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segunda-feira, 6 de julho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Gótico

Como explicado em Batman: Ano Um, e em muitas outras histórias do herói, Bruce Wayne escolheu o morcego para inspiração do seu fato para causar medo nos adversários, fazendo com que estes fiquem atrapalhados ao ver o vulto negro que o seu fato é. Mas quando aparece alguém que causa ainda mais medo nos cidadãos de Gotham, Batman tem de agir.

Essa é a história de Batman: Gótico, um clássico do Cavaleiro das Trevas que saiu da mente de Grant Morrison e Klaus Janson, dois nomes que hoje são conhecidos por todo o mundo. Um homem sem sombra aparece em Gotham e decide vingar-se de um grupo de homens que o assassinou, anos antes. Como aconteceu? Esse é o mistério que cabe a Batman descobrir ao mesmo tempo que este tem estranhos sonhos com a sua escola e com o seu Pai, Thomas Wayne. Mas Batman percebe assim que sente o medo deste estranho assassino que os motivos deste criminoso são bem maiores do que uma vingança.

A espetacular capa de uma das edições

Infelizmente a história tem um problema no seu ritmo, parecendo demasiado lenta até às últimas páginas. Mesmo assim, com aos antecedentes na história referidos nas analepses e com o vilão da história, conseguimos aproveitar toda a obra no seu máximo. É nas personagens que a história brilha! Batman surge algo perturbado pelos seus tempos de escola e é notável a técnica de Morrison de transmitir o medo ao leitor. Os homens que estão a ser perseguidos apresentam todos diferentes personalidades, um ponto bastante positivo já que em muitas obras falha. Por último, o vilão é uma personagem extraordinária: O medo passa para as suas vítimas de uma maneira excelente e toda a sua história revelada com uma profundidade que poucos vilões merecem é uma das melhores histórias de origem que li até hoje. Apesar de não aparecer em mais histórias, eu gostei muito deste vilão e é a sua personagem que faz desta história algo muito bom.
No argumento, notam-se muitas técnicas que não só serviram de inspiração a outros autores dos comics americanos com também ajudaram o autor a escrever as suas histórias mais recentes. Tudo isto é ajudado por uma arte bastante boa, se bem que tenha um desenho de combates e cenas de ação um pouco pior do que é normal. Há ainda que mencionar as fantásticas citações que iniciam cada capítulo e que se relacionam intimamente com a história e com as personagens.

Sinceramente, gostei bastante deste livro. A história não é nada fora do normal e a arte é esquecida com uma certa facilidade mas as personagens e um ou outro detalhe faz desta uma grande história do Batman, que deve ser lida por todos os fãs do herói.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

As Minhas Leituras - Batman: Asilo Arkham

Uma das melhores coisas nas histórias de super-heróis é o facto de ser um género extremamente multifacetado. Podemos ter as típicas histórias de herói contra vilão como encontramos muito frequentemente; histórias mais negras, apelando ao lado humano do heróis; ou histórias que estão mais relacionadas com géneros como ficção científica, fantasia ou terror.

A história de hoje insere-se neste grupo, Batman: Asilo Arkham. Quando há uma fuga dentro do mítico asilo começada por Joker, Batman, a pedido deste vilão, tem de entrar sozinho lá e confrontar muitos dos vilões que prendeu ao longo dos anos. Mas quando se encontra no Asilo descobre os segredos da criação deste local, quase um século antes e começa a perceber as semelhanças entre si e o criador de todo o Asilo. É menos uma história e mais uma experiência visual com a mente de Batman como protagonista.

As personagens nesta história não são muitas: Batman é muito explorado mas nunca é revelado algo que não saibamos; Joker apresenta-se um louco verdadeiramente aterrador e muito mais macabro do que era normal em 1997 e o criador do Asilo Arkham é verdadeiramente explorado, mostrando porque é que é como é. Os outros vilões não têm grandes semelhanças à exceção de Duas-Caras cuja terapia parece estar a acabar com a sua dualidade.
As personagens são meros objetos nesta história: nenhuma delas é muito profunda e são as relações com as histórias de Alice do escritor Lewis Carroll que fazem deste elenco algo significativo para todo o enredo.


Capa do volume norte-americano, numa das edições mais recentes

Os criadores são dois grandes nomes dos comics: Grant Morrison, um dos maiores nomes dos comics de super-heróis que trabalhou em séries como JLA, Batman, The Invisibles, Action Comics, Animal Man ou All-Star Superman. Sinceramente nunca fui um grande fã do seu trabalho mas também tinhha lido muito pouco. Come este volume comecei a apreciar o seu estilo e estou tentado a ler The Invisibles no futuro.
O desenhador que tem uma arte que é praticamente toda a base deste livro, uma arte que se relaciona mais com a concept art de filmes ou de jogos mas que é muito bem aplicada. As suas pranchas condizem com toda a loucura que acontece dentro do Asilo Arkham e não imagino uma história destas sem estes desenhos.

