois funcionam muito bem. Johns é um argumentista concetuado e estava já habituado a trabalhar com vários membros da Liga da Justiça. Tem um talento para o diálogo característico de alguém que também escreve para séries de televisão. Já Jim Lee tem o seu estilo único cheio de detalhe em diferentes planos e com um uso de diferentes tons de cor.
Eu gostei imenso desta saga. Sabendo que a DC estava a trabalhar um pouco sem saber o que fazer já que o reboot é uma coisa bem recente na banda desenhada, fizeram um excelente trabalho. O argumento é simples mas sem revelar demasiado fazendo os leitores continuarem a querer acompanhar a série de banda desenhada. Entre combates, diálogos engraçados, momentos épicos e desenvolvimento das personagens, esta história é definitivamente excelente. E volto a dizer: para o futuro e já anunciado filme da Liga da Justiça, este é o argumento certo a adaptar. Recomendo imenso.


quinta-feira, 31 de março de 2016

Review - Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça

Foi um dos filmes mais esperados de sempre;  é um dos filmes mais controversos no que toca a críticas, e marcará o início de um longo e extenso universo.
Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça é uma das obras mais esperadas de sempre. Talvez desde 1939, ano que marcou a aparição de Batman na banda desenhada, que toda a gente esperava um encontro cinematográfico entre este e Super-Homem, criado em 1938 e que já tinha arrecadado imenso sucesso. Não que os encontros entre os dois heróis nas bandas desenhadas, em jogos ou na televisão tenham sido maus, a verdade está bem longe disso. Mas um filme inteiro dedicado a um confronto entre os dois? Isso é algo novo.
No filme, o Governo Americano começa a ponderar sobre o que fazer com o Super-Homem. Apesar de ter salvo Metrópolis no filme anterior, Homem de Aço, há uma enorme preocupação sobre se este extraterrestre é um herói ou um vilão. Entretanto Batman também se começa a interessar pelo Super-Homem, estando a trabalhar sem parar numa forma de proteger a Terra do herói.
A premissa parece interessante mas tenho algumas críticas a fazer. A primeira parte do filme tem um ritmo muito lento, fazendo o espectador desinteressar-se pelas personagens e pelo enredo. Lex Luthor é uma das poucas personagens que manteve preso ao filme quando estive a vê-lo. Estava muito ansioso por ver Jesse Eisenberg a interpretar o mítico vilão: pelo que tínhamos visto nos trailers, esta personagem ia ser um maníaco com poucas características novas e diferentes. Mas o que tivemos foi bem melhor: um Lex descontraído mas com uma história negra que se vai explorando ao longo do filme e um verdadeiro doido. Outro membro do elenco que se sobressaiu foi Gal Gadot como Mulher-Maravilha, sem dúvida a minha personagem preferida do filme todo. Não nos é atirada no início do filme. Nós vamos aprendendo a vê-la à nossa frente até que chega o momento de revelação com uma das melhores músicas da banda sonora do filme a tocar (para quem viu o filme, vocês sabem do que estou a falar). 
E chegamos a uma das questões mais sensíveis do filme: o Batman. É uma das minhas personagens preferidas de sempre e não fiquei o maior fã do Ben Affleck. Mas não foi por culpa do consagrado ator. Batman entra no filme da maneira oposta à da Mulher-Maravilha. Somos introduzidos a um Batman que supostamente devíamos conhecer mas que não conhecemos. Este Batman parece ser novo até ao momento em que dizem que tem mais de vinte anos de carreira como vigilante. Mas Affleck por si só, é um bom Batman. Mas gostava que em filmes futuros explorassem melhor a faceta Bruce Wayne, que não me agradou tanto.
No resto do elenco temos o regresso de Henry Cavill ao Homem de Aço, Amy Adams a Lois Lane, Laurence Fishburne a Perry White e Diane Lane a Martha Kent. Todos eles estão bastante bem mas sem algo de novo. Já Holly Hunter como a Senadora que trata do caso de Super-Homem é uma boa interpretação. Outro ponto algo sobrevalorizado é o de Jeremy Irons como Alfred. Não é que seja mau mas também não é nada de tão especial assim.
Na minha opinião, o filme é espetacular. Tem sido alvo de análises muito negativas e há um ou dois pontos no enredo que podiam ser modificados. Mas pensando nele como O Despertar da Justiça em vez do Batman V Super-Homem, o filme é realmente muito bom. É como um primeiro episódio muito longo de uma série que se vai estender durante anos. São introduzidas muitas personagens e em todos os casos, mal posso esperar por ver mais delas. E alguns dos grandes problemas não são do filme. Por exemplo, o mau desenvolvimento do Batman podia ter sido resolvido com um filme anterior a solo do herói. Claro que é responsabilidade do filme não a ter introduzido da maneira correta mas não é a única coisa que deve ser culpada.
Resumindo, gostei bastante do filme. Aconselho-vos a verem e pode ser que gostem como eu gostei deste início do Universo Cinematográfico da DC Comics.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Preview - Batman V Superman

