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terça-feira, 19 de julho de 2016

Review - Sakamichi no Apollon

Shinichiro Watanabe é uma das melhores figuras da indústria do anime de sempre. Apesar de conhecer ainda uma pequena porção do seu trabalho admito a sua genialidade quase única nesse meio de entretenimento em obras como Cowboy Bebop, um dos melhores animes que já vi na minha vida. Ao lado do realizador, neste Panteão dos grandes artistas do anime, encontra-se também a sua regular colaboradora Yoko Kanno, uma das compositoras mais aclamadas de bandas sonoras de animes, nomeadamente a do já mencionado Bebop.
E vendo os seus talentos, seria fácil imaginar uma série em anime que contasse com os dois com música como o tema principal. Pois em 2012, foi mesmo isso que nos foi apresentado em Sakamichi no Apollon.


O cast principal do anime.

Neste anime passado nos anos 60, seguimos Nishimi Kaoru, um jovem pianista de música clássica que acaba de se mudar para uma nova cidade, para viver em casa de uns tios. O rapaz, algo tímido e anti-social, depressa faz amizade com Kawabuchi Sentaro, um jovem algo problemático a nível de comportamento mas com um espírito bom e generoso. Sentaro é também um baterista de jazz e logo leva Kaoru a entusiasmar-se com este estilo musical. O rapaz tímido conhece ainda Mukae Ritsuko, vizinha e amiga de infância de Sentaro e também filha do dono de uma loja de discos onde os dois rapazes tocam.

Kaoru e Sentaro, numa sessão de jazz.

Ao longo dos 12 episódios que constituem a série, vamos vendo a evolução das personagens enquanto aprendem e vivem os grandes conceitos da vida como a amizade e o amor. É uma história coming-of-age, um género que eu adoro, e uma surpreendente viagem sobre música e adolescência. Eu gostei imenso da série principalmente pelo desenvolvimento do elenco principal, descobrindo os prazeres e as amarguras de crescer. A banda sonora de Yoko Kanno é muito boa mas sinto falta das grandes canções originais que marcaram trabalhos anteriores da compositora já que as músicas em que os dois rapazes e alguns outros músicos tocam são quase sempre covers de músicas jazz populares da altura. Para mim, Sakamichi no Apollon é um anime que melhora com o decorrer da história e que até tem um primeiro episódio que representa mal aquilo em que a série se vai tornar.

Há muito poucas falhas com esta história. Penso que certos episódios não estavam tão bem equilibrados, avançando meses inteiros enquanto que outros pareciam passar-se apenas numa semana.
À parte disso, só me resta dizer que este anime é excelente. Desde o enredo às personagens esta série é altamente recomendada, sobretudo se gostarem de animes com música como tema de fundo mas acho que pode ser apreciada por qualquer fã de uma comédia dramática leve. Um dos melhores animes que vi nos últimos tempos e uma das maiores recomendações que posso dar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Review - Jess e os Rapazes - Temporada 5, Episódios 4-10

Hoje trago uma análise muito diferente, numa espécie de coluna de opinião. Está relacionada com os episódios 4 a 10 da quinta temporada da série Jess e os Rapazes ou New Girl e terá spoilers muito ligeiros dos episódios mencionados e do anterior.
Não gosto muito de analisar sitcoms porque acho que nunca tenho tanto a comentar mas nestes episódios senti a necessidade de expressar a minha opinião. No episódio 3 desta temporada, Jess, a personagem principal, é colocada num local fora do apartamento onde vive sem contacto com o mundo exterior para servir de jurada. Na verdade, a atriz Zooey Deschanel não pôde gravar os episódios pois estava num estado avançado de gravidez. Com a saída desta personagem importante nos seis episódios que se seguiram, a série decidiu focar-se nas outras quatro personagens do elenco, ou seja, Nick, Schmidt, Winston e Cece.
E com isto podia pensar-se que a série ficaria sem a sua personalidade já que ficou tão popular devido à carismática Jessica Day. Mas sinceramente, adorei esses episódios. Centrou-se especialmente em Nick, que tentava alugar o quarto de Jess a hóspedes e na chegada de Reagan, interpretada por Megan Fox, que decide ocupar o quarto. O que eu gostei acerca deste arco narrativo foi a maneira como me fez perceber que a Jess já não é o elemento engraçado da série. Talvez nos primeiros episódios, em que era o elemento novo isso acontecesse e assim me habituei e segui as temporadas seguintes. Mas quando esta personagem voltou no episódio 10 até fiquei um pouco desapontado por já não ter episódios exclusivamente focados nas quatro personagens principais dos episódios anteriores. Não que eu desgoste da Jess mas tenho de admitir que apenas com as personagens coadjuvantes era possível fazer uma série extremamente engraçada.
Para mim, esta série é absolutamente espetacular e uma das melhores comédias a estrear na televisão. Foi através da personagem principal que ganhou grande parte dos seus fãs mas posso dizer que só apoiada nos colegas de quarto de Jess e em Cece é que esta série conseguiu manter a sua qualidade ao longo de tantas temporadas. Recomendo não só estes episódios mas toda as histórias destas engraçadas personagens que estrearam antes deles.

