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domingo, 13 de agosto de 2017

Cinema: A Beleza Poética de Paterson

Uma das artes que mais me entusiasma é sem dúvida o cinema. E ao longo dos últimos meses, cada vez mais gosto de cinema artístico, independente e sem ser dominado pelo entretenimento e receitas. Não é que desgoste de filmes blockbusters ou filmes mais apelativos ao grande público, apenas prefiro o cinema de autor. E é um desses filmes que decido trazer hoje ao blog, o filme do ano passado que só chegou este ano a grande parte do mundo (no seu lançamento em 2016, só teve projeções em festivais) Paterson.
O filme apresenta-nos a melancólica cidade de Paterson, Nova Jersey, uma cidade industrial onde habita o nosso protagonista, um condutor de autocarros, casado, que reside numa casa mais próxima dos subúrbios da cidade. Ao longo dos seus 118 minutos, a obra acompanha a rotina do motorista, também ele chamado Paterson e interpretado pelo ator Adam Driver, durante uma semana normal nessa cidade. Vemos a sua hora de acordar, sempre por volta das 6 horas e 15 minutos, o seu beijo de bom dia à sua mulher (Golshifteh Farahani), o seu pequeno almoço de cereais e a sua caminhada até à estação, assim como o seu percurso sempre com passageiros diferentes no autocarro 23 e o seu regresso a casa, endireitando a caixa de correio, para além do passeio noturno com o seu cão. O que pode parecer monótono, acaba por se tornar algo maravilhoso: esta rotina está cheio de momentos que enriquecem esta cidade e que acabam por aligeirar o filme ao haver leves momentos de humor entre as conversas dos passageiros do autocarro ou enquanto Paterson bebe a sua cerveja num bar próximo.

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Para além disso, e este é o principal ponto do filme, a personagem de Driver vai escrevendo poesia num pequeno caderno que anda sempre com ele e os versos são inspirados por objetos do seu quotidiano, coisas tão simples como uma caixa de fósforos. Este estilo é muito semelhante ao do poeta William Carlos Williams, um poeta americano conhecido por, entre muitas outras obras, um poema denominado Paterson. Há muitas menções a este poeta durante o filme já que é uma inspiração para o nosso protagonista.
A meu ver, este é um dos melhores filmes dos últimos tempos: há uma leveza que nos é apresentada pelo estilo algo deprimente mas com uma personagem extremamente calma como esta, que não se deixa abalar pelas outras situações que o envolvem. Toda a equipa do filme se esforçou para criar um ambiente interessante que nos dá a sensação de que visitámos mesmo Nova Jersey por uma semana. É gravado com técnicas interessantes de realização, especialmente nas cenas de poesia e há planos que ficam gravados na mente do espectador. Se tivesse algum problema seria o estilo dos poemas que não me agradou tanto quanto pensava que me iria agradar mas eu não sou nenhuma autoridade em poesia e é algo simplesmente subjetivo. Ao fim do dia (ou da semana), este é um dos melhores filmes que vi e uma obra que hei-de rever vezes sem conta. Ainda está em certas salas e recomendo que o vejam.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Review - Rogue One: Uma História de Star Wars

Em primeiro lugar tenho de pedir desculpa por não ter escrito no blog regularmente nos últimos meses. Deve-se ao facto de não ter muito tempo para o fazer já que tenho muito trabalho da escola para me ocupar os dias e, por muito que eu queira mudar isso, parece que vai continuar durante mais algum tempo essa indisponibilidade.
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Numa nota mais positiva, venho hoje analisar Rogue One: Uma História de Star Wars, o mais recente filme da saga a chegar aos cinemas. Rogue One, ao contrário dos filmes mais conhecidos da saga, é um spin-off, ou seja, trabalha com novas personagens e não tem uma verdadeira relação com os outros filmes. Na verdade, é um filme totalmente diferente. Não há Luke ou mesmo Obi-Wan, não há um jedi como ponto central do filme, não há batalhas de sabres de luz e não há sequer música de John Williams, o conhecido compositor de todos os filmes da saga até ao momento, responsável por temas que todos conhecemos e adoramos.
E o realizador, Gareth Edwards, tentou fazer isso mesmo: ser diferente de tudo. Depois do indie Monstros e do reboot de Godzilla, Edwards aventura-se numa das maiores sagas do cinema. Traz-nos então a história de Jyn Erso, a filha de um cientista imperial que está a construir a Estrela da Morte, a ameaça de Uma Nova Esperança, o primeiro filme de Star Wars. Jyn Erso é levada por Cassian Andor à base da rebelião em Yavin 4 onde lhe dizem que é necessário encontrar o seu pai, para que a Estrela da Morte não pode ser construída.
Rogue One é um filme em que a história não é muito importante. A partir do momento em que temos a sua premissa, só é necessário desenvolvê-la já que o fim é conhecido de todos os que viram Uma Nova Esperança. Devia então basear-se nas personagens mas é aí que está o maior problema do filme. Para além de Jyn, bastante bem interpretada por Felicity Jones, especialmente nos momentos mais dramáticos, as personagens são muito uni-dimensionais. Cassian é desenvolvida, sim, mas sinto que não foi bem interpretado pelo ator. Parece ter um ar muito inexpressivo face às situações que enfrenta. Já o seu companheiro K-2SO, interpretado por Alan Tudyk, é um droid engraçado e que é realmente prestável em situações de combate. Tem um humor parecido ao de C-3PO mas eu achei-o mais engraçado do que o clássico droid de protocolo. Baze Malbus e Chirrut Imwe são personagens bastante carismáticas mas não são muito desenvolvidas. Algo me diz que os dois ainda vão ter uma série de bandas desenhadas da Marvel para aprofundar a sua relação. E por último temos Bodhi Rook, um piloto imperial que decide desertar. Eu acho que é uma personagem muito bem trabalhada mas que merecia mais tempo de ecrã.
E tenho de falar sobre Tarkin em CGI, uma decisão de reviver a personagem de Peter Cushing para uma aparição no filme. Sinceramente, preferia que tivessem escolhido um novo ator. Fizeram-no para Mon Mothma, que tem um papel muito pequeno mas não o fizeram para Tarkin, um dos vilões principais do filme. O trabalho em CGI está bastante bom, mas não acho que seja melhor face à escolha de um novo ator.
Considero ainda que há uma discrepância algo grande em termos do ritmo do filme: a primeira parte concentra-se num arco menos interessante, enquanto que a segunda é fantástica, tendo uma das melhores batalhas da saga de sempre. Mas no fim do filme, saí feliz e concordei com muitas críticas que consideram este um filme muito bom. As personagens não têm o desenvolvimento devido e a primeira parte tem uma certa falta de cenas emocionantes mas as referências ao Universo Expandido são perfeitas (exceto a participação de Saw Guerrera, nada parecido com a personagem de Clone Wars), a batalha final é muito boa e todas as grandes façanhas digitais são impressionantes. Incomodei-me ligeiramente com a banda sonora por ter elementos da música dos filmes clássicos mudados o suficiente para ser considerado original mas não para parecer original ao ouvido dos espectadores. E como um todo, o filme é mesmo muito bom e é sobretudo uma carta de amor aos fãs da série: cada personagem já existente, cada referência ao Universo Expandido, cada arma e nave e mesmo o estilo das personagens que parecesse fiel ao filme de 1977 serviram para demonstrar o trabalho que foi posto neste trabalho. Recomendo-o então, mas não façam dele o primeiro filme a verem desta maravilhosa saga. Vejam todos os outros e no fim comprem um bilhete para esta história emocionante.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Review - The Melancholy of Haruhi Suzumiya