Sei que venho atrasado mas mesmo assim decidi fazer uma antevisão de Batman v Super-Homem: O Despertar da Força- quer dizer - Justiça.
Tenho expectativas algo baixas. Quando o filme foi anunciado pensei que seria mais uma grande película inspirada em personagens da DC Comics, com a particularidade de juntar dois heróis em vez de um. Mas as notícias foram chegando e surgiu uma lista gigante de personagens a fazer pequenas aparições. Para além de uma contextualização do que aconteceu a Super-Homem desde Homem de Aço, vamos ter uma origem de Batman, provavelmente uma explicação daquele fato de Robin, a introdução de Lex Luthor, a aparição de Mulher-Maravilha e de Doomsday, cameos de vários outros membros da Liga da Justiça e, claro, o combate entre os heróis apresentados no título do filme.
Mas a verdade é que há demasiada coisa para um filme. Eu sei que vai ser longo e terá uma versão ainda maior de DVD mas não é isso que se quer. Seria melhor um filme sem Doomsday e sem Liga da Justiça. Até compreendo a introdução da Mulher-Maravilha mas tenho de admitir que são demasiados fenómenos para um filme só. E acho que o realizador tem de ter prioridades (sim, porque é impossível que Zack Snyder não se tenha apercebido que a história era demasiado longa). Espero que desenvolva o Batman, visto que não vai ter mais nenhum filme a solo nos próximos anos e que o filme seja centrado no duelo entre as personagens centrais. 
Outro aspeto que me parece um pouco falhado, tendo por base os trailers do filme: Lex Luthor. Luthor é uma personagem séria e convencida mas Jesse Eisenberg está a transformá-la num milionário extravagante que já vimos dezenas de vezes. Muita gente criticava este Lex e eu defendia-o bastante por achar que Eisenberg é um ator competente. Espero que no filme Luthor seja desenvolvido de maneira que fique mais fiel às bandas desenhadas.
E apesar destes problemas que espero que não estejam no filme, estou bastante ansioso por vê-lo. Vai ser uma espécie de começo. Eu, que deixei de dar tanta atenção aos filmes do Marvel Cinematic Universe (não é que sejam maus mas à exceção de uma lista algo restrita têm argumentos semelhantes e um sentimento de falta de diversão) tenho muitas esperanças neste filme. Apesar de saber que pode estar repleto de falhas, estou ansioso por ver Henry Cavill num dos seus melhores papéis, estou esperançoso em relação a Ben Affleck e estou muito, muito contente por poder ver este filme, que penso que será maravilhoso. Até pode ser muito mau e ter um enredo fraco mas ver estas personagens a chegar ao grande ecrã outra vez (ou pela primeira vez em live-action) faz-me querer ver o filme. Provavelmente até irei comprar o DVD pela versão mais longa e pelos extras.
Amanhã vou ver filme e podem esperar uma análise nos dias que se seguem.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Cosplay - Batman (O Regresso do Cavaleiro das Trevas)

O Regresso do Cavaleiro das Trevas é, para mim, uma das melhores sagas de banda desenhada de sempre e tenho até uma análise aqui no blog.
Pois, em parte, esse minha adoração por esta saga deve-se ao Batman, mais maduro e revoltado. E o cosplayer Brin Londo fez um cosplay desta personagem nesta versão. Está bastante bem.

domingo, 13 de setembro de 2015

As Minhas Leituras - O Regresso do Cavaleiro das Trevas

1986. Haverá maior ano na banda desenhada que este? É difícil que haja... Watchmen, Maus, Demolidor: Renascido e, claro, O Regresso do Cavaleiro das Trevas do autor Frank Miller foram lançados em 86 e marcaram para sempre este meio. Este ano começou também a Era Moderna da banda desenhada americana marcada por uma violência maior na banda desenhada e um realismo que até então não existia com muita frequência. Esta era dura até hoje mas passou por muitas diferenças ideológicas e criativas ao longo dos anos.
Mas continuando, O Regresso do Cavaleiro das Trevas foi um dos maiores marcos culturais de toda a década de 1980, não apenas na banda desenhada. Marcou toda a ficção científica distópica e praticamente deu um novo tom às bandas desenhadas de super-heróis.



A história começa com um Bruce Wayne que deixou de ser o Batman há dez anos. Agora Gotham está ainda mais podre do que estava nas histórias da cronologia normal do Batman (porque esta história passa-se num futuro de um universo alternativo deste herói). É governada por um grupo de delinquentes arruaceiros armados chamados Mutantes e a polícia da cidade é liderada pela corrupção. Até o benevolente Jim Gordon, se vai reformar e deixar para trás o cargo de Comissário. Mas entretanto, Bruce Wayne decide voltar a ser o Batman. Um Batman que promete acabar com os Mutantes. E ele vai tentar a todos os custos. Mas contra ele está praticamente toda a imprensa. Apenas algumas pessoas, todas elas oprimidas acreditam no regresso do heróis. Muitos acham até que Batman não passou de um mito. Mas agora ajudado por uma nova jovem Robin, que acredita mais nos seus ideais do que em qualquer outra coisa, Batman vai retomar o controlo de Gotham e até lutar contra dois dos seus maiores inimigos de outrora: Joker e Duas-Caras que graças ao psiquiatra Bartholomew Wolper recuperaram a sua sanidade mental. Tudo até ao Regresso de Batman.
Também há pontos menores da história que na minha opinião não foram tão bem trabalhados como Oliver Queen e a sua revolta contra o sistema ou a Crise de Mísseis que atormenta Gotham (este último ponto acaba por ter um papel-chave no último capítulo da saga mas ao longo da história é pouco explorado).

Mas além desta espetacular história, também a arte é genial nesta saga. Tudo desenhado por Frank Miller (apenas com arte-final de Klaus Janson), este desenhador consegue ter um estilo adequado a esta Gotham horrível: sujo, desbotado, caras inexpressivas, toda a gente vestida de cinzento... E faz também com que todos os movimentos sejam próprios das personagens como os Mutantes violentos ou a leve e cuidadosa Robin, Os desenhos são todos detalhados e há sempre uma sensação estranha quando alguém que leu a história olha uma das suas pranchas.


E não podia não falar da imprensa nesta história. A imprensa fictícia de vários canais de televisão que mostram as suas opiniões em relação a diferentes assuntos. O décimo aniversário do desaparecimento do Batman, a ameaça de mísseis, as diferentes opiniões sobre o regresso de Duas-Caras. Em grande parte das pranchas, há uma ou mais (normalmente mais do que quatro) vinhetas com canais de notícias com comentadores a falar sobre tudo isto. Há uma presença constante, uma presença que é muito sentida e que ajuda a progredir a história e a inserir o leitor neste universo.