Reagan (Megan Fox), Nick (Jake Johnson), Cece (Hannah Simone), Schmidt (Max Greenfield), quatro das cinco personagens centrais destes episódios, faltando na imagem Winston (Lamorne Morris).

terça-feira, 28 de junho de 2016

Review - Witch Hunter Robin (2002)

Há uma lista ainda extensa de animes que me fascinaram quando comecei a entrar neste meio de entretenimento mesmo sem saber nada sobre os mesmos na altura. Essa lista é especialmente composta por animes populares no site Myanimelist e por séries que ocuparam lugares na lista dos 100 melhores animes da IGN, escrita pelo blogger karuhi. E um desses anime é a obra de 26 episódios de 2002 Witch Hunter Robin.
WHR centra-se numa jovem italiana nascida no Japão chamada Sena Robin que vai trabalhar com a STN-J, uma organização que tenta prender todos os witches das terras nipónicas. Aqui começa um dos problemas da série: nela existem witches que usam magia para o mal e utilizadores de craft ou hunters que usam esses poderes para caçar witches. Mas a série não esclarece estas diferenças e há pouco desenvolvimento da questão do porquê dos witches serem caçados.
A primeira parte da série é um monster-of-the-week, um tipo de séries de televisão e animes em que em cada episódio, as personagens principais lutam contra um inimigo que nada influencia o episódio seguinte. Mas devido a acontecimentos nos episódios mais avançados, a série muda de estilo e passa a ser bem mais séria e a abordar a questão que já mencionei, ao mesmo tempo que desenvolve as personagens.
A série tem bons pontos como as personagens e o estilo à film noir. Mas eu acho que não os desenvolve da maneira correta. O elenco principal de hunters é divertido e desperdiça muito potencial por não ser analisado. As situações que Robin enfrenta são bastante cliché e, se não fosse pelos episódios da segunda metade do anime, não gostaria dela tanto. Só posso admitir que a evolução psicológica de Robin é uma das melhores num anime curto como este.
Mas se a história e as personagens são subaproveitadas a banda sonora é exatamente o contrário. Quase todas as faixas são muito boas e combinam com o tema do anime. Gosto especialmente dos temas de combate e da música de abertura, Shell, da banda Bana que usa o grunge para combinar os sentimentos das personagens com as imagens de terror psicológico que são mostradas. O problema é ser um conjunto de músicas muito curto repetindo e cansando o espectador com as mesmas canções.
Portanto, gostei ou não do anime? É uma série com temas criativos mas muito mal aproveitados. Tem uma segunda metade da história muito melhor do que a primeira e penso que se os primeiros 12 ou 13 episódios tivessem sido trabalhados de maneira diferente a série teria sido bem diferente. Gostei, mas penso que uma série tão popular de um estúdio (Sunrise) que trouxe ao mundo Cowboy Bebop e Code Geass podia ter sido bem melhor. Apenas se procurarem algo diferente dentro de anime de mistério é que estes 26 episódios podem ser realmente bons.

