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domingo, 13 de agosto de 2017

Cinema: A Beleza Poética de Paterson

Uma das artes que mais me entusiasma é sem dúvida o cinema. E ao longo dos últimos meses, cada vez mais gosto de cinema artístico, independente e sem ser dominado pelo entretenimento e receitas. Não é que desgoste de filmes blockbusters ou filmes mais apelativos ao grande público, apenas prefiro o cinema de autor. E é um desses filmes que decido trazer hoje ao blog, o filme do ano passado que só chegou este ano a grande parte do mundo (no seu lançamento em 2016, só teve projeções em festivais) Paterson.
O filme apresenta-nos a melancólica cidade de Paterson, Nova Jersey, uma cidade industrial onde habita o nosso protagonista, um condutor de autocarros, casado, que reside numa casa mais próxima dos subúrbios da cidade. Ao longo dos seus 118 minutos, a obra acompanha a rotina do motorista, também ele chamado Paterson e interpretado pelo ator Adam Driver, durante uma semana normal nessa cidade. Vemos a sua hora de acordar, sempre por volta das 6 horas e 15 minutos, o seu beijo de bom dia à sua mulher (Golshifteh Farahani), o seu pequeno almoço de cereais e a sua caminhada até à estação, assim como o seu percurso sempre com passageiros diferentes no autocarro 23 e o seu regresso a casa, endireitando a caixa de correio, para além do passeio noturno com o seu cão. O que pode parecer monótono, acaba por se tornar algo maravilhoso: esta rotina está cheio de momentos que enriquecem esta cidade e que acabam por aligeirar o filme ao haver leves momentos de humor entre as conversas dos passageiros do autocarro ou enquanto Paterson bebe a sua cerveja num bar próximo.

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Para além disso, e este é o principal ponto do filme, a personagem de Driver vai escrevendo poesia num pequeno caderno que anda sempre com ele e os versos são inspirados por objetos do seu quotidiano, coisas tão simples como uma caixa de fósforos. Este estilo é muito semelhante ao do poeta William Carlos Williams, um poeta americano conhecido por, entre muitas outras obras, um poema denominado Paterson. Há muitas menções a este poeta durante o filme já que é uma inspiração para o nosso protagonista.
A meu ver, este é um dos melhores filmes dos últimos tempos: há uma leveza que nos é apresentada pelo estilo algo deprimente mas com uma personagem extremamente calma como esta, que não se deixa abalar pelas outras situações que o envolvem. Toda a equipa do filme se esforçou para criar um ambiente interessante que nos dá a sensação de que visitámos mesmo Nova Jersey por uma semana. É gravado com técnicas interessantes de realização, especialmente nas cenas de poesia e há planos que ficam gravados na mente do espectador. Se tivesse algum problema seria o estilo dos poemas que não me agradou tanto quanto pensava que me iria agradar mas eu não sou nenhuma autoridade em poesia e é algo simplesmente subjetivo. Ao fim do dia (ou da semana), este é um dos melhores filmes que vi e uma obra que hei-de rever vezes sem conta. Ainda está em certas salas e recomendo que o vejam.

domingo, 19 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #7 - Blood: The Last Vampire (2000)