Na minha opinião, esta é uma das melhores minisséries de todos os tempos. Uma das melhores sagas em banda desenhada de sempre. Começando pelo pior: há realmente uma falta de história central ao longo de toda a saga, funcionando mais como um mostruário do que é este Universo alternativo horrível. A história fica um pouco de lado e o clímax do último capítulo não é nada de espetacular, considerando que o caminho que levou a esse acontecimento é muito curto. Passando ao lado bom, o universo funciona muito bem: foi bastante bem criado e só podia ser mesmo assim, uma Gotham sem o Batman. A história, apesar do que mencionei anteriormente continua a ter aspetos muito bons, especialmente todas as menções a antigos eventos do universo de Batman. A arte é realmente uma das melhores de sempre e, como um todo, esta é uma das melhores obras de banda desenhada da década.
É cativante, emocionante, violento e simplesmente fabuloso. Mesmo que não tenham lido muitas histórias de Batman nem sejam grandes fãs de banda desenhada americana, esta é uma saga que mesmo assim aconselho. Simplesmente espetacular.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Detetive

Há boas e más séries de televisão animadas inspiradas em super-heróis. Como em tudo. Temos as excelentes Spectacular Spider-Man, X-Men ou Avengers: Earth Mightiest Heroes mas também as horríveis Swamp Thing, Fantastic Four ou Spider-Woman, séries bastante más que nem tiveram muitos episódios devido a este problema. Mas se procurarem qualquer lista das melhores animações de super-heróis, facilmente encontrarão nos lugares mais próximos ao número 1 séries como a de Spawn, ou Young Justice... e claro, a única e grande, Batman: The Animated Series.
Muitos dizem que as séries de super-heróis e todo o universo de Batman, tanto na bd, como no cinema, na televisão e nos jogo só estão assim devido a esta série dos anos 90. Um fenómeno da crítica e da audiência, Batman: TAS (sigla utilizada para se referir à série, em vez de se escrever/dizer o nome completo) tinha um olhar mais negro para com o Homem-Morcego e toda a Gotham, fazendo os seus vilões mais horríveis do que o normal nas bandas desenhadas e dando uma ideia mais adulta do trabalho de um super-herói, numa maneira muito diferente dos desenhos animados de sábado de manhã que atingiram o máximo de popularidade na época em que esta série estreou. Adaptou bastantes bandas desenhadas, dando os retoques habituais da série e tornou-se num verdadeiro marco cultural que, na opinião de alguns, teve um impacto perto do de séries como Beavis and Buthead ou South Park.

O que nos é apresentado neste livro são histórias de um dos responsáveis por esta grande série Paul Dini, apoiados pelos traços de diferentes autores como Don Kramer e ainda com uma história extra de Royal McGraw. O volume é composto por histórias que têm início e fim no mesmo número, sem uma trama complexa ou alterações a todo o universo. Por vezes, Batman tem de auxiliar antigos inimigos como Hera Venenosa ou Pinguim, quando estes se encontram ameaçados por um mal maior. Noutras, vê-se envolvido numa trama à procura de um criminoso, e, numa delas é até ajudado por um dos seus antigos inimigos, o Charada.

É uma coletânea de histórias que mostram o lado original de Batman. Não se vê confrontado com um vilão que tenta atingi-lo psicologicamente ou tem de lidar com problemas da sua vida como Bruce Wayne ao ser Batman, é apenas algo mais próximo dos primeiros números da sua revista, nos anos 40. Histórias simples, com um Batman sábio e perspicaz e que vale o título de Maior Detetive do Mundo, dado-lhe por Ra's Al Ghul,

A arte é a tipica arte de uma revista comercial. Como não é um grande arco nem uma grande minissérie, tem uns desenhos bons mas sem novas técnicas. Continua a acompanhar bastante bem a história e tem um bom rol de cores, condizendo com o estilo menos adulto destes contos.

Pessoalmente gostei bastante deste volume. Por um lado torna-se menos interessante, especialmente ao ser inserido numa coleção com grandes histórias de autores como Frank Miller, Grant Morrison ou Tim Sale. Mas continua a ser bom. Quando não se tem mais nada para se fazer, ler uma destas histórias em alguns minutos a aproveitar os talentos de escrita de Dini é algo sempre agradável. Não é revolucionário, nem épico e duvido que seja um dos 10 melhores livros de banda desenhada de sempre. Mas não é suposto sê-lo. E assim sendo, é algo espetacular, um livro espetacular que para muitos deu uma esperança de que a série de Batman dos anos 90 ainda não tinha acabado, apesar de este volume se diferenciar muito, por incluir aventuras mais leves. Mesmo assim, partilha o espírito de detetive e uma história de uma das vilãs criadas na série de animação, Arlequina, que aqui co-protagoniza a última história.

Em suma é um livro muito bom mas sem nada de identificativo e se não procurarem aventuras mais infantis não têm aqui o livro. Não vão lê-lo a esperar um Ano Um mas sintam-se entusiasmado. O que Dini e os outros autores aqui fizeram é excelente. A minha nota? 75 em 100.

sábado, 25 de julho de 2015

Capa: Earth 2 #1 de Bryan Hitch

Decidi trazer hoje uma fantástica ilustração de Bryan Hitch, um artista fabuloso que assina o primeiro e segundo número da nova coleção da Levoir dedicada à Marvel e que tem um desenho espetacular. O que vos apresento é a variant deste artista a Earth 2 #1, da DC Comics, que está espetacular. Aqui está.