Pessoalmente gostei bastante desta história. O seu argumento está cheio de referências aos livros de Lewis Carroll. Temos semelhanças entre as personagens, perseguições a pessoas aparentemente doidas, castelos de cartas e toda um sentimento de conto de fadas distorcido que faz deste um dos melhores livros de banda desenhada já publicados até hoje.

Aconselho-vos assim, a ler esta tão maravilhosa história, este conto macabro. Para quem é fã de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho tem aqui uma das melhores "adaptações". Altamente recomendado para fãs de thrillers, viagens à psique das personagens e histórias para ler de uma só vez, à noite, apenas como uma lanterna.
Fenomenal... assustador, mas fenomenal.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Teia do Aranha #7 - Colaboração: JLA de Grant Morrison por Nuno Amado

Hoje faço anos e, então, não vou escrever muito no blog. Está escrito em baixo um texto de Nuno Amado (blogger de Leituras de BD, um blogue excelente). Não só é um texto maravilhoso sobre a passagem de Grant Morrison pela JLA como também é a primeira colaboração com este blogue. Se estás interessado em participar com um texto escrito por ti, envia-o para gormitiago@gmail.com. Fiquem agora com o texto de Nuno Amado.

A Justice League of America foi o primeiro grande grupo de super-heróis a ser formado. A sua primeira aparição ocorreu na revista The Brave and the Bold #28 em 1960!
A grelha era composta pelo Superman, Batman, Wonder Woman, Aquaman, Flash, Green Lantern e o Martian Manhunter. O criador deste grupo, não confundir com os criadores destes super-heróis, foi Gardner Fox.

Este grupo viveu altos e baixos, convivendo com grandes vendas e sucesso, mas também com alturas menos boas de publicação… A sua publicação numa revista própria iniciou-se em 1960, e terminou sem interrupções com o número 261 em 1987. A sua grelha de heróis foi mudando ao longo do tempo, uns foram acrescentados, outros substituídos. Assim heróis como Green Arrow, Black Canary, Zatanna, Hawkman, Hawkgirl, Elongated-Man, The Atom, etc. também viram os seus nomes inscritos neste grande grupo de heróis.

Houve um hiato na publicação da série, e aí apareceram vários títulos como Justice League International, Justice League Europe, ou Justice League Task Force… mas as vendas estavam baixas e a DC decidiu em 1996 fazer um “revamp” do grupo entregando o título a Fabian Nicieza e Mark Waid que reuniram os sete heróis iniciais para o arco inicial: A Midsummer's Nightmare.
Depois disto, e é aqui que eu me vou focar, surge a JLA de Grant Morrison em 1997 com uma nova série “on-going”. O desenhador de serviço foi Howard Porter, em conjunto com o colorista John Dell.
As duas primeiras histórias foram “New World Order e American Dreams.
Morrison usou uma nova abordagem ao grupo, limitando este aos seus mais emblemáticos heróis: Superman, Batman, Wonder Woman, Martian Manhunter, Green Lantern (Kyle Rainier), Aquaman e o Flash (Wally West, antigo Kid Flash). Com este grupo mais pequeno de heróis, a acção está mais focada e esta liga só trata de assuntos "maiores"... Os restantes "assuntos" ficam para as séries on-going de cada herói, de qualquer modo aquilo que se passa nas respectivas séries de cada um, pode influenciar de algum modo a Justice League of America, por exemplo o uniforme azul e novos poderes do Super-Homem... Eu nunca gostei do "tolinho" azul, mas mesmo assim prefiro-o no seu estado e uniforme normal a esse Blue Superman!
No primeiro arco de história estes heróis reúnem-se novamente para travar o Hyperclan, que aparece aos olhos do mundo como um grupo de heróis espaciais e benevolentes, que quer acabar com tudo quanto é mau na Terra, desde os desertos à fome passando pelo crime, etc. É claro que têm a sua própria agenda... !
Na segunda estória um novo Superman é apresentado, com novos poderes baseados em novas energias (o novo fato funciona como contentor aos novos poderes energéticos), e a Liga tem resolver um problema "celestial", ou seja, é apanhada no centro de uma guerra entre o "Céu" e o "Inferno", com anjos caídos à mistura...
Grant Morrison estava em grande nesta altura, as histórias fluíam bem e o público delirava!
Surgem de seguida Rock of Ages, Strenght in Numbers e um crossover com o grupo WildC.A.T.S!
A dupla Morrison/Porter continua a portar-se lindamente, embora as loucuras de Morrisson nem sempre tenham o resultado pretendido!
Na primeira estória, Rock of Ages, Grant Morrison faz uma autêntica “sopa” com ingredientes tão díspares como um “Injustice Gang” liderado por Lex Luthor, uma procura pela pela "Pedra Filosofal" a pedido de um ser cósmico (Metron) e discrepâncias temporais, tão ao gosto da editora DC. Esta estória é bem complexa, típica de Morrison, e inicia-se com um combate entre os membros da JLA e os seus contrários (hologramas de luz sólida). Não foi mais que uma pequena manobra de Luthor, que inicia aqui o seu plano de destruição da Liga. Depois disto os elementos da Liga separam-se com missões bem distintas. Todos os personagens são muito bem tratados na sua vertente psicológica, o enredo está excelente embora aquele salto no futuro seja um pouco confuso, mas para mim é onde estão as melhores vinhetas da estória. Pormenores negativos… As estórias da JLA neste ciclo são contidas mas recebem influência de linhas editoriais das séries individuais de cada herói. Assim, continuo a não perceber como é que o Superman ficou com aquele fato e obteve os seus novos poderes (embora já tivesse investigado isso), é-nos dito que a Wonder Woman está morta e Aztek cai do céu!
Apesar destes pormenores achei este “Rock of Ages” a melhor aventura da JLA que eu li até hoje.