No seguimento do anime que trouxe ontem, Psycho-Pass, hoje apresento um filme do mesmo estúdio, Production I.G, o lendário Blood: The Last Vampire.
Este anime de 2000, realizado por Hiroyuki Kitakubo, o mesmo realizador de Golden Boy, traz-nos Saya, uma vampira que se infiltra numa base militar americana em solo japonês com o propósito de caçar demónios que aterrorizam o local. O filme tem apenas 48 minutos de duração, portanto não deixa muito tempo para o desenvolvimento das personagens. Conhecemos apenas Saya, dois americanos que ajudam Saya a integrar-se e a enfermeira da escola secundária localizada na base militar. Em todo o tempo de filme, o aspeto mais focado é a ação. Saya, apesar de parecer ter apenas uns 18 anos, é uma excelente espadachim, usando a tradicional espada japonesa, a katana.
Aquilo de que mais gostei no filme foi o facto de trazer duas línguas para narrar os acontecimentos. Em certas partes, Saya fala japonês mas toda a gente da base militar fala inglês, tendo sido dobrados por atores de voz americanos. Também tenho de falar na excelente animação. O filme saiu em 2000 e como mencionei na análise a Psycho-Pass, a Production I.G faz sempre um espetacular trabalho na animação. E um filme tão baseado nas cenas de combate, uma animação que varia entre o 2D e o 3D é a técnica apropriada a um concerto de golpes e ataques frenéticos. 
Agora, se recomendo o anime? Apenas se forem fãs do género. Se gostarem de histórias de ação e com elementos sobrenaturais este é um filme obrigatório. Também aconselho a quem queira uma experiência rápida, já que tem uma curta duração. Mas não é um anime obrigatório a qualquer fã do meio. É um vencedor de um prémio Kobe, um dos prémios de anime mais importantes no Japão e também acho que não deve ser esquecido. Mas é um vencedor ao lado de filmes como A Princesa Mononoke e Summer Wars que, a meu ver, são bem superiores. Mesmo assim, se para isso se sentirem inclinados, este é um filme interessante. Especialmente se tiverem lido O Japão é Um Lugar Estranho de Peter Carey, no qual se referencia este filme nalgumas ocasiões.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #6 - Fahrenheit 9/11

Aqui está a segunda parte do especial de análise aos filmes de Michael Moore, desta vez o aclamado Fahrenheit 9/11
Neste filme de 2004, Moore analisa o primeiro mandato de George Bush como presidente dos EUA. Leva-nos à sua vitória injusta em 2000, às suas relações com as famílias mais ricas da Arábia Saudita, aos ataques de 11 de setembro de 2001 e à invasão americana do Iraque em 2003.
Gostei muito do documentário. Para mim é um excelente retrato da América no início dos anos 2000, com a sua obsessão por segurança e a preocupação por assuntos externos enquanto internamente o povo vivia grandes dificuldades. É uma visão mais parcial do país do que em Bowling for Columbine, mostrando claramente o facto de Moore ser um membro da oposição a Bush. E realmente somos arrastados para o seu lado: Bush cometeu bastantes erros no primeiro ano de presidente e a Invasão ao Iraque, assim como a guerra que dela surgiu, não tem origens lógicas.
Para mim, o único ponto negativo foi o facto de se ter prolongado demasiado nas cenas sobre o Iraque. Eu sei que foi uma guerra sem sentido, eu sei que os soldados eram jovens praticamente obrigados a ir para a guerra, eu sei os horrores que foram cometidos tanto contra os EUA, como contra o Iraque.
Não é tão bom, na minha opinião, como Bowling for Columbine, talvez por eu preferir o tema da vida quotidiana ao invés de todo um mandato de um presidente. Mesmo assim recomendo este vencedor do Palme d'Or, que venceu no Festival de Cannes de 2004, por ser um documentário com explicações bem-fundamentadas e por ser mais um dos grandes filmes deste realizador de sucesso.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #5 - Bowling for Columbine

Como prometido, hoje trago a crítica a Bowling for Columbine, o primeiro de dois documentários realizados por Michael Moore que analisarei esta semana.
O filme centra-se na procura da resposta ao problema das armas nos EUA, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, partindo do Massacre de Columbine, um tiroteio numa escola secundária em Columbine que ocorreu em 1999, causando 13 mortes e ferindo mais 21 pessoas. Mas, como qualquer bom documentário expande-se por todas as armas compradas legalmente e por o enorme número de mortes que estas provocam nos Estados Unidos. Ao longo do filme, Moore leva-nos a diferentes atentados feitos com armas legais, a fanáticos por armas em toda a América do Norte e a apoiantes da legalização de todo o tipo de armas.
O que para mim torna o filme interessante é o pensamento de Moore. Este levanta as mesmas questões que me vinham à cabeça quando no documentário eram apresentados novos factos. Moore tem em conta todos os argumentos e contra-argumentos que são ouvidos no que toca a este tema polémico e explora-os de uma maneira excelente. Este filme é também um retrato excelente daquilo que a América é: capitalista, opressor da liberdade e difamadora dos princípios democráticos. Não é através da legalização das armas que se chega à liberdade e à proteção! Além disso, Moore viaja ainda através das explicações plausíveis para os EUA terem um número de homicídios muito alto ao contrário de outros países também com armas legais.
Se recomendo Bowling for Columbine? Definitivamente. É um tema muito atual e mostra as desvantagens que advêm da possessão de armas em lares de uma maneira imparcial (quem afirma que é desvantajoso sou eu, Moore não chega a referi-lo). Este filme é verdadeiramente educativo e um dos melhores olhares sobre os EUA já colocados em filme.
Quero deixar ainda o discurso glorioso e revolucionário de Moore ao agradecer o OSCAR de Melhor Documentário em 2003, apenas 3 dias após a invasão do Iraque pelo exército norte-americano.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um Filme Por Semana #4 - X-Men: Apocalipse