Nvidia Está A Corrigir Erros da Versão de PC de Batman: Arkham Knight

Algo inédito no mundo dos videojogos foi anunciado esta semana: A empresa Nvidia, responsável por algumas das melhores placas gráficas para computadores da atualidade, está a tentar fazer melhorias dos muitos problemas que o jogo Batman: Arkham Knight tinha nesta plataforma. Aquando o seu lançamento, a versão de PC incluía múltiplos bugs e teve vendas e críticas desastrosas, que levou até ao retiro do jogo das lojas digitais. Agora, Tom Peterson, um dos engenheiros de topo da empresa de placas gráicas afirmou que se estão a esforçar ao máximo para corrigir todos os problemas que esta versão tinha e, juntamente com a WB Games e a Rocksteady (as empresas que produziram e deenvolveram o jogo do Cavaleiro das Trevas) vão colocar o jogo de novo no PC, numa versão igual ou superior à que se encontra nas consolas de nova geração. A empresa está também a fazer este trabalho porque quer que o jogo esteja numa versão boa no PC e está a corrigir erros mesmo sem terem relação com as suas placas gráficas. Tudo isto foi revelado numa entrevista que podem ver aqui.




quinta-feira, 23 de julho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Presa



No dia em que começa a nova coleção da Levoir, que, por sinal, é prometedora, estou eu ainda a meio das minhas análises à coleção anterior, dedicada inteiramente a Batman.

Se houve revista que fugiu à regra universal que se consolidou na comunidade de fãs de banda desenhada de que os anos 90 foram um enorme falhanço em termos de comics americanos, apoiemos ou não esta ideia, foi Legends of the Dark Night (apesar de admitir que fui tremendamente injusto ao explicitar no início da frase que esta foi a única ou das únicas). Com a história Gótico, já publicada nesta coleção e analisada no blog a preceder diretamente esta em termos de publicação mas não cronológicos, ficamos com duas das melhores histórias dos anos 90 nesta coleção. Mas apesar de serem do mesmo ano e terem sido publicadas na mesma tão aclamada revista, diferenciam-se em tudo: Gótico, dos mestres Grant Morrison e Klaus Janson, traz um inimigo novo, único, até e lida com temas negros associados à religião e a uma história sem fronteiras, quer físicas, quer temporais. Esta Presa, assinada por Doug Moench e Paul Gulacy, trata mais da psique do Homem-Morcego, analisada pelo especialista em psicanálise, Hugo Strange, um vilão recorrente nas revistas Batman e Detective Comics dos anos 50 e que é aqui recriado numa forma estranha e medonha, mas sem perder o efeito da comicidade que os comics em que apareceu tinha em demasia.

Em Presa, apesar de Batman não querer admitir, está a ficar atingido por todos os comentários e análises que Strange lhe faz, caminhando até quase adivinhar a sua identidade. Mas pelo meio, vira a imprensa e o público contra o herói e cria uma força anti-vigilante, cuja primeira missão é eliminar o Batman.

Mas não é a história em si que eleva esta saga ao estatuto de clássico do Cavaleiro das Trevas. O que realmente faz desta algo de genial é toda a trama vista do lado de Batman, que tenta ignorar os comentários do psicanalista e prosseguir com o seu trabalho, de Hugo Strange, levando-o a criar uma caça às bruxas ao vigilante e do lado de James Gordon, na altura ainda capitão da Polícia de Gotham e que tem de ficar do lado de Strange publicamente mas secretamente ajuda Batman a esconder a sua identidade.

Há ainda o excelente ponto do Fagelo da Noite, a identidade de Max Cort, o responsável pela caça ao Batman que, quando hipnotizado por Strange segue uma carreira de vigilante, se bem que mais violento do que Batman. Mas claro que a ideia da criação de um vilão para defrontar o herói é quase tão velha como a ideia dos heróis e dos vilões em si mas aqui há uma certa ironia por ter sido o próprio revoltado Hugo Strange que sente na verdade inveja e não qualquer outra coisa. Há um ódio crescente em Strange por Batman e pelos ideais que representa que o leva ser como é. E isto torna-o espetacular na humilde opinião deste crítico.

Realmente a história é muito boa e só tenho o problema da história paralela de Selina Kyle nos seus primeiros anos como Mulher-Gato que se torna um bocado desnecessário até um ponto avançado da narrativa onde, se pensarmos mesmo até ao fundo da questão, não é tão importante quanto isso.

Na parte da arte, tenho de parabenizar Paul Gulacy, um artista cuja arte nunca me tinha chegado às mãos nem aos olhos, mas de que gostei bastante. A figura humana foi muito bem estudada e nas cenas de ação há uma ideia de movimento dada pelas várias vinhetas sequenciais, um aspeto muito interessante. A cidade que desenhou é que por vezes parece ter pormenores que nunca existiriam em Gotham como enormes filas de carros, algo muito pouco realista. Mas talvez do ponto de vista do desenhador, este aspeto até pudesse ser importante para mostrar a diferença entre a Gotham destes primeiros anos em que Bruce Wayne foi o Batmna e Gotham dos tempos que os leitores acompanhavam em títulos normais como Batman e Detective Comics.

Na minha opinião, esta é realmente uma das melhores histórias do Batman que li até hoje e fiquei rendido a esta dupla de criadores. Quero não só ler mais trabalhos deles individualmente como procurarei outras obras que tenham desenvolvido juntos. Aconselho completamente a leitura desta quase brilhante obra e, boa notícia, o sistema de nota voltou às Reviews e às As Minhas Leituras, desta vez com uma nota de 0 a 100, onde vou tentar ser mais rígido do que da última vez que usei este sistema, ortanto não gostava que comparações fossem feitas com as anteriores notas.
Este livro, para começar em grande recebe um maravilhoso 80, principalmente pela excelente história com um valor de releitura algo alto, desenhos muito bem feitos e um vilão re-imaginado e que garante uns pontos extras à obra.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Gótico

Como explicado em Batman: Ano Um, e em muitas outras histórias do herói, Bruce Wayne escolheu o morcego para inspiração do seu fato para causar medo nos adversários, fazendo com que estes fiquem atrapalhados ao ver o vulto negro que o seu fato é. Mas quando aparece alguém que causa ainda mais medo nos cidadãos de Gotham, Batman tem de agir.