Como falar de Haruhi Suzumiya? Quando em 2006 esta série de anime da Kyoto Animation invadiu os ecrãs das televisões de milhares de espectadores aconteceu algo estranho, um fenómeno quase sobrenatural. Não que tivesse a ver com aliens, viajantes no tempo ou espers, nada disso. O que verdadeiramente aconteceu foi a chegada de uma adaptação de uma série de light novels que se tornou numa das séries que melhor caracterizam o anime da década passada.
Em The Melancholy of Haruhi Suzumiya somos atirados para uma escola privada no Japão onde acompanhamos Kyon, o nosso (ou um dos nossos) protagonistas. Kyon é um rapaz normal, cheio de sarcasmo e que há muito deixou as histórias de ficção científica, apesar de não parecer contente com essa decisão. No início de um novo ano escolar, a rapariga que se senta atrás dele, uma miúda bonita e desconhecida faz uma declaração sobre o seu interesse exclusivo em criaturas fantásticas.
As cinco personagens centrais: Kyon, Haruhi, Koizumi, Mikuru e Nagato (no sentido dos ponteiros do relógio a começar no canto superior esquerdo).
Kyon, intrigado, começa a desenvolver algum diálogo com esta rapariga, a nossa segunda protagonista, Haruhi Suzumiya. Esta, apesar do seu discurso de apresentação, decide continuar a sua amizade com Kyon, mesmo este sendo um humano normal. Haruhi, ao fim de algum tempo, toma a iniciativa de formar um clube de investigação de anomalias no mundo em que vive. Para isso, obriga Kyon e três outros alunos a juntarem-se: Nagato Yuki, uma alien que passa o tempo a ler na sala do clube; Mikuru Asahina, uma viajante no tempo e Koizumi Itsuki, um esper. No entanto, Haruhi não sabe do lado sobrenatural destes seus colegas de clube. Na verdade, como se explica nos primeiros episódios da ordem cronológica, estes três detentores de habilidades especiais juntam-se ao clube para investigar Haruhi que, segundo os três, tem habilidades de decidir o destino do mundo, mesmo que inconscientemente.
Haruhi e Kyon
Está então estabelecida a premissa da série: Kyon e os seus três novos amigos têm de impedir que Haruhi se zangue e se aborreça ou isso pode trazer consequências terríveis para todo o mundo. E pode parecer algo demasiado estranho mas o anime fá-lo de forma espetacular. Todo o elemento do anormal torna o anime algo único. Seja a personalidade extrovertida de Haruhi, sejam os segredos que Kyon e os restantes membros têm de guardar de Haruhi.
A capa do primeiro volume de light novels que deu origem à série.
As duas temporadas são excelentes. Adoro o humor e o estilo leve que esta série tem ao mesmo tempo que nos oferece pequenas situações de ficção científica. As personagens são um elemento muito bom da série, especialmente Kyon e Haruhi. Mas também Mikuru com o seu medo do estilo obsessivo de Haruhi, Yuki com a sua tendência para não compreender as atitudes dos humanos e em particular Koizumi que tem uma relação com Kyon com muitas piadas que tornam os momentos mais sérios (os poucos que há) mais cómicos.
E depois de 28 episódios de comédia, ficção científica, romance e mistério, chegamos ao brilhante The Disappearance of Haruhi Suzumiya, um filme que nos conta uma história bem mais dramática e bem mais focada em Kyon. É muitas vezes considerado um dos melhores filmes de anime de sempre, assim como uma das melhores histórias destas personagens. Eu gosto imenso e talvez um dia escreva uma análise mais detalhada sobre esta verdadeira obra-prima.
As cinco personagens (Koizumi, Nagato, Kyon, Haruhi, Mikuru (da esquerda para a direita)) nos uniformes que usam em The Disappearance of Haruhi Suzumiya.
Portanto, gostei ou não desta franquia de anime? Gostei bastante. A primeira série tem arcos excelentes e é facilmente um anime que eu não me importaria de rever várias vezes (como já o fiz uma vez, encadeando-a com a segunda). A segunda tem um episódio verdadeiramente fantástico e dois arcos que não atingem os patamares da primeira série mas continua a ser um anime muito bom. E por último temos o filme que é facilmente um dos meus favoritos de anime de sempre. Escusado será dizer que eu adoro esta série e que tenho muita pena que ainda não tenhamos visto uma terceira temporada. Tenho ainda de referir as diferentes formas de ver a série. Há várias ordens de assistir os episódios já que estes foram lançados fora de ordem. Eu pessoalmente vi pela ordem cronológica que facilmente encontram na internet e gostei bastante. Quando voltar a ver, se calhar vou tentar pela ordem de lançamento dos episódios visto que muita gente aconselha. Mas só poderei dizer qual prefiro. Espero então que tenham gostado desta análise e aconselho toda esta franquia brilhante. Podem notar que o tipo de letra está diferente e será assim em todos os posts partilhados com o novo blog que criei. Exato, criei um novo blog, O Rapaz Que Gosta de Comics, desta vez no wordpress e esta análise foi publicada nos dois blogues, podendo ser lida em qualquer um deles. As únicas diferenças entre os dois posts são estas frases finais em que apresento o blog novo. Convido-vos a visitarem ao clicarem aqui. Espero que gostem.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Review - Saekano

Há vários animes considerados genéricos que acabam por surpreender completamente o espectador apenas por fazerem algo ligeiramente diferente, por vezes nem conseguindo ter a sua qualidade logicamente explicada. Saenai Heroine no Soatekata ou Saekano: How to Raise a Boring Girlfriend ou ainda apenas Saekano é um exemplo desse tipo de séries bem recente e que vou analisar hoje.
Tomoya Aki, um blogger otaku fã de light novels, anime e visual novels, encontra certo dia uma rapariga no seu caminho para casa. Essa pessoa, Megumi Kato, é uma colega de escola de Tomoya na qual este nunca tinha reparado até esse momento em que decide fazer dela a heroína ou personagem principal de um dating sim (Tipo de visual novel em que o objetivo é namorar com personagens da história)  produzido por ele. Para isso, Tomoya decide juntar-se a Eriri Spencer Sawamura, uma amiga de infância dele que trabalha como autora amadora de manga e a Utaha Kasumigaoka, uma colega sua famosa por ser uma popular autora de light novels, convidando mais tarde a sua prima para fazer a banda sonora do jogo. Ao longo destes 12 episódios (13, se contarmos o episódio especial 0 que se passa cronologicamente depois da série) vemos o processo de criar uma obra destas e as relações entre os membros pertencentes a esta produção, ultrapassando rivalidades, brigas antigas e a criação da heroína inspirada em Megumi Kato que é considerada um pouco aborrecida por Tomoya para uma personagem de um dating sim.

Utaha Kasumiagaoka, Megumi Kato e Eriri Spencer Sawamura (da esquerda para a direita).

Eu gostei imenso desta série. É divertida, tem boas piadas e situações cómicas, as personagens são bastante hilariantes mas não consegui sentir-me totalmente satisfeito no fim da série. Infelizmente o que temos de Saekano é apenas uma primeira temporada. Já foi anunciada uma sequela para abril de 2017 e penso que é aí que vamos ver todo o potencial da série. Ainda não vimos o fim da criação do dating sim e estamos longe de ver todas as aventuras possíveis destas personagens.
Mas, tirando o facto de ainda não podermos ver a sua história finalizada, Saekano é um anime excelente. Devo ainda referir a grande qualidade de animação e o facto de incluir imagens muito detalhadas e realistas de figuras e posters que Tomoya tem no quarto de outros animes produzidos pelo mesmo estúdio, o A-1 Pictures como Sword Art Online e OreImo.
Deixo assim esta recomendação deste espetacular anime que podem encontrar para streaming gratuito na crunchyroll, disponível em português.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Review - Sakamichi no Apollon

Shinichiro Watanabe é uma das melhores figuras da indústria do anime de sempre. Apesar de conhecer ainda uma pequena porção do seu trabalho admito a sua genialidade quase única nesse meio de entretenimento em obras como Cowboy Bebop, um dos melhores animes que já vi na minha vida. Ao lado do realizador, neste Panteão dos grandes artistas do anime, encontra-se também a sua regular colaboradora Yoko Kanno, uma das compositoras mais aclamadas de bandas sonoras de animes, nomeadamente a do já mencionado Bebop.
E vendo os seus talentos, seria fácil imaginar uma série em anime que contasse com os dois com música como o tema principal. Pois em 2012, foi mesmo isso que nos foi apresentado em Sakamichi no Apollon.


O cast principal do anime.