Esta rubrica está de volta depois de um momento de grande trabalho em que não tive tempo nem para ver nem para analisar filmes. E hoje, mais um filme que ainda se encontra nos cinemas, X-Men: Apocalipse.
Eu gosto bastante da saga de filmes dos X-Men da Fox. Quando estava a começar a ler banda desenhada, os filmes X2 e X-Men: O Confronto Final captaram-me completamente e acabei por ver todos os filmes da saga principal. E depois de Dias de Um Futuro Esquecido, o último título da saga, que saiu em 2014, ter sido muito adorado pela crítica e por mim só podia esperar coisas emocionantes neste sexto filme da franquia. O lançamento de 2014 complicou muito a saga de filmes dos mutantes e este deveria esclarecer tudo o que se passou, portanto todos os fãs olhavam com grande expectativa para Apocalipse
E agora, depois de ter visto o filme, que digo sobre ele? Sinceramente desapontou-me um pouco. Não por ser mau pois em termos de qualidade enquadra-se no que esperava mas por ser completamente diferente do que eu imaginava que podia ser.
No filme, o primeiro mutante Apocalipse acorda de um longo sono e quer destruir a Terra para a criar de novo, como a Natureza tantas vezes já fez. Ao mesmo tempo, Magneto vive agora na Polónia como um humano normal e é casado e tem uma filha. Ainda ao mesmo tempo, Scott Summers, o futuro Ciclope, começa a desenvolver os seus poderes mutantes e é levado ao Professor X. E ainda ao mesmo tempo, Mística ajuda Noturno a fugir de uma arena onde é obrigado a lutar na Alemanha de Leste.
Talvez não tenham reparado mas o parágrafo anterior tem frases que não se relacionam e com ações por todo o planeta. Pois é exatamente isso que o filme faz. Em toda a primeira parte, o filme atira situações diferentes ao espectador. E não estou a dizer que não são interessantes, só que não são exploradas. Mas o filme progride e vamos desenvolvendo alguma relação com as personagens. Principalmente as que depois vamos conhecer: Scott está bastante parecido com os filmes da trilogia original e percebemos o porquê de Tempestade ser uma aliada de Professor X tão grande.
Mas há aspetos com os quais não concordo. Para mim, não faz sentido alguém como Magneto que acabou a sua relação com Professor X por odiar os humanos criar uma família durante dez anos. Podia simplesmente estar a planear algo novo mas não, o vilão mais leal aos seus princípios facilmente virou-lhes as costas e criou uma família.
Também não gostei muito de Apocalipse. O seu motivo não é muito claro e até parece que os próprios argumentistas não sabiam qual era. Também acho estranho, ninguém simplesmente concordar com Apocalipse. Para mim e para muita gente, acabar com armas nucleares e tentar virar a humanidade para princípios básicos em vez do dinheiro são ações nobres. E ninguém nos X-Men pensou que seria uma coisa boa? Para mim, isso teria aprofundado mais a história.
E também não gostei nada da repetição da cena do Mercúrio a salvar pessoas em câmara lenta com música à velocidade habitual. Fazê-lo em Dias do Futuro Esquecido ajudou a criar a personagem mas repeti-lo pareceu-me exagerado.
E é basicamente isso. O filme é bom mas falta-lhe personalidade. Não há nenhuma personagem que eu queira ver mais aprofundada por ter gostado tanto dela. Jean Grey, uma das minhas heroínas preferidas de sempre, está muito normal. É explorado o facto de ser muito poderosa mas acaba aí o seu desenvolvimento. Os X-Men, à exceção de Mercúrio têm os mesmos princípios e as mesmas razões para lutarem sem nada que os distinga.
Mas gostei do filme: é um novo capítulo na saga da Fox e isso é sempre um motivo para se estar entusiasmado mas, assim como na referência a Star Wars feita no filme: sem o primeiro não existiriam os outros dois, o segundo não teve medo de desafiar as audiências e o terceiro é o que leva as pessoas a discutirem os dois primeiros. Recomendo-vos mas estejam preparados para algo bem diferente dos outros filmes de Singer desta franquia.
E como recompensa das semanas em que não escrevi episódios desta rubrica, podem preparar-se para duas análises especiais no futuro próximo, dedicadas a dois filmes de Michael Moore, cujo novo filme E Agora Invadimos o Quê? estreia esta semana em Portugal.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Um Filme Por Semana #3 - O Clube de Dallas