Em seguida temos a apresentação e origem de Prometheus que vai ser o vilão de serviço no próximo arco: Strenght in Numbers.
Strenght in Numbers é uma boa estória, apesar de novamente o pormenor negativo que eu apontei no arco anterior também seja verdadeiro neste, ou seja, a Wonder Woman está a ser substituída na Liga pela sua mãe Hippolyta, e Diana ( a verdadeira e única Wonder Woman) subiu na carreira e agora é a Deusa da Verdade… nem sabemos como isto acontece, nem como ressuscitou, nem como a mãe vai parar à Liga! Bom… passando à frente, Prometheus consegue infiltrar-se no Quartel-General da Liga aproveitando um evento publicitário com muita imprensa, e tomando o lugar do pretendente a herói, Retro. Depois de entrar, Prometheus faz miséria da JLA… anula-os um a um sem apelo nem agravo! Vale à Liga a intervenção da Catwoman que se infiltrou também (como jornalista) … embora o objectivo primeiro desta fosse a sala de troféus da JLA
Esta é também uma boa estória, mas bem mais simples que a anterior!

Depois disto começam as bagunçadas normais das grandes editoras, neste caso a DC. A série estava a ter sucesso e então vamos misturar eventos, uns maiores, outros mais pequenos, ficando a linha temporal quebrada várias vezes. O evento DC One Million é aqui metido à pressão e sem necessidade nenhuma! Estragou a continuidade e não trouxe mais-valia nenhuma à editora…
Passando à frente, temos o arco Starro the Conqueror, onde Morrison foi buscar um antigo vilão do universo DC, precisamente Starro! O quartel-general da Liga da Justiça é invadido por uma poderosa personagem que é nem mais nem menos que Daniel, o novo Sandman! É o início de uma aliança para acabar com a invasão desses extraterrestres em forma de estrela. A batalha joga-se em várias frentes, desde o mundo dos sonhos ao ataque directo. Bom, Batman, como é seu hábito trabalha na sombra…
De seguida veio The Ultramarines, em que um completamente louco General Eilings constrói um grupo superpoderoso para acabar com a Liga da Justiça, acabando ele próprio por conseguir passar a sua mente para o corpo de um monstro indestrutível: Shaggy!
A última parte foi a que eu menos gostei porque cheirou a “crises” da DC, e eu estou um bocadinho farto delas… O arco chama-se “Crisis Time Five” e provoca a aliança da JLA com a Justice Society of America para conter uma ameaça inter-dimensional.
A minha opinião sobre a estrutura da JLA nesta altura… acho-a com membros a mais o que provoca uma certa dispersão do leitor.

Depois veio World War III, uma grande história, embora Morrison já se estivesse a repetir um pouco nalguns clichês. A JLA tem de defender a Terra de uma ameaça alienígena (again), The Ultimate Warbringer! Este conflito introduz muitas mais personagens, como os New Gods e a Injustice League! É um arco épico que lançaria as sementes para a Final Crisis.
Posso dizer que Howard Porter tem aqui talvez dos melhores momentos da sua carreira como desenhador.
A run de Grant Morrison na JLA aproximava-se do fim. Ainda houve tempo para um bom one-shot Earth 2, e para um JLA: Classified. Não gostei deste arco, é muito esquisito!
Grant Morrison e Howard Porter deixam a JLA na revista #41, sendo substituídos por Mark Waid e Joe Kelly.
Destes ainda acompanhei a Torre de Babel, mas fiquei-me por aí!
Penso que a run de Grant Morrison e Howard Porter foi a melhor de sempre deste super-grupo!
A partir daqui nunca mais teve o brilho e a identidade devido aos múltiplos megas crossovers e mudanças rotativas de autores. Ele foi Infinite Crisis, 52, Countdown to Final Crisis, Final Crisis… enfim, não há nada que resista a isto!

Recentemente a Justice League sofreu um reboot, assim como grande parte do Universo DC, mas não tive ainda contacto com esta nova série.

Texto: Nuno Amado.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Grant Morrison No More

Grant Morrison, o escritor de topo da DC, anunciou que vai deixar Action Comics e Batman Incorporated. No próximo ano vai deixar a DC Comics e vai juntar-se a Robertson para fazerem Happy! para a Image. O autor apenas afirma que vai deixar os super-heróis por algum tempo.