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terça-feira, 22 de agosto de 2017

As Minhas Leituras - Valérian - O Império dos Mil Planetas / O País Sem Estrela

Com várias semanas de atraso, trago hoje a crítica ao segundo álbum duplo de Valérian, da atual coleção da ASA, que inclui O Império dos Mil Planetas e O País Sem Estrela
A primeira história, que serve de principal inspiração para o filme da personagem que estreou no mês passado, é considerada a primeira aventura de Valérian no estilo que tanto marcou esta banda desenhada. Já inclui o traço clássico da personagem e no argumento há já uma história mais complexa, com um vilão diferente do típico rival que caracteriza o primeiro álbum e há até um estudo de toda uma sociedade. Sinceramente gostei bastante deste verdadeiro começo mas penso que o desfecho é muito repentino e que há, assim como na história anterior, demasiadas cenas curtas. Essas cenas levam a que pareça uma aventura mais rápida, sem desenvolvimento das personagens nem do mundo que é tão rico. No final, penso que foi dado muito pouco impacto aos acontecimentos e que não houve uma conclusão digna da história. No entanto, é uma grande aventura, com desenhos muito bonitos, incluindo numas duas ou três pranchas de uma vinheta só, em que se destaca o desenho de Méziéres. Considero ainda que os diálogos são extraordinários e que se deu um aprofundamento das personagens principais que as tornou muito mais humanas.
A segunda história tem também o desenvolvimento de um mundo estranho mas de forma muito melhor pensada e executada. Acho que até agora foi a melhor história. A arte continua a ser maravilhosa e é a primeira vez que se abordam os papéis de género e a luta contra a dominância destes, um aspeto que se torna numa das maiores marcas desta saga em relação a outras bandas desenhadas. É ainda a aventura em que Laureline mais se destaca e em que é vista como igual face a Valérian.
Concluindo, este segundo tomo da coleção da ASA, em parceria com o jornal Público, é mais uma grande coletânea de uma das maiores séries da banda desenhada mundial e aconselho vivamente a todos os fãs da nona arte. Se não gostaram ou acharam que o primeiro volume da coleção não era tão bom assim, recomendo que tentem mais uma vez com este pois é o primeiro feito no estilo que define esta saga espacial tão bem. Uma leitura obrigatória!

domingo, 6 de agosto de 2017

As Minhas Leituras - Valérian - Sonhos Maus / A Cidade das Águas Movediças

Mais uma vez, peço imensa desculpa por já cá não publicar há muito e talvez vá mesmo fazer um post daqui a uns dias com algumas reflexões em relação ao rumo que o blog vai tomar e outros assuntos do género. Mas hoje, decidi trazer mais uma análise a uma grande obra publicada agora em português, o início de Valérian.
Quando há umas semanas, a ASA anunciou a coleção dedicada inteiramente a uma das maiores bandas desenhadas de ficção científica, em conjunto com o Público, mal pude verdadeiramente conter o meu entusiasmo. Já li algumas histórias de Valérian e Laureline, uma delas até teve um post aqui no blog no ano distante de 2012 mas nunca tive oportunidade de colecionar todos os tomos. Mas felizmente, a ASA possibilitou-me isso e comprei o primeiro volume no dia de lançamento.
O álbum inclui duas histórias como 11 dos 12 livros que integram esta coleção: a primeira, Sonhos Maus, uma abordagem inicial à personagem Valérian, e uma segunda, A Cidade Das Águas Movediças, com um traço e um estilo muito diferentes.
Sonhos Maus é a típica história piloto de banda desenhada franco-belga, muito experimental e sem tomar riscos. O argumento é simples e somos apresentados à nossa personagem (assim como a Laureline, apesar desta ter um papel secundário nesta aventura), ainda desenhado com um estilo mais direcionado ao público juvenil, muito próximo ainda do cartoon. A história é mais curta e sem grande inovação mas consegue ser uma introdução deveras interessante.
A segunda história tem um desenho menos cartoon mas ainda distante do padrão das histórias seguintes da dupla Valérian e Laureline e esta última surge já com maior destaque (mas, por ser uma história dos anos 60, ainda algo obscurecida pelo herói masculino). Há um grande foco no texto e há uma aventura mais complexa, se bem que ainda presa aos padrões esperados das bandas desenhadas juvenis franco-belgas, ou seja, com desfechos simples e pouco aprofundamento das personagens.
Na minha opinião, estas duas histórias são espetaculares. Por ter lido poucas histórias desta dupla, sempre pensei que seria algo complexo, uma ficção científica muito mais intelectual e era isso que esperava logo desde o começo desta coleção; no entanto, apesar do início ser bem diferente daquilo que esperava, a aventura e o ambiente cativaram-me imenso. Não houve vinheta em que ficasse desinteressado ou desmotivado. Ao início, era algo diferente daquilo que mais esperava mas não posso dizer que fiquei desapontado com o primeiro tomo. Na verdade, agora que já estou a ler o segundo álbum, faço automaticamente paralelos com estas primeiras histórias que se distinguem por um estilo mais leve e divertido.
Recomendo então este primeiro álbum, e toda a coleção, penso, mesmo que não sejam apreciadores da banda desenhada europeia. É uma das maiores obras da ficção científica, e algo que não pode ser recriado. Só tenho de ler o resto das aventuras de Valérian.