Neste anime passado nos anos 60, seguimos Nishimi Kaoru, um jovem pianista de música clássica que acaba de se mudar para uma nova cidade, para viver em casa de uns tios. O rapaz, algo tímido e anti-social, depressa faz amizade com Kawabuchi Sentaro, um jovem algo problemático a nível de comportamento mas com um espírito bom e generoso. Sentaro é também um baterista de jazz e logo leva Kaoru a entusiasmar-se com este estilo musical. O rapaz tímido conhece ainda Mukae Ritsuko, vizinha e amiga de infância de Sentaro e também filha do dono de uma loja de discos onde os dois rapazes tocam.

Kaoru e Sentaro, numa sessão de jazz.

Ao longo dos 12 episódios que constituem a série, vamos vendo a evolução das personagens enquanto aprendem e vivem os grandes conceitos da vida como a amizade e o amor. É uma história coming-of-age, um género que eu adoro, e uma surpreendente viagem sobre música e adolescência. Eu gostei imenso da série principalmente pelo desenvolvimento do elenco principal, descobrindo os prazeres e as amarguras de crescer. A banda sonora de Yoko Kanno é muito boa mas sinto falta das grandes canções originais que marcaram trabalhos anteriores da compositora já que as músicas em que os dois rapazes e alguns outros músicos tocam são quase sempre covers de músicas jazz populares da altura. Para mim, Sakamichi no Apollon é um anime que melhora com o decorrer da história e que até tem um primeiro episódio que representa mal aquilo em que a série se vai tornar.

Há muito poucas falhas com esta história. Penso que certos episódios não estavam tão bem equilibrados, avançando meses inteiros enquanto que outros pareciam passar-se apenas numa semana.
À parte disso, só me resta dizer que este anime é excelente. Desde o enredo às personagens esta série é altamente recomendada, sobretudo se gostarem de animes com música como tema de fundo mas acho que pode ser apreciada por qualquer fã de uma comédia dramática leve. Um dos melhores animes que vi nos últimos tempos e uma das maiores recomendações que posso dar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Review - Jess e os Rapazes - Temporada 5, Episódios 4-10

Hoje trago uma análise muito diferente, numa espécie de coluna de opinião. Está relacionada com os episódios 4 a 10 da quinta temporada da série Jess e os Rapazes ou New Girl e terá spoilers muito ligeiros dos episódios mencionados e do anterior.
Não gosto muito de analisar sitcoms porque acho que nunca tenho tanto a comentar mas nestes episódios senti a necessidade de expressar a minha opinião. No episódio 3 desta temporada, Jess, a personagem principal, é colocada num local fora do apartamento onde vive sem contacto com o mundo exterior para servir de jurada. Na verdade, a atriz Zooey Deschanel não pôde gravar os episódios pois estava num estado avançado de gravidez. Com a saída desta personagem importante nos seis episódios que se seguiram, a série decidiu focar-se nas outras quatro personagens do elenco, ou seja, Nick, Schmidt, Winston e Cece.
E com isto podia pensar-se que a série ficaria sem a sua personalidade já que ficou tão popular devido à carismática Jessica Day. Mas sinceramente, adorei esses episódios. Centrou-se especialmente em Nick, que tentava alugar o quarto de Jess a hóspedes e na chegada de Reagan, interpretada por Megan Fox, que decide ocupar o quarto. O que eu gostei acerca deste arco narrativo foi a maneira como me fez perceber que a Jess já não é o elemento engraçado da série. Talvez nos primeiros episódios, em que era o elemento novo isso acontecesse e assim me habituei e segui as temporadas seguintes. Mas quando esta personagem voltou no episódio 10 até fiquei um pouco desapontado por já não ter episódios exclusivamente focados nas quatro personagens principais dos episódios anteriores. Não que eu desgoste da Jess mas tenho de admitir que apenas com as personagens coadjuvantes era possível fazer uma série extremamente engraçada.
Para mim, esta série é absolutamente espetacular e uma das melhores comédias a estrear na televisão. Foi através da personagem principal que ganhou grande parte dos seus fãs mas posso dizer que só apoiada nos colegas de quarto de Jess e em Cece é que esta série conseguiu manter a sua qualidade ao longo de tantas temporadas. Recomendo não só estes episódios mas toda as histórias destas engraçadas personagens que estrearam antes deles.

Reagan (Megan Fox), Nick (Jake Johnson), Cece (Hannah Simone), Schmidt (Max Greenfield), quatro das cinco personagens centrais destes episódios, faltando na imagem Winston (Lamorne Morris).

terça-feira, 28 de junho de 2016

Review - Witch Hunter Robin (2002)

Há uma lista ainda extensa de animes que me fascinaram quando comecei a entrar neste meio de entretenimento mesmo sem saber nada sobre os mesmos na altura. Essa lista é especialmente composta por animes populares no site Myanimelist e por séries que ocuparam lugares na lista dos 100 melhores animes da IGN, escrita pelo blogger karuhi. E um desses anime é a obra de 26 episódios de 2002 Witch Hunter Robin.
WHR centra-se numa jovem italiana nascida no Japão chamada Sena Robin que vai trabalhar com a STN-J, uma organização que tenta prender todos os witches das terras nipónicas. Aqui começa um dos problemas da série: nela existem witches que usam magia para o mal e utilizadores de craft ou hunters que usam esses poderes para caçar witches. Mas a série não esclarece estas diferenças e há pouco desenvolvimento da questão do porquê dos witches serem caçados.
A primeira parte da série é um monster-of-the-week, um tipo de séries de televisão e animes em que em cada episódio, as personagens principais lutam contra um inimigo que nada influencia o episódio seguinte. Mas devido a acontecimentos nos episódios mais avançados, a série muda de estilo e passa a ser bem mais séria e a abordar a questão que já mencionei, ao mesmo tempo que desenvolve as personagens.
A série tem bons pontos como as personagens e o estilo à film noir. Mas eu acho que não os desenvolve da maneira correta. O elenco principal de hunters é divertido e desperdiça muito potencial por não ser analisado. As situações que Robin enfrenta são bastante cliché e, se não fosse pelos episódios da segunda metade do anime, não gostaria dela tanto. Só posso admitir que a evolução psicológica de Robin é uma das melhores num anime curto como este.
Mas se a história e as personagens são subaproveitadas a banda sonora é exatamente o contrário. Quase todas as faixas são muito boas e combinam com o tema do anime. Gosto especialmente dos temas de combate e da música de abertura, Shell, da banda Bana que usa o grunge para combinar os sentimentos das personagens com as imagens de terror psicológico que são mostradas. O problema é ser um conjunto de músicas muito curto repetindo e cansando o espectador com as mesmas canções.
Portanto, gostei ou não do anime? É uma série com temas criativos mas muito mal aproveitados. Tem uma segunda metade da história muito melhor do que a primeira e penso que se os primeiros 12 ou 13 episódios tivessem sido trabalhados de maneira diferente a série teria sido bem diferente. Gostei, mas penso que uma série tão popular de um estúdio (Sunrise) que trouxe ao mundo Cowboy Bebop e Code Geass podia ter sido bem melhor. Apenas se procurarem algo diferente dentro de anime de mistério é que estes 26 episódios podem ser realmente bons.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #8 - Quase Famosos (2000)

O género coming-of-age sempre me atraiu imenso. Este tipo de filmes baseia-se na passagem de uma personagem da adolescência para a idade adulta e abrange obras muito diferenciadas, sendo por isso muito apelativo.
E de entre histórias como Juno ou Conta Comigo, há uma que é um verdadeiro clássico: Quase Famosos. Este filme de Cameron Crowe, lançado em 2000, conta-nos a história de William Miller, um jovem crítico de música que é contratado pela revista Rolling Stone para seguir a banda fictícia Stillwater. Ao longo da viagem, conhece os membros da banda e aprofunda a relação com uma fã da banda, Penny Lane. Enquanto tenta entrevistar a banda (que leva toda a digressão como uma festa sem perceber que William está a fazer o seu trabalho) tem de lidar com várias Band Aids, uma espécie de groupies e com as atitudes dos músicos. Além disso, a sua mãe extremamente preocupada liga-lhe continuamente para fazer com que este não se deixe levar pelo mundo de drogas e do rock n' roll.
O filme é espetacular. A história é interessante e deixa uma mensagem de trabalho pessoal incentiva. Os constantes esforços de William para lidar com a banda e com a sua paixão por Penny Lane tornam esta história coming-of-age muito maior do que parece.
Mas sinceramente o que para mim faz deste um filme tão bom é a realização de Cameron Crowe. Há diversas cenas em que este demonstra toda a sua mestria utilizando diferentes ângulos e transmitindo sentimentos e pensamentos das personagens através do movimento. Destaco principalmente a cena do autocarro em que o elenco canta a música Tiny Dancer, interpretada por Elton John, num dos momentos mais épicos dos filmes de adolescência e a parte em que Penny dança num palco sem nenhum espectador. Para mim, essas duas cenas dizem mais sobre as personagens do que longas cenas de diálogo em muitos filmes.