O filme desta semana chegou um pouco mais tarde mas chegou, sendo ele O Clube de Dallas de Jean Marc Vallé.
Esta obra é uma narração da vida do ativista texano Ron Woodroof (Matthew Mcconaughey) após ter sido diagnosticado com SIDA. Deram-lhe apenas 30 dias para viver mas Ron continuou a lutar contra a doença e a contrabandear medicamentos não aprovados para os EUA onde formou com o também doente Rayon (Jared Leto), o clube que dá nome ao filme. Neste grupo, os dois conseguiram vender os medicamentos ilegais como uma aternativa ao aprovado e dado nos hospitais, que tinha diversos efeitos secundários.
O filme é um drama muito bom: a história é comovente e foi gravado de uma forma apelativa ao público geral. É curto, com progressão rápida da história e com personagens carismáticas. Os atores são também excelentes tendo os dois principais ganho o Prémio da Academia de Melhor Ator Principal e Secundário (Mcconaughey e Leto, respetivamente). Também Jennifer Garner tem aqui um bom desempenho como a médica que tenta apoiar Ron no seu processo ativista.
Mas sinceramente, não há muito mais a dizer do filme. Enquanto crónica de uma vida, faz o seu trabalho mas como filme não há nada que o identifique. Sim, os atores são fantásticos mas a realização tem apenas detalhes muito genéricos. Tenta por vezes umas perspetivas mais experimentais mas acho que não se adapta ao tipo de filme. A banda sonora está ausente grande parte do filme para captar alguns momentos mais próximos de um documentário e gostei bastante disso e mesmo quando existe alguma música de fundo, ela é espetacular, demonstrando o ambiente sulista dos EUA. Acho que o filme não sabe exatamente o que deve ser. Por vezes é uma boa história real a ser contada em forma de filme, outras vezes é um filme mais indie. Se não fosse o talento dos atores e pequenos detalhes de filme independente (note-se, não experimental) o filme não seria nada de especial. 


Mas sinceramente gostei. É uma história que não conhecia, inspiradora e que consegue fazer-nos pensar sobre a vida. Um drama para lembrar e um marco na carreira deste realizador que de certeza que será celebrado nas próximas décadas. Aliás, esteve em cartaz há pouco tempo o filme Demolição com Jake Gyllenhaal, também de Vallé. Aconselho, sobretudo se procurarem um drama da vida real. Mas não esperem uma obra-prima do cinema. Apenas uma história de desobediência civil impressionante e maravilhosa.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Um Filme Por Semana #1 - Ed Wood (1994)