terça-feira, 21 de junho de 2016

As Minhas Leituras - Poderosos Heróis Marvel Vol. 7 - X-Men: Caixa Fantasma

Voltando a uma coleção que já li há algum tempo, Poderosos Heróis Marvel, da Levoir, trago X-Men: Caixa Fantasma.
Primeiramente, tenho de dizer que adoro os X-Men e este livro demonstra mais uma vez esse meu gosto por esta super-equipa. Os elementos no momento desta história eram Wolerine, Ciclope, Fera, Armadura, Emma Frost e Tempestade, personagens bem diferentes umas das outras. A história é muito normal com as caixas fantasma a aparecer por todo o mundo e a indicar uma possível invasão alienígena. Mas tudo isto é uma espécie de segundo plano.
O que realmente destaco neste livro são as relações entre as personagens e o diálogo entre elas. Tudo parece saído de uma série de televisão ou de um filme me vez de uma banda desenhada com pequenas piadas e referências à atualidade. Warren Ellis é um dos melhores argumentistas das últimas décadas e cimenta aqui uma das suas melhores histórias na Marvel dando densidade às personagens que apenas o seu antecessor em Astonishing X-Men (a revista que originalmente publicou esta saga), Joss Whedon, seria capaz de dar. 
E claro, não podia deixar de mencionar a arte deste volume. Simone Bianchi, um artista que assinou histórias de Wolverine ou Thor faz um trabalho verdadeiramente brilhante nesta aventura. Usa um desenho muito livre, não se conformando com as vinhetas das pranchas e usa um estilo muito realista para representar as personagens. As feições têm uma aparência assustadoramente humana, o que combina com o diálogo e as falas que podiam ser ditas por qualquer grupo de seis pessoas, fossem ou não X-Men.
Concluindo, eu adorei o livro. Para mim, o que deve receber maior destaque é mesmo a dupla que assina a história, já que trabalharam de maneira magistral todas as situações. As personagens têm profundidade, os desenhos podiam ser obras de arte e a história, do início ao fim é algo verdadeiramente único que não consigo ver nas mãos de quaisquer outros criadores artísiticos. Tenho pena que a dupla só tenha feito esta saga dos X-Men porque acho que o seu estilo é apropriado ao das personagens e acho que entram para a galeria dos maiores nomes da banda desenhada americana a trabalhar com o universo mutante, ao lado de Chris Claremont e John Byrne e Joss Whedon e John Cassaday. História completamente recomendada, sejam ou não fãs desta gloriosa equipa de super-heróis.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #8 - Quase Famosos (2000)

O género coming-of-age sempre me atraiu imenso. Este tipo de filmes baseia-se na passagem de uma personagem da adolescência para a idade adulta e abrange obras muito diferenciadas, sendo por isso muito apelativo.
E de entre histórias como Juno ou Conta Comigo, há uma que é um verdadeiro clássico: Quase Famosos. Este filme de Cameron Crowe, lançado em 2000, conta-nos a história de William Miller, um jovem crítico de música que é contratado pela revista Rolling Stone para seguir a banda fictícia Stillwater. Ao longo da viagem, conhece os membros da banda e aprofunda a relação com uma fã da banda, Penny Lane. Enquanto tenta entrevistar a banda (que leva toda a digressão como uma festa sem perceber que William está a fazer o seu trabalho) tem de lidar com várias Band Aids, uma espécie de groupies e com as atitudes dos músicos. Além disso, a sua mãe extremamente preocupada liga-lhe continuamente para fazer com que este não se deixe levar pelo mundo de drogas e do rock n' roll.
O filme é espetacular. A história é interessante e deixa uma mensagem de trabalho pessoal incentiva. Os constantes esforços de William para lidar com a banda e com a sua paixão por Penny Lane tornam esta história coming-of-age muito maior do que parece.
Mas sinceramente o que para mim faz deste um filme tão bom é a realização de Cameron Crowe. Há diversas cenas em que este demonstra toda a sua mestria utilizando diferentes ângulos e transmitindo sentimentos e pensamentos das personagens através do movimento. Destaco principalmente a cena do autocarro em que o elenco canta a música Tiny Dancer, interpretada por Elton John, num dos momentos mais épicos dos filmes de adolescência e a parte em que Penny dança num palco sem nenhum espectador. Para mim, essas duas cenas dizem mais sobre as personagens do que longas cenas de diálogo em muitos filmes.


E outro aspeto que aumentou o meu gosto pelo filme foi sem dúvida o elenco. Para mim, Billy Crudup tem um dos seus melhores desempenhos. Eu já gostava dele em O Grande Peixe, um dos meus filmes preferidos de sempre e fiquei muito surpreendido quando descobri que não tinha sido nomeado para um Oscar por este papel. Também Patrick Fugit tem uma interpretação espetacular como a personagem principal, para além das duas nomeadas para Melhor Atriz Secundária, nos Prémios da Academia, Frances McDormand e Kate Hudson nos papéis de mãe de William e de Penny Lane, respetivamente.
Por fim, posso dizer que este é um excelente filme dentro do seu género, criando uma nova geração de drama musical numa das melhores obras cinematográficas da década passada. Altamente recomendado.

domingo, 19 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #7 - Blood: The Last Vampire (2000)