E outro aspeto que aumentou o meu gosto pelo filme foi sem dúvida o elenco. Para mim, Billy Crudup tem um dos seus melhores desempenhos. Eu já gostava dele em O Grande Peixe, um dos meus filmes preferidos de sempre e fiquei muito surpreendido quando descobri que não tinha sido nomeado para um Oscar por este papel. Também Patrick Fugit tem uma interpretação espetacular como a personagem principal, para além das duas nomeadas para Melhor Atriz Secundária, nos Prémios da Academia, Frances McDormand e Kate Hudson nos papéis de mãe de William e de Penny Lane, respetivamente.
Por fim, posso dizer que este é um excelente filme dentro do seu género, criando uma nova geração de drama musical numa das melhores obras cinematográficas da década passada. Altamente recomendado.

domingo, 19 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #7 - Blood: The Last Vampire (2000)

No seguimento do anime que trouxe ontem, Psycho-Pass, hoje apresento um filme do mesmo estúdio, Production I.G, o lendário Blood: The Last Vampire.
Este anime de 2000, realizado por Hiroyuki Kitakubo, o mesmo realizador de Golden Boy, traz-nos Saya, uma vampira que se infiltra numa base militar americana em solo japonês com o propósito de caçar demónios que aterrorizam o local. O filme tem apenas 48 minutos de duração, portanto não deixa muito tempo para o desenvolvimento das personagens. Conhecemos apenas Saya, dois americanos que ajudam Saya a integrar-se e a enfermeira da escola secundária localizada na base militar. Em todo o tempo de filme, o aspeto mais focado é a ação. Saya, apesar de parecer ter apenas uns 18 anos, é uma excelente espadachim, usando a tradicional espada japonesa, a katana.
Aquilo de que mais gostei no filme foi o facto de trazer duas línguas para narrar os acontecimentos. Em certas partes, Saya fala japonês mas toda a gente da base militar fala inglês, tendo sido dobrados por atores de voz americanos. Também tenho de falar na excelente animação. O filme saiu em 2000 e como mencionei na análise a Psycho-Pass, a Production I.G faz sempre um espetacular trabalho na animação. E um filme tão baseado nas cenas de combate, uma animação que varia entre o 2D e o 3D é a técnica apropriada a um concerto de golpes e ataques frenéticos. 
Agora, se recomendo o anime? Apenas se forem fãs do género. Se gostarem de histórias de ação e com elementos sobrenaturais este é um filme obrigatório. Também aconselho a quem queira uma experiência rápida, já que tem uma curta duração. Mas não é um anime obrigatório a qualquer fã do meio. É um vencedor de um prémio Kobe, um dos prémios de anime mais importantes no Japão e também acho que não deve ser esquecido. Mas é um vencedor ao lado de filmes como A Princesa Mononoke e Summer Wars que, a meu ver, são bem superiores. Mesmo assim, se para isso se sentirem inclinados, este é um filme interessante. Especialmente se tiverem lido O Japão é Um Lugar Estranho de Peter Carey, no qual se referencia este filme nalgumas ocasiões.

sábado, 18 de junho de 2016

Review - Psycho-Pass

Já Anthony Burgess, no seu livro "A Laranja Mecânica" perguntava se não seria melhor um homem ter escolhido ser mau ao invés de ser bom por obrigação. E o anime que hoje apresento, Psycho-Pass, tem por base esse mesmo problema.
Esta série foi criada em 2012 pelo estúdio já famoso por séries de ficção científica como Ghost in the Shell: Stand Alone Complex e Guilty Crown, Production I.G. A sua premissa é demonstrar uma sociedade utópica em que tudo é controlado pelo Sistema Sibyl incluindo os cérebros de toda a população através dos Psycho-Pass. Existe até um número denominado Coeficiente Criminal que determina se a pessoa em causa pode vir a cometer um crime. Mas a série segue a Divisão 1 do Departamento de Polícia do Ministério do Bem-Estar, um grupo de inspetores e justiceiros que trabalham em conjunto para eliminar os criminosos. O que distingue os dois? Os inspetores são polícias contratados enquanto que os justiceiros são pessoas com Coeficiente Criminal algo elevado sendo usados pela polícia e chamados criminosos latentes.
As personagens da série também são um ponto importante. A personagem principal é Akane Tsunemori, uma jovem investigadora que está a começar a sua carreira policial. Uma personagem de quase igual importância é Shinya Kogami, um criminoso latente com uma estranha obsessão com um assassino em série de há três anos atrás. Outros elementos da Divisão 1 incluem Ginoza, outro inspetor encarregado de liderar a equipa; Yayoi, uma artista considerada perigosa na sociedade e agora justiceira; Masaoka, o justiceiro mais velho da equipa; Kagari, um criminoso latente desde os cinco anos, sem oportunidade para sair dessa vida e ainda Shion Karanomori, a analisadora de investigações e também criminosa latente.
Em termos de animação, a série é espetacular. As cores e os movimentos das personagens estão muito bem utilizados e parece-me que está ao nível dos animes que se fazem hoje, três anos depois do fim da série. A banda sonora é também boa, sem nenhuma música que realmente distinga muito a série. Mesmo nas aberturas, apenas a segunda é algo memorável.
Mas o meu maior problema com Psycho-Pass é o facto de parecer um começo. As personagens não são muito desenvolvidas, à exceção dos dois inspetores e de Kogami, e o final da série não é exatamente um grande clímax. A série é boa pela viagem, por toda a investigação e por todos os momentos tensos que a série sabe muito bem caracterizar. Depois da série, já tivemos uma segunda temporada de 11 episódios com algumas personagens diferentes e um filme e sinceramente isso aumenta a avaliação deste anime. Todos os episódios parecem um prólogo a algo maior que merece bem mais temporadas. Mas à parte disso, a série é simplesmente incrível. Tem personagens boas (que deveriam ter sido melhor exploradas), um vilão absolutamente excelente, várias referências a Blade Runner, a 1984 e a outras obras de ficção científica e só posso recomendar este simplesmente maravilhoso anime.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #6 - Fahrenheit 9/11

Aqui está a segunda parte do especial de análise aos filmes de Michael Moore, desta vez o aclamado Fahrenheit 9/11
Neste filme de 2004, Moore analisa o primeiro mandato de George Bush como presidente dos EUA. Leva-nos à sua vitória injusta em 2000, às suas relações com as famílias mais ricas da Arábia Saudita, aos ataques de 11 de setembro de 2001 e à invasão americana do Iraque em 2003.
Gostei muito do documentário. Para mim é um excelente retrato da América no início dos anos 2000, com a sua obsessão por segurança e a preocupação por assuntos externos enquanto internamente o povo vivia grandes dificuldades. É uma visão mais parcial do país do que em Bowling for Columbine, mostrando claramente o facto de Moore ser um membro da oposição a Bush. E realmente somos arrastados para o seu lado: Bush cometeu bastantes erros no primeiro ano de presidente e a Invasão ao Iraque, assim como a guerra que dela surgiu, não tem origens lógicas.
Para mim, o único ponto negativo foi o facto de se ter prolongado demasiado nas cenas sobre o Iraque. Eu sei que foi uma guerra sem sentido, eu sei que os soldados eram jovens praticamente obrigados a ir para a guerra, eu sei os horrores que foram cometidos tanto contra os EUA, como contra o Iraque.
Não é tão bom, na minha opinião, como Bowling for Columbine, talvez por eu preferir o tema da vida quotidiana ao invés de todo um mandato de um presidente. Mesmo assim recomendo este vencedor do Palme d'Or, que venceu no Festival de Cannes de 2004, por ser um documentário com explicações bem-fundamentadas e por ser mais um dos grandes filmes deste realizador de sucesso.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #5 - Bowling for Columbine