Essa é a história de Batman: Gótico, um clássico do Cavaleiro das Trevas que saiu da mente de Grant Morrison e Klaus Janson, dois nomes que hoje são conhecidos por todo o mundo. Um homem sem sombra aparece em Gotham e decide vingar-se de um grupo de homens que o assassinou, anos antes. Como aconteceu? Esse é o mistério que cabe a Batman descobrir ao mesmo tempo que este tem estranhos sonhos com a sua escola e com o seu Pai, Thomas Wayne. Mas Batman percebe assim que sente o medo deste estranho assassino que os motivos deste criminoso são bem maiores do que uma vingança.

A espetacular capa de uma das edições

Infelizmente a história tem um problema no seu ritmo, parecendo demasiado lenta até às últimas páginas. Mesmo assim, com aos antecedentes na história referidos nas analepses e com o vilão da história, conseguimos aproveitar toda a obra no seu máximo. É nas personagens que a história brilha! Batman surge algo perturbado pelos seus tempos de escola e é notável a técnica de Morrison de transmitir o medo ao leitor. Os homens que estão a ser perseguidos apresentam todos diferentes personalidades, um ponto bastante positivo já que em muitas obras falha. Por último, o vilão é uma personagem extraordinária: O medo passa para as suas vítimas de uma maneira excelente e toda a sua história revelada com uma profundidade que poucos vilões merecem é uma das melhores histórias de origem que li até hoje. Apesar de não aparecer em mais histórias, eu gostei muito deste vilão e é a sua personagem que faz desta história algo muito bom.
No argumento, notam-se muitas técnicas que não só serviram de inspiração a outros autores dos comics americanos com também ajudaram o autor a escrever as suas histórias mais recentes. Tudo isto é ajudado por uma arte bastante boa, se bem que tenha um desenho de combates e cenas de ação um pouco pior do que é normal. Há ainda que mencionar as fantásticas citações que iniciam cada capítulo e que se relacionam intimamente com a história e com as personagens.

Sinceramente, gostei bastante deste livro. A história não é nada fora do normal e a arte é esquecida com uma certa facilidade mas as personagens e um ou outro detalhe faz desta uma grande história do Batman, que deve ser lida por todos os fãs do herói.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Asilo Arkham

Uma das melhores coisas nas histórias de super-heróis é o facto de ser um género extremamente multifacetado. Podemos ter as típicas histórias de herói contra vilão como encontramos muito frequentemente; histórias mais negras, apelando ao lado humano do heróis; ou histórias que estão mais relacionadas com géneros como ficção científica, fantasia ou terror.

A história de hoje insere-se neste grupo, Batman: Asilo Arkham. Quando há uma fuga dentro do mítico asilo começada por Joker, Batman, a pedido deste vilão, tem de entrar sozinho lá e confrontar muitos dos vilões que prendeu ao longo dos anos. Mas quando se encontra no Asilo descobre os segredos da criação deste local, quase um século antes e começa a perceber as semelhanças entre si e o criador de todo o Asilo. É menos uma história e mais uma experiência visual com a mente de Batman como protagonista.

As personagens nesta história não são muitas: Batman é muito explorado mas nunca é revelado algo que não saibamos; Joker apresenta-se um louco verdadeiramente aterrador e muito mais macabro do que era normal em 1997 e o criador do Asilo Arkham é verdadeiramente explorado, mostrando porque é que é como é. Os outros vilões não têm grandes semelhanças à exceção de Duas-Caras cuja terapia parece estar a acabar com a sua dualidade.
As personagens são meros objetos nesta história: nenhuma delas é muito profunda e são as relações com as histórias de Alice do escritor Lewis Carroll que fazem deste elenco algo significativo para todo o enredo.


Capa do volume norte-americano, numa das edições mais recentes

Os criadores são dois grandes nomes dos comics: Grant Morrison, um dos maiores nomes dos comics de super-heróis que trabalhou em séries como JLA, Batman, The Invisibles, Action Comics, Animal Man ou All-Star Superman. Sinceramente nunca fui um grande fã do seu trabalho mas também tinhha lido muito pouco. Come este volume comecei a apreciar o seu estilo e estou tentado a ler The Invisibles no futuro.
O desenhador que tem uma arte que é praticamente toda a base deste livro, uma arte que se relaciona mais com a concept art de filmes ou de jogos mas que é muito bem aplicada. As suas pranchas condizem com toda a loucura que acontece dentro do Asilo Arkham e não imagino uma história destas sem estes desenhos.

Pessoalmente gostei bastante desta história. O seu argumento está cheio de referências aos livros de Lewis Carroll. Temos semelhanças entre as personagens, perseguições a pessoas aparentemente doidas, castelos de cartas e toda um sentimento de conto de fadas distorcido que faz deste um dos melhores livros de banda desenhada já publicados até hoje.

Aconselho-vos assim, a ler esta tão maravilhosa história, este conto macabro. Para quem é fã de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho tem aqui uma das melhores "adaptações". Altamente recomendado para fãs de thrillers, viagens à psique das personagens e histórias para ler de uma só vez, à noite, apenas como uma lanterna.
Fenomenal... assustador, mas fenomenal.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: O Longo Halloween

Se há paradoxo criado pelo Homem é dizer que algo é perfeito. Obviamente que por muito boa que qualquer coisa seja há uma certa falha que a tone apenas espetacular. Tomemos por exemplo O Padrinho de 1972 ainda hoje conhecido como um dos melhores filmes de sempre pelo seu enredo bem construído, realização cativante e artística e atores absolutamente brilhantes. Um filme destes (que chegou mesmo a receber 100/100 no Metacritic) é ainda lembrado como um excelente filme mas muitos críticos encontram algumas falhas como o foco demasiado grande em certos momentos do filme deixando muitos acontecimentos importantes de lado mas quase toda a gente admite que é um dos melhores filmes já feitos. E porquê? Porque sabem que serão muito poucos os filmes a chegar à altura desta obra. A sua sequela (O Padrinho - Parte II), Os Condenados de Shawshank, Pulp Fiction ou O Cavaleiro das Trevas chegaram bastante perto mas este continua a ser considerado o melhor filme de sempre. E é perfeito? Obviamente que não. Mas a perfeição nunca será atingida, seja no cinema, seja em qualquer outra área.