No seguimento do anime que trouxe ontem, Psycho-Pass, hoje apresento um filme do mesmo estúdio, Production I.G, o lendário Blood: The Last Vampire.
Este anime de 2000, realizado por Hiroyuki Kitakubo, o mesmo realizador de Golden Boy, traz-nos Saya, uma vampira que se infiltra numa base militar americana em solo japonês com o propósito de caçar demónios que aterrorizam o local. O filme tem apenas 48 minutos de duração, portanto não deixa muito tempo para o desenvolvimento das personagens. Conhecemos apenas Saya, dois americanos que ajudam Saya a integrar-se e a enfermeira da escola secundária localizada na base militar. Em todo o tempo de filme, o aspeto mais focado é a ação. Saya, apesar de parecer ter apenas uns 18 anos, é uma excelente espadachim, usando a tradicional espada japonesa, a katana.
Aquilo de que mais gostei no filme foi o facto de trazer duas línguas para narrar os acontecimentos. Em certas partes, Saya fala japonês mas toda a gente da base militar fala inglês, tendo sido dobrados por atores de voz americanos. Também tenho de falar na excelente animação. O filme saiu em 2000 e como mencionei na análise a Psycho-Pass, a Production I.G faz sempre um espetacular trabalho na animação. E um filme tão baseado nas cenas de combate, uma animação que varia entre o 2D e o 3D é a técnica apropriada a um concerto de golpes e ataques frenéticos. 
Agora, se recomendo o anime? Apenas se forem fãs do género. Se gostarem de histórias de ação e com elementos sobrenaturais este é um filme obrigatório. Também aconselho a quem queira uma experiência rápida, já que tem uma curta duração. Mas não é um anime obrigatório a qualquer fã do meio. É um vencedor de um prémio Kobe, um dos prémios de anime mais importantes no Japão e também acho que não deve ser esquecido. Mas é um vencedor ao lado de filmes como A Princesa Mononoke e Summer Wars que, a meu ver, são bem superiores. Mesmo assim, se para isso se sentirem inclinados, este é um filme interessante. Especialmente se tiverem lido O Japão é Um Lugar Estranho de Peter Carey, no qual se referencia este filme nalgumas ocasiões.

sábado, 18 de junho de 2016

Review - Psycho-Pass

Já Anthony Burgess, no seu livro "A Laranja Mecânica" perguntava se não seria melhor um homem ter escolhido ser mau ao invés de ser bom por obrigação. E o anime que hoje apresento, Psycho-Pass, tem por base esse mesmo problema.
Esta série foi criada em 2012 pelo estúdio já famoso por séries de ficção científica como Ghost in the Shell: Stand Alone Complex e Guilty Crown, Production I.G. A sua premissa é demonstrar uma sociedade utópica em que tudo é controlado pelo Sistema Sibyl incluindo os cérebros de toda a população através dos Psycho-Pass. Existe até um número denominado Coeficiente Criminal que determina se a pessoa em causa pode vir a cometer um crime. Mas a série segue a Divisão 1 do Departamento de Polícia do Ministério do Bem-Estar, um grupo de inspetores e justiceiros que trabalham em conjunto para eliminar os criminosos. O que distingue os dois? Os inspetores são polícias contratados enquanto que os justiceiros são pessoas com Coeficiente Criminal algo elevado sendo usados pela polícia e chamados criminosos latentes.
As personagens da série também são um ponto importante. A personagem principal é Akane Tsunemori, uma jovem investigadora que está a começar a sua carreira policial. Uma personagem de quase igual importância é Shinya Kogami, um criminoso latente com uma estranha obsessão com um assassino em série de há três anos atrás. Outros elementos da Divisão 1 incluem Ginoza, outro inspetor encarregado de liderar a equipa; Yayoi, uma artista considerada perigosa na sociedade e agora justiceira; Masaoka, o justiceiro mais velho da equipa; Kagari, um criminoso latente desde os cinco anos, sem oportunidade para sair dessa vida e ainda Shion Karanomori, a analisadora de investigações e também criminosa latente.
Em termos de animação, a série é espetacular. As cores e os movimentos das personagens estão muito bem utilizados e parece-me que está ao nível dos animes que se fazem hoje, três anos depois do fim da série. A banda sonora é também boa, sem nenhuma música que realmente distinga muito a série. Mesmo nas aberturas, apenas a segunda é algo memorável.
Mas o meu maior problema com Psycho-Pass é o facto de parecer um começo. As personagens não são muito desenvolvidas, à exceção dos dois inspetores e de Kogami, e o final da série não é exatamente um grande clímax. A série é boa pela viagem, por toda a investigação e por todos os momentos tensos que a série sabe muito bem caracterizar. Depois da série, já tivemos uma segunda temporada de 11 episódios com algumas personagens diferentes e um filme e sinceramente isso aumenta a avaliação deste anime. Todos os episódios parecem um prólogo a algo maior que merece bem mais temporadas. Mas à parte disso, a série é simplesmente incrível. Tem personagens boas (que deveriam ter sido melhor exploradas), um vilão absolutamente excelente, várias referências a Blade Runner, a 1984 e a outras obras de ficção científica e só posso recomendar este simplesmente maravilhoso anime.