Como prometido, hoje trago a crítica a Bowling for Columbine, o primeiro de dois documentários realizados por Michael Moore que analisarei esta semana.
O filme centra-se na procura da resposta ao problema das armas nos EUA, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, partindo do Massacre de Columbine, um tiroteio numa escola secundária em Columbine que ocorreu em 1999, causando 13 mortes e ferindo mais 21 pessoas. Mas, como qualquer bom documentário expande-se por todas as armas compradas legalmente e por o enorme número de mortes que estas provocam nos Estados Unidos. Ao longo do filme, Moore leva-nos a diferentes atentados feitos com armas legais, a fanáticos por armas em toda a América do Norte e a apoiantes da legalização de todo o tipo de armas.
O que para mim torna o filme interessante é o pensamento de Moore. Este levanta as mesmas questões que me vinham à cabeça quando no documentário eram apresentados novos factos. Moore tem em conta todos os argumentos e contra-argumentos que são ouvidos no que toca a este tema polémico e explora-os de uma maneira excelente. Este filme é também um retrato excelente daquilo que a América é: capitalista, opressor da liberdade e difamadora dos princípios democráticos. Não é através da legalização das armas que se chega à liberdade e à proteção! Além disso, Moore viaja ainda através das explicações plausíveis para os EUA terem um número de homicídios muito alto ao contrário de outros países também com armas legais.
Se recomendo Bowling for Columbine? Definitivamente. É um tema muito atual e mostra as desvantagens que advêm da possessão de armas em lares de uma maneira imparcial (quem afirma que é desvantajoso sou eu, Moore não chega a referi-lo). Este filme é verdadeiramente educativo e um dos melhores olhares sobre os EUA já colocados em filme.
Quero deixar ainda o discurso glorioso e revolucionário de Moore ao agradecer o OSCAR de Melhor Documentário em 2003, apenas 3 dias após a invasão do Iraque pelo exército norte-americano.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Reviews - Berserk (1997)

De vez em quando, como no final dos anos 90, há um enorme sentimento de refrescar o meio do anime. Com séries tão inovadoras como Cowboy Bebop ou Evangelion e filmes como A Princesa Mononoke ou Perfect Blue, essa época ficou marcada como uma nova era do anime. Mas de entre tantas obras, houve uma que se destacou particularmente, uma que ainda hoje é falado mas não de uma forma como os obrigatórios já mencionados. Não, Berserk é bem diferente de tudo isso.
1997, o mundo já conhecia há muito a popular e aclamada série de manga de mesmo nome, que até aos dias de hoje ganha cada vez mais e mais leitores. Mas a primeira adaptação da manga, a que vou analisar hoje, foi o motivo de aproximação de muitos novos fãs da saga. Nesta série de 25 episódios, acompanhamos Gatts, um jovem mercenário bastante poderoso, mas sem qualquer motivo de luta. Certo dia, junta-se ao Bando do Falcão, um exército de mercenários que estão a ganhar a confiança do reino de Midland. Este exército é comandado por Griffith, um líder determinado e com um sonho pelo qual sacrificaria todos os seus companheiros. Também no seu bando se encontra Caska, a única mulher do grupo e uma guerreira forte e valente. Ao longo da história seguimos a evolução deste grupo mas também o seguimento psicológico de cada personagem central.


E Berserk, de forma muito resumida é isso. Mas é o estilo que torna a série em algo único. Entre batalhas sangrentas e irrealistas entre humanos ou demónios e diálogos filosóficos sobre sonhos, Deuses ou a condição humana em campo de batalha percebemos que este anime é completamente diferente de algo que já exista.
E claro, não posso deixar de referir a animação, cheia de uma estética muito "anos 90", mas de modo algum datada. Isto sem deixar de lado a música de Susumu Hirasawa, um grande compositor japonês. Na verdade, uma das razões para eu ter querido ver a série foi a música Forces que, para meu desagrado, aparece muito menos ao longo da série do que eu pensava.


Passando à parte pessoal, eu adorei Berserk. Acho que o único ponto negativo é ter sido pensada como uma série que pudesse durar anos quando na verdade teve apenas 25 episódios. Por vezes é um pouco lenta e este facto é agravado por não termos recebido mais episódios desde 1997, apenas uma trilogia de filmes que acompanha mais ou menos o mesmo enredo da série. Felizmente, no próximo mês, sairá uma nova série que acompanhará um arco que foi muito pouco explorado em qualquer dos animes de Berserk.
Tenho apenas que recomendar esta série: a história é excelente e não me importava de ver bem mais episódios desta saga, as personagens são verdadeiramente originais e interessante e a banda sonora é uma das melhores até hoje. Devem então ver este clássico, especialmente antes do lançamento da nova série.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #4 - X-Men: Apocalipse

Esta rubrica está de volta depois de um momento de grande trabalho em que não tive tempo nem para ver nem para analisar filmes. E hoje, mais um filme que ainda se encontra nos cinemas, X-Men: Apocalipse.
Eu gosto bastante da saga de filmes dos X-Men da Fox. Quando estava a começar a ler banda desenhada, os filmes X2 e X-Men: O Confronto Final captaram-me completamente e acabei por ver todos os filmes da saga principal. E depois de Dias de Um Futuro Esquecido, o último título da saga, que saiu em 2014, ter sido muito adorado pela crítica e por mim só podia esperar coisas emocionantes neste sexto filme da franquia. O lançamento de 2014 complicou muito a saga de filmes dos mutantes e este deveria esclarecer tudo o que se passou, portanto todos os fãs olhavam com grande expectativa para Apocalipse
E agora, depois de ter visto o filme, que digo sobre ele? Sinceramente desapontou-me um pouco. Não por ser mau pois em termos de qualidade enquadra-se no que esperava mas por ser completamente diferente do que eu imaginava que podia ser.
No filme, o primeiro mutante Apocalipse acorda de um longo sono e quer destruir a Terra para a criar de novo, como a Natureza tantas vezes já fez. Ao mesmo tempo, Magneto vive agora na Polónia como um humano normal e é casado e tem uma filha. Ainda ao mesmo tempo, Scott Summers, o futuro Ciclope, começa a desenvolver os seus poderes mutantes e é levado ao Professor X. E ainda ao mesmo tempo, Mística ajuda Noturno a fugir de uma arena onde é obrigado a lutar na Alemanha de Leste.
Talvez não tenham reparado mas o parágrafo anterior tem frases que não se relacionam e com ações por todo o planeta. Pois é exatamente isso que o filme faz. Em toda a primeira parte, o filme atira situações diferentes ao espectador. E não estou a dizer que não são interessantes, só que não são exploradas. Mas o filme progride e vamos desenvolvendo alguma relação com as personagens. Principalmente as que depois vamos conhecer: Scott está bastante parecido com os filmes da trilogia original e percebemos o porquê de Tempestade ser uma aliada de Professor X tão grande.
Mas há aspetos com os quais não concordo. Para mim, não faz sentido alguém como Magneto que acabou a sua relação com Professor X por odiar os humanos criar uma família durante dez anos. Podia simplesmente estar a planear algo novo mas não, o vilão mais leal aos seus princípios facilmente virou-lhes as costas e criou uma família.
Também não gostei muito de Apocalipse. O seu motivo não é muito claro e até parece que os próprios argumentistas não sabiam qual era. Também acho estranho, ninguém simplesmente concordar com Apocalipse. Para mim e para muita gente, acabar com armas nucleares e tentar virar a humanidade para princípios básicos em vez do dinheiro são ações nobres. E ninguém nos X-Men pensou que seria uma coisa boa? Para mim, isso teria aprofundado mais a história.
E também não gostei nada da repetição da cena do Mercúrio a salvar pessoas em câmara lenta com música à velocidade habitual. Fazê-lo em Dias do Futuro Esquecido ajudou a criar a personagem mas repeti-lo pareceu-me exagerado.
E é basicamente isso. O filme é bom mas falta-lhe personalidade. Não há nenhuma personagem que eu queira ver mais aprofundada por ter gostado tanto dela. Jean Grey, uma das minhas heroínas preferidas de sempre, está muito normal. É explorado o facto de ser muito poderosa mas acaba aí o seu desenvolvimento. Os X-Men, à exceção de Mercúrio têm os mesmos princípios e as mesmas razões para lutarem sem nada que os distinga.
Mas gostei do filme: é um novo capítulo na saga da Fox e isso é sempre um motivo para se estar entusiasmado mas, assim como na referência a Star Wars feita no filme: sem o primeiro não existiriam os outros dois, o segundo não teve medo de desafiar as audiências e o terceiro é o que leva as pessoas a discutirem os dois primeiros. Recomendo-vos mas estejam preparados para algo bem diferente dos outros filmes de Singer desta franquia.
E como recompensa das semanas em que não escrevi episódios desta rubrica, podem preparar-se para duas análises especiais no futuro próximo, dedicadas a dois filmes de Michael Moore, cujo novo filme E Agora Invadimos o Quê? estreia esta semana em Portugal.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Um Filme Por Semana #3 - O Clube de Dallas