E os livros de hoje são exatamente isso: extremamente próximos da perfeição. É esta obra o espetacular O Longo Halloween, considerada uma das melhores minisséries dos anos 90 e uma das melhores histórias com Batman no principal papel. Foi desenvolvida pela conhecida dupla Jeph Loeb/Tim Sale, também autores das minisséries das "Cores" para os heróis da Marvel e da coletânea de one-shots, Batman: Haunted Knight. Sem fazerem parte da dupla, Loeb distinguiu-se ao escrever grandes histórias na revista Superman/Batman e Sale na história Superman Confidential.

Capa de uma das edições mais conhecidas

Passando para "O Longo Halloween": a história passa-se pouco depois de Ano Um, já analisada aqui no blog quando Gotham City se vê mergulhada numa onda de assassinatos contra as duas principais famílias ligadas à Máfia da cidade, a de Maroni e a de Falcone, todos realizados nos dias de feriados. O assassino desconhecido foi denominado Feriado devido a esta sua idiossincrasia. Batman, o Comissário Gordon e Harvey Dent tentam que este assassino seja apanhado antes do feriado seguinte para não haver mais mortes. Com eles, muitos vilões procuram também este Feriado pois todos são de alguma maneira bloqueados por esta maré de crimes. Rebenta também uma guerra de famílias entre os dois chefes afetados e o stress é muito em Batman e nos seus dois companheiros de métodos diferentes. Gera-se assim uma longa história de crime cheia de tensão, cenas excelentes e um grande mistério em volta da identidade do assassino.

Em termos de personagens, estes livros brilham. Batman apresenta-se um heróis musculado e com um pormenor muito do meu agrado: capa longa. Mas face a toda a situação em que Gotham se encontra, o seu aspeto de herói musculado é exatamente o oposto da sua mente, acelarada e pressionada pelo destino da vítima deste assassino seguinte. Com as histórias paralelas como a perseguição ao Joker ou um romance com a Mulher-Gato, Batman ganha uma densidade exclusiva desta história, fazendo dele uma das minhas personagens fictícias preferidas de sempre.
Harvey Dent surge nestes livros como um homem determinado a apanhar o Feriado mas sempre com um lado humano muito importante para tentar fugir ao herói que Batman é. Tem um objetivo e, apesar de querer mais do que qualquer outro que Maroni e Falcone se destruam, tem de fazer tudo para que este assassino seja apanhado.
Como ponto médio entre estas duas personagens está Jim Gordon, também determinado a apanhar o Feriado com a ajuda do detetive e do Procurador. Como Batman, está a trabalhar o máximo que pode para que o Feriado seja parado e como Dent, odeia esta missão por ter de proteger dois dos maiores criminosos da cidade que jurou proteger. Tem ainda o aspeto bastante interessante e indispensável à narrativa: o lado familiar e de por a sua mulher e filha à frente do trabalho e de toda a cidade, algo que Dent também fez, apenas não na mesma magnitude.
Sinceramente, só as personagens principais estão mais bem exploradas nesta minissérie do que na maioria das histórias em banda desenhada. Isto sem contar com o grande conjunto de personagens secundárias como os dois chefes do crime organizado da cidade; o louco vilão Calendário; o tenebroso Solomon Grundy e a apaixonada Mulher-Gato, que desempenha um papel central em vários capítulos.

Capa do primeiro volume na edição porutguesa

Em termos de arte, esta obra tem o traço típico de Tim Sale. Há uma grande utilização de técnicas como o contraste de cores e o uso da sombra é usado de uma maneira esplêndida. Cerca de metade das pranchas podem ser utilizadas como quadros devido ao detalhe e nível de visão por parte do artista. Facilmente um dos melhores artistas de banda desenhada que já vi até hoje e uma das melhores combinações história-desenho da nona arte. Felizmente a dupla tem uma grande bibilioteca de obras espetaculares e umas quantas incluem o Batman.

Pessoalmente, esta é a obra mais próxima da perfeição que já li até hoje e passou a ser a minha banda desenhada preferida de sempre. Por que é que não chega à perfeição: pela mesma razão do prefácio: a perfeição é impossível de alcançar. Mas se fosse possível, viria numa forma um pouco melhorada de "O Longo Halloween". Até se relaciona com O Padrinho em termos de temas e nas várias referências como a cena inicial ser um casamento, é muito usado o brilho através das persianas e a frase inicial da banda desenhada é baseada numa das falas desse filme: "Eu acredito em Gotham", substituindo na frase original a palavra América pela cidade defendida por Batman.
Não consigo deixar de vos recomendar esta tão maravilhosa saga. Um dos meus realizadores preferidos de sempre, Christopher Nolan disse: "O Longo Halloween é muito mais que uma banda desenhada. É uma tragédia épica." Por muito que concorde, tenho de acrescentar o seguinte: O Longo Halloween é muito mais que uma tragédia épica. É uma obra tão bem concebida, tão bem explorada, tão bem escrita e tão bem desenhada que é impossível não ser uma das grandes histórias dos anos 90.

terça-feira, 9 de junho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Ano Um

Uma das minhas sagas preferidas de banda desenhada é Demolidor: Renascido. Tem aspetos trágicos que nunca pensei que pudessem ser incluídos numa história de super-heróis mas sem nunca esquecer o seu herói e os combates e típicos coadjuvantes de uma história da Marvel "normal". Devido a isto, esperava que Batman: Ano Um, uma banda desenhada do mesmo par de autores, Frank Miller e David Mazzucchelli, fosse também uma excelente obra, capaz de me mostrar aquilo de que uma boa prequela é capaz. Quase que acertei.