O filme desta semana chegou um pouco mais tarde mas chegou, sendo ele O Clube de Dallas de Jean Marc Vallé.
Esta obra é uma narração da vida do ativista texano Ron Woodroof (Matthew Mcconaughey) após ter sido diagnosticado com SIDA. Deram-lhe apenas 30 dias para viver mas Ron continuou a lutar contra a doença e a contrabandear medicamentos não aprovados para os EUA onde formou com o também doente Rayon (Jared Leto), o clube que dá nome ao filme. Neste grupo, os dois conseguiram vender os medicamentos ilegais como uma aternativa ao aprovado e dado nos hospitais, que tinha diversos efeitos secundários.
O filme é um drama muito bom: a história é comovente e foi gravado de uma forma apelativa ao público geral. É curto, com progressão rápida da história e com personagens carismáticas. Os atores são também excelentes tendo os dois principais ganho o Prémio da Academia de Melhor Ator Principal e Secundário (Mcconaughey e Leto, respetivamente). Também Jennifer Garner tem aqui um bom desempenho como a médica que tenta apoiar Ron no seu processo ativista.
Mas sinceramente, não há muito mais a dizer do filme. Enquanto crónica de uma vida, faz o seu trabalho mas como filme não há nada que o identifique. Sim, os atores são fantásticos mas a realização tem apenas detalhes muito genéricos. Tenta por vezes umas perspetivas mais experimentais mas acho que não se adapta ao tipo de filme. A banda sonora está ausente grande parte do filme para captar alguns momentos mais próximos de um documentário e gostei bastante disso e mesmo quando existe alguma música de fundo, ela é espetacular, demonstrando o ambiente sulista dos EUA. Acho que o filme não sabe exatamente o que deve ser. Por vezes é uma boa história real a ser contada em forma de filme, outras vezes é um filme mais indie. Se não fosse o talento dos atores e pequenos detalhes de filme independente (note-se, não experimental) o filme não seria nada de especial. 


Mas sinceramente gostei. É uma história que não conhecia, inspiradora e que consegue fazer-nos pensar sobre a vida. Um drama para lembrar e um marco na carreira deste realizador que de certeza que será celebrado nas próximas décadas. Aliás, esteve em cartaz há pouco tempo o filme Demolição com Jake Gyllenhaal, também de Vallé. Aconselho, sobretudo se procurarem um drama da vida real. Mas não esperem uma obra-prima do cinema. Apenas uma história de desobediência civil impressionante e maravilhosa.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Um Filme Por Semana - Capitão América: Guerra Civil

Nunca fui o maior fã do Marvel Cinematic Universe. No início não o compreendia muito bem, eram simplesmente mais filmes de super-heróis. Depois chegou Os Vingadores de Joss Whedon, um dos meus filmes de super-heróis preferidos de sempre. Aí percebi que a Marvel estava a criar algo bem diferente dos filmes do Homem-Aranha ou do Quarteto Fantastico. Mas mesmo assim, com uma grande quantidade de filmes a sair (mais ou menos dois por ano), não fiquei cativado e preferi ver apenas aqueles que me interessavam verdadeiramente como Os Vingadores 2 ou Homem-Formiga. E agora chegou a Fase 3 da Marvel em Capitão América: Guerra Civil que faz uma ponte entre a fase anterior e o próximo filme d' Os Vingadores, Infinity War. E mais uma vez (a seguir aos dois filmes d' Os Vingadores) tive realmente consciência que o MCU era algo totalmente espetcaular.
Apesar de ser um filme de Capitão América, neste filme adapta-se (muito livremente) Guerra Civil de Mark Millar e Steve McNiven de 2006, uma banda desenhada que reúne muitas das mais conhecidas personagens do Universo Marvel. O filme centra-se mais nos Vingadores já que são as personagens centrais do MCU e deixa o Capitão um pouco de lado, apesar deste continuar a ser a personagem central. Na história, a ONU lança um protocolo para controlar os Vingadores, para que estes não hajam como vigilantes e sim como heróis. Mas de repente, o Soldado do Inverno destrói o edifício da ONU e torna-se num homem procurado mundialmente. O Capitão América decide ajudá-lo pois acha que este é inocente mas o Homem de Ferro e outros Vingadores que estão do lado das Nações Unidas vão lutar por ele.
Gostei imenso do filme! Durante duas horas e meia tive um sentimento de absoluta diversão excelente. A história era empolgante, as personagens eram interessantes (destaque para o Pantera Negra que realmente evolui psicologicamente ao longo do filme e para o Homem-Aranha e o Homem-Formiga que trazem um lado mais engraçado ao enredo), os atores eram espetaculares, as cenas de ação estavam muito boas e toda a estética do filme fazia dele uma das melhores obras da Marvel nos cinemas.
E compreendo as críticas todas. Sim, pode ter cenas de ação mal realizadas, pode não ter a quantidade de heróis que as bandas desenhadas têm, pode ter demasiadas informações sobre o enredo reveladas nos trailers mas eu continuo a adorar este filme espantoso. Em apenas oito anos, a Marvel criou um dos universos expandidos no cinema mais adorados de sempre, com sucesso após sucesso e criando um novo estilo de filmes de super-heróis. E este foi o culminar de tudo isso.
Pessoalmente, adorei o filme e aconselho-o a todos. Especialmente se gostarem das bandas desenhadas pois há algumas informações bem escondidas na história. Totalmente recomendado.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Review - Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça

Foi um dos filmes mais esperados de sempre;  é um dos filmes mais controversos no que toca a críticas, e marcará o início de um longo e extenso universo.
Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça é uma das obras mais esperadas de sempre. Talvez desde 1939, ano que marcou a aparição de Batman na banda desenhada, que toda a gente esperava um encontro cinematográfico entre este e Super-Homem, criado em 1938 e que já tinha arrecadado imenso sucesso. Não que os encontros entre os dois heróis nas bandas desenhadas, em jogos ou na televisão tenham sido maus, a verdade está bem longe disso. Mas um filme inteiro dedicado a um confronto entre os dois? Isso é algo novo.
No filme, o Governo Americano começa a ponderar sobre o que fazer com o Super-Homem. Apesar de ter salvo Metrópolis no filme anterior, Homem de Aço, há uma enorme preocupação sobre se este extraterrestre é um herói ou um vilão. Entretanto Batman também se começa a interessar pelo Super-Homem, estando a trabalhar sem parar numa forma de proteger a Terra do herói.
A premissa parece interessante mas tenho algumas críticas a fazer. A primeira parte do filme tem um ritmo muito lento, fazendo o espectador desinteressar-se pelas personagens e pelo enredo. Lex Luthor é uma das poucas personagens que manteve preso ao filme quando estive a vê-lo. Estava muito ansioso por ver Jesse Eisenberg a interpretar o mítico vilão: pelo que tínhamos visto nos trailers, esta personagem ia ser um maníaco com poucas características novas e diferentes. Mas o que tivemos foi bem melhor: um Lex descontraído mas com uma história negra que se vai explorando ao longo do filme e um verdadeiro doido. Outro membro do elenco que se sobressaiu foi Gal Gadot como Mulher-Maravilha, sem dúvida a minha personagem preferida do filme todo. Não nos é atirada no início do filme. Nós vamos aprendendo a vê-la à nossa frente até que chega o momento de revelação com uma das melhores músicas da banda sonora do filme a tocar (para quem viu o filme, vocês sabem do que estou a falar). 
E chegamos a uma das questões mais sensíveis do filme: o Batman. É uma das minhas personagens preferidas de sempre e não fiquei o maior fã do Ben Affleck. Mas não foi por culpa do consagrado ator. Batman entra no filme da maneira oposta à da Mulher-Maravilha. Somos introduzidos a um Batman que supostamente devíamos conhecer mas que não conhecemos. Este Batman parece ser novo até ao momento em que dizem que tem mais de vinte anos de carreira como vigilante. Mas Affleck por si só, é um bom Batman. Mas gostava que em filmes futuros explorassem melhor a faceta Bruce Wayne, que não me agradou tanto.
No resto do elenco temos o regresso de Henry Cavill ao Homem de Aço, Amy Adams a Lois Lane, Laurence Fishburne a Perry White e Diane Lane a Martha Kent. Todos eles estão bastante bem mas sem algo de novo. Já Holly Hunter como a Senadora que trata do caso de Super-Homem é uma boa interpretação. Outro ponto algo sobrevalorizado é o de Jeremy Irons como Alfred. Não é que seja mau mas também não é nada de tão especial assim.
Na minha opinião, o filme é espetacular. Tem sido alvo de análises muito negativas e há um ou dois pontos no enredo que podiam ser modificados. Mas pensando nele como O Despertar da Justiça em vez do Batman V Super-Homem, o filme é realmente muito bom. É como um primeiro episódio muito longo de uma série que se vai estender durante anos. São introduzidas muitas personagens e em todos os casos, mal posso esperar por ver mais delas. E alguns dos grandes problemas não são do filme. Por exemplo, o mau desenvolvimento do Batman podia ter sido resolvido com um filme anterior a solo do herói. Claro que é responsabilidade do filme não a ter introduzido da maneira correta mas não é a única coisa que deve ser culpada.
Resumindo, gostei bastante do filme. Aconselho-vos a verem e pode ser que gostem como eu gostei deste início do Universo Cinematográfico da DC Comics.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Review - Star Wars Episódio VII - O Despertar da Força - Sem Spoilers

Apesar de não ter escrito no blog durante bastante tempo quero corrigir esse erro e recomeçar em grande, com a análise de um dos melhores filmes do ano, Star Wars: O Despertar da Força.
Quero avisar que esta é a análise sem spoilers para não estragar a ninguém este filme.
Star Wars é uma das séries mais adoradas de todos os tempos e um ícone da cultura pop que afeta qualquer humano da Terra. Ao longo de quase quarenta anos, filmes, séries de televisão, bandas desenhadas, figuras de ação, romances, videojogos, CD's, jogos de tabuleiro, RPG's e merchandise variado ocuparam a vida de todos os habitantes de planeta. Alguns, de forma pequena, apenas reconhecendo o nome da franquia mas outros, outros deram a vida a esta saga. E J.J. Abrams, co-criador de séries como Fringe e Lost e realizador de Missão Impossível III e de Super 8, assim como fã de Star Wars, foi escolhido para realizar este sétimo episódio da saga, dez anos depois do úlimo e uma sequela direta a O Regresso do Jedi, de 1983. E para o argumento, Abrams precisou da ajuda de Lawrence Kasdan, um dos mais lendários argumentistas de cinema de todos os tempos, reconhecido pelo se trabalho em O Império Contra-Ataca, O Regresso do Jedi e Os Salteadores da Arca Perdida e Michael Arndt, escritor de Little Miss Sunshine, um dos meus filmes preferidos a par da trilogia original de Star Wars. E não nos devemos esquecer que toda a Lucasfilms foi comprada pela Disney, incluindo os direitos de Star Wars. Este filme teve então muito dinheiro a circular, para que fosse um autentico sucesso. Até este momento na análise temos: uma saga de sucesso ímpar, um realizador adorado pelos seus trabalhos anteriores, um grupo de argumentistas absolutamente genial e valores de produção astronómicos. Estes quatro fatores fazem grande parte da bilheteira de um filme mas será que fazem um filme ser bom. Só quando têm um bom elenco, claro. E O Despertar da Força merece toda a popularidade que tem, baseando-se apenas nos seus atores. Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Anthony Daniels e Peter Mayhew voltam aos seus papéis da trilogia original de Star Wars como Han Solo, Luke Skywalker, Leia Organa, C-3PO e Chewbacca. Todos eles desempenham espetacularmente os seus papéis trazendo a alma dos filmes originais com algo de novo nas personagens. As grandes novidades são, como é evidente, os atores que se juntaram neste filme à franquia. O curioso é todos estes atores serem algo desconhecidos como Hamill ou Fisher eram em 1977, aquando o lançamento do primeiro filme. Primeiro temos Adam Driver a desempenhar o papel de Kylo Ren, o vilão deste filme. Kylo Ren não é um sith, é apenas um homem que controla a força e usa um sabre de luz vermelho mas nunca teve, pensamos nós, um treino do Lado Negro da Força. Na verdade, se repararem, Kylo Ren é uma personagem bastante fraca a nível de poderes, o que o torna interessante. A atriz principal é Daisy Ridley a desempenhar o papel de Rey. Esta é sem dúvida a minha personagem preferida do filme todo. É uma simpática caçadora de tesouros do planeta Jakku e tem pais desconhecidos. Acaba por se envolver entre a Primeira Ordem (os vilões do filme) e a Resistência (os heróis do filme) e o seu desenvolvimento é espetacular. Prometo que no fim do filme vão pensar que se passaram meses desde a primeira cena devido à grande evolução de Rey. Outro ator principal é John Boyega no papel de Finn, um soldado da Primeira Ordem que se sente algo desajustado nos ideais do exército. A última personagem cuja descrição vou aprofundar é Poe Dameron, um piloto da Resitência interpretado por Oscar Isaac que está sempre acompanhado de BB-8, um robô esférico bastante adorado pelos fãs. Se há algo que este filme faz bem é as personagens e a evolução das mesmas. Parece que o espectador consegue sentir verdadeiramente os sentimentos das personagens e as relações entre as mesmas. Já é algo que este filme faz melhor do que as prequelas de Star Wars.
Passando só ao enredo, muito superficialmente: Luke Skywalker desapareceu e cabe a Poe levar à Resistência o último pedaço do mapa que indica a localização do jedi. Depois de uns quantos acontecimentos rebuscados, BB-8, contendo o tal pedaço de mapa, vai parar às mãos de Rey e esta tem de fazer os possíveis para completar a missão de Poe. Enredo simples, não? Sim, mas com muitas mais cenas bastante importantes. Há personagens a ser introduzidas, outras a reaparecerem na saga, combates fantasticamente realizados, pequenos pormenores para saciar os fãs da saga e muito outro conteúdo espetacular. Gostaria ainda de mencionar os excelentes visuais do filme. Vi em IMAX e não fiquei fã. Em cenas de muito movimento a imagem fica distorcida e não é a melhor maneira de se ver um filme para quem procura todos os pormenores visuais, já que apenas o primeiro plano é bem focado. Quero só deixar a recomendação da fantástica banda sonora de John Williams que compôs também as músicas dos outros filmes da saga. Há algumas faixas de filmes anteriores mas também uma boa quantidade de músicas inteiramente novas. 
O meu único problema com o filme é a semelhança que partilha com a história da trilogia original. E não acho que seja um verdadeiro problema. A frase "Não arranjem o que não está estragado" pode associar-se a este problema. Se a trilogia original era tão boa e se as prequelas introduziram aspetos que são odiados pelos fãs, um novo filme deve seguir as passadas dos três melhores filmes da saga. Assim o fez e eu e grande parte dos fãs da franquia apreciamos imenso este trabalho. É um dos melhores filmes de sempre! Sem dúvida, o melhor filme que vi este ano e um dos melhores filmes de toda a saga. É bastante melhor do que as prequelas e é mesmo superior ao Episódio VI. Tem o espírito dos filmes originais e foi construído pelo máximo esforço de diferentes pessoas. Recomendo este excelente filme se já viram todos os anteriores e, se não os viram, façam uma maratona e acabem-na com este Episódio VII.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Review - Fate/Zero

Quem me conhece, sabe muito bem que não sou o maior fã de universos expandidos. Mas por vezes, uma obra nesse universo expandido pode ser muito maior. Pode ser até mesmo maior que a obra de origem. Não é costume, mas acontece. Hoje, um desses raros exemplos: Fate/Zero.