Capa de uma das edições

Batman: Ano Um centra-se em três histórias: duas principais e uma secundária que considero também importante.
Numa, Jim Gordon chega a Gotham e começa como detetive a descobrir toda a corrupção que existe dentro da polícia. Os seus métodos são os normais de um polícia em qualquer outra cidade paa além de Gotham. Gordon cria algumas rivalidades com colegas que acham os seus métodos demasiado honestos ou com pessoas por detrás de toda a corrupção. Alguns destes tentam mesmo "tirá-lo do caminho" mas Gordon reage utilizando os métodos que fazem parte de um verdadeiro polícia de Gotham.
Gordon envolve-se também com a colega detetive Sarah Essen que pensa que este novo criminoso (aos olhos da polícia) Batman é na verdade Bruce Wayne. Apesar de tudo, Jim Gordon acaba por confiar em Batman e decide não o tornar num dos mais procurados de Gotham.

Noutra história, Bruce Wayne regressa a Gotham depois de anos de treino a prepará-lo para uma e uma só missão: livrar a cidade de crime. Wayne procura assim tornar-se num herói mascarado e decide usar um fato que lembre um morcego para diminuir o tempo de reação dos criminosos que atacar. Assim nasce Batman. Começa a diminuir o crime mas levanta demasiado a sua fasquia pessoal, atacar Falcone, o grande chefe da máfia da cidade. Mesmo assim, Gordon confia neste homem mascarado e Batman ganha também um dos seus aliados mais importantes, Harvey Dent, o Procurador de Gotham.

Bruce Wayne a ponderar usar um fato de Morcego

A terceira história é a de Selina Kyle, a Mulher-Gato que começa a acreditar tanto na força de Batman como na de Jim Gordon e tenta também ajudar a livrar a cidade de crime. Mesmo assim os seus ideais são diferentes e pretende apenas safar-se a si própria do que a toda a cidade.

Basicamente a história é espetacular. Charles Darwin disse uma vez que "O Homem, com suas nobres qualidades, ainda carrega no corpo a marca indelével da sua origem modesta". Apesar desta citação se referir à evolução, é fácil relacionar com a obra. Personagens exploradas em tantas obras ao longo de tantos anos precisavam de uma origem que não as introduzisse como grandes heróis. Primeiro vem a origem, depois vem o heroísmo. E Frank Miller explorou isso de uma das melhores maneira possíveis.

Quanto aos desenhos, a arte de Mazzucchelli é diferente da da obra de Demolidor. O traço não é tão certo e as ações das personagens parece menos humano o que até pode ser interpretado como uma metáfora para com a falta de humanidade da população de Gotham. O desenho centra-se também demasiado no pormenor deixando o grande plano menos "rico" em conteúdo.
Para além de tudo isto, tem de se elogiar o diálogo e pensamentos de personagens escritos de maneira espetacular.


Capa da última edição do volume

Apesar de ter tentado evitar fazer demasiado isto, não consegui acabar esta análise sem comprar com a obra já referida dos mesmos autores, Demolidor: Renascido. A história da Marvel aproxima-se mais de um romance tendo pequenas cenas com muitas personagens. Esta foca-se mais naqueles pequenos enredo e estabelece uma pequena ligação entre os três. A outra tem mais que ver com redenção e é mais um épico trágico do que uma história de super-heróis. Este livro tenta ter um espírito clássico da banda desenhada dos anos 80 sem se preocupar tanto com a revolução em termos de argumento. Nos desenhos nota-se muito a diferença já que a de Demolidor foca-se no realismo da história e das personagens enquanto que os desta tentam retratar a falta de humanidade que Gotham tem.

Concluindo, Miller e Mazzucchelli fizeram uma excelente história que, apesar de não estar tão boa quanto a outra obra que li da dupla, traz excelentes aspetos para as três personagens centrais e tem diálogos e cenas que mostram tudo o que a dupla consegue fazer.

sábado, 18 de abril de 2015

5 Grandes Trailers Numa Semana

Estes últimos dias foram verdadeiramente espetaculares para nerds com imensos trailers fenomenais a serem publicados no YouTube. E sinceramente, decidi escrever um pouco sobre alguns deles. Os trailers estarão sempre depois do parágrafo sobre esse mesmo trailer.
Os primeiros que quero mencionar são os de Star Wars: The Force Awakens e Star Wars Battlefront, um filme e um jogo que tiveram os seus trailer revelados na Star Wars Anaheim Celebration(e talvez ainda tenhamos trailer da segunda temporada dos Rebels). Já escrevi sobre eles nos meus posts sobre este evento que têm saído a fazer um resumo desse dia e também a dar a minha opinião sobre o que fui vendo.
Outro trailer que foi revelado, penso eu, na quinta-feira foi o de Ant-Man, um filme da Marvel que não me tinha despertado nenhum interesse... até agora. Neste vemos Paul Rudd no papel que eu sempre quis que ele tomasse, um Scott Lang tanto cómico como dramático. Eu achei que a introdução do Jaqueta Amarela/Vespão não foi das melhores coisas que o filme podia ter e até fiquei um pouco menos motivado para ver o filme. Mesmo assim até gostei deste 2º trailer (tínhamos tido um teaser em janeiro).


Tivemos também um teaser e um trailer de Batman V Superman: Dawn of Justice e que enquanto toda a gente estava eufórica com as falas do Batman eu estava apenas a pensar que era apenas bom. Sim, o Batman até está melhor do que eu pensava que ia ser com o Ben Affleck a fazer um papel de super-herói que até é bom. Mas viu-se pouco e a armadura do  Batman pareceu-me algo ridícula e conseguiu ver-se que há uma certa política no enredo que não me agradou assim muito. Mesmo assim, algo que todos os nerds devem ver, Só vou publicar o trailer já que o teaser é apenas uma versão curta deste trailer.

E por último (isto sem contar com o do novo Teminator, mas eu nem sequer ligo à franquia) temos o trailer de Shingeki no Kyojin ou Attack on Titan que não foi nada de especial. Os efeitos especiais dos titãs são bastante maus e não há nada de especial. Isto para além de não haver uma única versão legendada em inglês (quanto mais em português) do trailer. Sinceramente esperava mais...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ECE 12 Dias de Natal Episódio 5 - Invasion of the Secret Santas! (Batman: The Brave and the Bold)

O episódio de hoje é mais uma vez de uma série de Batman. Desta vez, escolhi Invasion of the Secret Santas! da subvalorizada Batman: The Brave and The Bold.
No episódio, Batman e Red Tornado tentam destruir o plano de Fun Haus na noite de Natal enquanto o Homem-Morcego sofre de visões que remetem ao Natal em que perdeu os pais e o robô vermelho tenta entender o conceito de espírito natalício.
Eu sempre adorei o episódio, em especial as lembranças de Batman mas todo o episódio tem muita ação, uma história engraçada e pequenas piadas que fazem sempre desbotar um sorriso. Além disso, o episódio faz referências a Christmas with the Joker, um episódio que já apareceu neste especial de Natal do blog da série de Batman dos anos 90.
Se procuram um bom episódio de Natal em desenhos animados inspirados em super-heróis, penso que este é o melhor mas acho que fica ao critério de cada fã.

domingo, 21 de setembro de 2014

Review/Preview - Gotham Episódio 0/Gotham

Hoje trago algo diferente ao blog: uma review e uma preview no mesmo post. A razão? A review será de Gotham: The Legend Reborn, o episódio 0 de Gotham e a preview será dessa mesma série, que estreará amanhã nos EUA.
Gotham é uma série que vai passar na Fox (por enquanto, na Americana, apenas) e que será passada no universo de Batman, apesar de não ter nenhuma ligação com o atual universo da banda desenhada. Esta série vai passar-se antes de Batman existir e vai acompanhar o polícia novato, James (ou Jim) Gordon, que nas bandas desenhadas chega a comissário e a ganhar o total respeito de Batman. Gordon vai estar acompanhado de Harvey Bullock e a química entre os dois vai ser um dos focos da série. O outro (e talvez mais marcante) serão as origens de muitos vilões do Batman, no início das suas carreiras.
No cast temos Ben McKenzie (The O.C.) como Gordon; Donal Logue (Grounded for Life, Vikings) como Bullock; David Mazouz (Touch) como Bruce Wayne; Jada Pinkett Smith (Ali, saga Matrix) como Fish Mooney, uma personagem exclusivamente criada para a série e muitos outros atores de alto nível.


Como disse, este post terá uma componente review e outra preview. Começando com a review, este episódio 0 desiludiu-me. E tudo por uma razão: o título. O episódio foi denominado Gotham Episode 0: The Legend Reborn mas na verdade é um making off com entrevistas ao cast e sem nada que contribua para a história. De resto, o making off é muito bom com boas entrevistas e mostrando os cenários que parecem fieis à banda desenhada e bastante bem feitos.
Na preview vou dar mais uma opinião com expectativas. Quando vi o trailer eu fiquei muito ansioso porque achava que esta ia ser uma série que seria uma surpresa já que não se baseia em nenhuma história em específico nem num período muito explorado na banda desenhada. Espero é que não estraguem a série tornando-a muito longa pois uma série com um orçamento tão grande quanto o desta ou com um elenco tão experiente quanto este que não funcione é uma mancha negra na televisão e um passo atrás na expansão dos média relativos aos super-heróis.
Deixo assim tanto a minha recomendação para verem o tal making off tanto a recomendaçao para verem pelo menos uns episódios da série.

Curiosidade: Ben Mckenzie também deu a voz a Batman/Bruce Wayne no especial para vídeo Batman: Year One (inspirado na b.d. de 1987) que contou também com Bryan Cranston (Walter White de Breaking Bad).

terça-feira, 6 de maio de 2014

Notícia - GOTHAM é anunciado

Foi anunciada uma nova um telefilme da DC bem ao estilo da série Arrow. Esta será um policial intitulado Gotham e o escritor será Bruno Heller. O filme será centrada no jovem James Gordon antes de ser comissário a conhecer o também jovem Bruce Wayne (bastante ao estilo de O Homem que Ri (história mesmo boa, por acaso)). Serão ainda mostradas as origens dos grandes vilões da cidade como Catwoman, Charada, Poison Ivy e outros. No papel principal teremos Ben McKenzie e contará também com David Mazouz, Donal Logue, Erin Richards ou Sara Paxton.
Apesar de não ser nem fã nem de Agent of S.H.I.E.L.D. nem de Arrow por achar que são muito mas muito inferiores às b.d.'s este parece que, sim, será inferior aos comics, mas parece-me que estará no aceitável. Estreia no outono na Fox.

domingo, 4 de maio de 2014

75 Anos do Batman

Houve hoje na Fnac do Gaiashopping uma palestra sobre os 75 anos do Batman apresentada por Pedro Cleto, crítico de B.D. e autor do blog As Leituras do Pedro, blog que sigo com extrema frequência.
A palestra foi altamente, com muitas informações no primeiro ano do Batman, nas suas caraterísticas mais marcantes (como o Batmóvel, os inimigos como o Joker, os parceiros como o Robin) e ainda as melhores ou mais importantes histórias do homem-morcego.
Um acontecimento mesmo bom e uma iniciativa que merece valor por parte dos fãs de banda desenhada.

sexta-feira, 28 de março de 2014

As Minhas Leituras -SHDC II #2 - Batman e Robin: Batman Renascido

Isto é um facto: grande parte das espetaculares histórias do Batman foram escritas antes de 2000. E este Batman Renascido não foge à regra e, a meu ver tem uma história horrível em que nem brincar com a mente do leitor é conseguido e na qual, o fio de raciocínio se perde completamente.
Por isso, este livro consegue ter uma nota execrável (no qual eu elevava bastante as minhas espectativas devido, sobretudo, aos autores).
SHDC II #2 - Batman e Robin: Batman Renascido - 28 em 100.