Fate/Zero surgiu em 2006, já depois da sua obra de origem, a visual novel Fate/Stay Night ter saído. Fate/Zero passa-se 10 anos antes da obra original, numa outra Guerra do Graal onde os participantes são parentes ou outras pessoas relacionadas às personagens de Fate/Stay Night. O que vou analisar é o anime que surgiu dos livros de 2006, de 25 episódios, lançados em duas séries, de 2011 e de 2012.

Tudo começa com um dos melhores episódios piloto de animes de sempre: ao longo de 40 minutos (porque os normais 22 não chegavam) vemos todos os intervenientes, todos eles magos, a invocarem os lutadores desta Guerra do Graal. Estes lutadores são os servants que se dividem em sete classes: Saber, Archer, Lancer, Rider, Caster, Assassin e Berserker, todos eles antigas figuras históricas que têm de obedecer aos magos, também chamados Mestres. Um dos pontos fortes deste anime foi a diferença entre as personagens e o facto de, mais ou menos não haver uma personagem principal nem heróis ou vilões. Temos por exemplo Kotomine Kirei, um mestre que não sabe o seu objetivo para o Graal mas está disposto a lutar para o encontrar, Waver Velvet, um estudante de magia que quer mostrar a todos os magos que não é preciso ter-se grandes antepassados para se ser um bom mago, ou por exemplo Emiya Kiritsugu, um assassino contratado pela família de magos Einzbern para ganhar a Guerra do Graal e acabar com todas as guerras do mundo para todo o sempre.
Só aqui pura espetacularidade. Mas também os Servants são fantásticos: desde Saber com a sua personalidade solene mas por vezes descontraída até Rider com os seus intuitos de se integrar na sociedade desta época passando pelo poderoso Archer ou pelo nobre Lancer, na série há personagens tão bem construídas que todos os espectadores irão encontrar a personagem preferida.



Mas depois da história e das personagens chegamos às maravilhosas cenas de combate: são muitas as vezes em que qualquer pessoa, mesmo aquelas que não gostam muito de séries de ação, ficam cheias de entusiasmo ao ver um certo ataque ou um certo duelo. Isto é claro ajudado pela animação que é, sem qualquer dúvida, uma das melhores animações de todos os tempos. Saiu há quatro anos e ainda não está minimamente datada, para além de ser melhor do que grande parte dos animes desse ano (É algo espantoso considerando rivais como AnoHana, Madoka Magica ou Guilty Crown, todos eles com animação extraordinária). Teve um orçamento gigantesco e isso só fez com que em cada batalha provoque uma reação enorme nos espectadores. Simplesmente espetacular.

Pessoalmente, este é um dos melhores animes que já vi em toda a minha vida. A história é excelente e tem algo que falta em quase todas as prequelas: pode ver-se sem se ver ou ler o material de origem. Na verdade, muitos fãs aconselham o visionamento deste anime antes de Fate/Stay Night pois não se sabe certas coisas do final. Mas também vendo depois de Stay Night, consegue ter-se uma prespetiva diferente em relação a personagens que são mencionadas ou que aparecem em ambas as séries como Saber, Kirei ou Rin.

Sem dúvida alguma que o aconselho: entre as batalhas extremamente bem animadas e a complexa história ou entre aquele par de Mestre/Servant ou o desenvolvimento de cada personagem há algo que qualquer fã de anime irá encontrar. Uma das melhores séries dos últimos anos e talvez de sempre.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Review Especial Mamoru Hosoda Parte 2 de 4 - Summer Wars

Tive uma semana algo atarefada e não, não consegui escrever esta análise até à data indicada mas decidi publicá-la com essa data apesar de, na verdade, só ter sido escrita nos dias 18 e 19 de julho de 2015. Desculpem, desde já.

Se há tema explorado no anime, é o dos jogos em múltiplas séries e filmes. Muitas vezes, baseiam-se num jogo existente como um desporto ou um desporto com regras apropriadas à irrealidade do anime como Oliver e Benji (1º exemplo) ou Inazuma Eleven (2º exemplo). Outras, criam jogos especificamente para o anime ou baseadas nalgum jogo de cartas já existente como Yu Gi Oh ou Kaji: Ultimate Survivor.
Mas Summer Wars consegue criar algo na altura novo: misturar um jogo real, numa rede, semelhante à Internet futurística que a ficção científica tende a imaginar, com combates em que vários estilos de luta podem ser usados. E o melhor de tudo isto: nem sequer é o elemento principal do filme.

A história começa quando Kenji Koiso é convidado pela miúda mais popular da escola, Natsuki Shinohara, para a acompanhar na festa de 90 anos da sua avó. Kenji aceita o convite e é acolhido pela a avó de Natsuki e pela sua família. Mas, uma noite, recebe um estranho SMS, com um código, e Kenji sendo o apaixonado pela matemática que é, tenta resolvê-lo. Isto leva a que no dia seguinte seja procurado por todo o mundo por ter levado o mundo de OZ, a tal rede que liga toda a gente do mundo, num espaço digital onde se pode conviver ou praticar múltiplos desportos e onde quase toda a gente do mundo tem um seu segundo "eu". A sua procura deve-se a uma estranha personagem neste mundo de OZ que absorve os avatares das pessoas nesse universo digital e usa-os para aceder a estruturas no mundo real, podendo até lançar mísseis ou simplesmente roubar todo o dinheiro de todas as contas bancárias do mundo. Kenji é procurado por ter sido o seu avatar o primeiro a ser absorvido por este controlador.

Em termos de personagens, o filme tem um ponto bastante sólido: Kenji é a típica personagem de animes, desajeitado mas com um bom coração. Na verdade, acho que as suas parecenças com a maior parte dos espectadores mais jovens é o que torna esta personagem tão boa e, consequentemente, este filme tão popular. Natsuki é uma personagem mais dramática e são muitos os momentos em que nos leva por montanhas russas emocionais. Há ainda membros na sua família extremamente desenvolvidos e os que não são, têm um ou outro aspeto que os torna memoráveis: temos Kazuma, um jovem bastante hábil nos combates no mundo de OZ; Sakae Jinnouchi, a avó de Natsuki, de bom coração e que é uma personagem bastante interessante; e há ainda Wabisuke, um filho ilegítimo do avô de Natsuki mas que foi adotado pela avó da mesma. Em menos de duas horas, este filme consegue mesmo mostrar-nos personagens muito bem criadas e um desenvolvimento das mesmas rápido e bem trabalhado.

Na animação, o filme não dececiona mas também não traz grandes avanços em relação ao anterior filme de Hosoda. Dentro do mundo de OZ, especialmente nas cenas de jogos, é realmente notável um maior cuidado com a luminosidade e o brilho dos cenários e das personagens, o que achei um toque bastante interessante.

Em termos de banda sonora as músicas ouvem-se bastante bem enquanto se vê o filme mas fora disso, são poucas as faixas que se destacam fora do filme. Assim como na animação, faz o seu trabalho mas não é exatamente excecional.

Pessoalmente, gostei bastante do filme: o seu ambiente, personagens, cenas de jogos e uma quantidade de drama bastante grande para um filme com este título fazem desta uma das melhores obras de Hosoda. Entre este e o outro filme que vi deste realizador, tenho de dizer que preferi o outro, apesar da diferença ser pequena. Mesmo assim devem vê-lo, se esperam uma obra repleta de cenas dramáticas e emocionais, se bem com uma boa dose de momentos épicos. É um filme para toda a família e sem dúvida alguma que o recomendo.