Hoje venho aqui começar um novo projeto: Um Filme Por Semana. Ao longo das próximas 52 semanas, vou trazer uma crítica a um filme que hei-de ver nessa semana. Sairá provavelmente ao fim de semana e os filmes serão quase todos filmes de culto, já que há muitas gemas obrigatórias para qualquer fã de filme que eu ainda não vi. Hoje o primeiro: Ed Wood do realizador Tim Burton.
Lidar com as críticas é algo que todos os grandes artistas têm de fazer e pode ser um dos passos mais difíceis de realizar na carreira destes. Pois se acham que Batman V Superman tem más críticas, provavelmente nunca leram uma análise a um dos filmes dos anos 50 de Edward D. Wood Jr. Este realizador é considerado um dos piores realizadores de sempre mas a sua história é verdadeiramente inspiradora: apesar de todos os desafios, Ed Wood continuava a ter uma enorme paixão em fazer cinema. E em 1994 o realizador Tim Burton, conhecido por filmes como Batman (1989) e Eduardo Mãos de Tesoura (1990) decidiu fazer da vida deste entusiasmado com o cinema um filme. Saiu então Ed Wood, filmado a preto e branco, com Johnny Depp num dos seus melhores momentos enquanto ator.
Mas este filme é mais do que um relato biográfico de um realizador. É um filme de drama inspirado em eventos reais. O espectador é várias vezes confrontado com situações em que não consegue distinguir o que é real ou o que é inventado. Muito disto se deve ao excelente desempenho de Johnny Depp neste extrovertido realizador e Martin Landau como Bela Lugosi, um ator mítico que é aqui retratado de forma honrosa.
Há ainda momentos em que a cinematografia é verdadeiramente espetacular. Podiam ser fotografias numa exposição mas são apenas frames curtos de um filme.
Se aconselho Ed Wood? Claro. Seja pela narrativa biográfica louca e dramática, seja pelos atores, seja pelo humor disfarçado provocado por situações como um cast inteiro a ser batizado ou por referências e críticas ao sistema de Hollywood da altura é um filme muito bom. Inspira qualquer um a fazer aquilo que gosta, não se importando com as opiniões dos outros. Bonito, comovente, engraçado: este filme é uma obra prima de Tim Burton e de todo o cinema.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Review - Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça

Foi um dos filmes mais esperados de sempre;  é um dos filmes mais controversos no que toca a críticas, e marcará o início de um longo e extenso universo.
Batman V Super-Homem: O Despertar da Justiça é uma das obras mais esperadas de sempre. Talvez desde 1939, ano que marcou a aparição de Batman na banda desenhada, que toda a gente esperava um encontro cinematográfico entre este e Super-Homem, criado em 1938 e que já tinha arrecadado imenso sucesso. Não que os encontros entre os dois heróis nas bandas desenhadas, em jogos ou na televisão tenham sido maus, a verdade está bem longe disso. Mas um filme inteiro dedicado a um confronto entre os dois? Isso é algo novo.
No filme, o Governo Americano começa a ponderar sobre o que fazer com o Super-Homem. Apesar de ter salvo Metrópolis no filme anterior, Homem de Aço, há uma enorme preocupação sobre se este extraterrestre é um herói ou um vilão. Entretanto Batman também se começa a interessar pelo Super-Homem, estando a trabalhar sem parar numa forma de proteger a Terra do herói.
A premissa parece interessante mas tenho algumas críticas a fazer. A primeira parte do filme tem um ritmo muito lento, fazendo o espectador desinteressar-se pelas personagens e pelo enredo. Lex Luthor é uma das poucas personagens que manteve preso ao filme quando estive a vê-lo. Estava muito ansioso por ver Jesse Eisenberg a interpretar o mítico vilão: pelo que tínhamos visto nos trailers, esta personagem ia ser um maníaco com poucas características novas e diferentes. Mas o que tivemos foi bem melhor: um Lex descontraído mas com uma história negra que se vai explorando ao longo do filme e um verdadeiro doido. Outro membro do elenco que se sobressaiu foi Gal Gadot como Mulher-Maravilha, sem dúvida a minha personagem preferida do filme todo. Não nos é atirada no início do filme. Nós vamos aprendendo a vê-la à nossa frente até que chega o momento de revelação com uma das melhores músicas da banda sonora do filme a tocar (para quem viu o filme, vocês sabem do que estou a falar). 
E chegamos a uma das questões mais sensíveis do filme: o Batman. É uma das minhas personagens preferidas de sempre e não fiquei o maior fã do Ben Affleck. Mas não foi por culpa do consagrado ator. Batman entra no filme da maneira oposta à da Mulher-Maravilha. Somos introduzidos a um Batman que supostamente devíamos conhecer mas que não conhecemos. Este Batman parece ser novo até ao momento em que dizem que tem mais de vinte anos de carreira como vigilante. Mas Affleck por si só, é um bom Batman. Mas gostava que em filmes futuros explorassem melhor a faceta Bruce Wayne, que não me agradou tanto.
No resto do elenco temos o regresso de Henry Cavill ao Homem de Aço, Amy Adams a Lois Lane, Laurence Fishburne a Perry White e Diane Lane a Martha Kent. Todos eles estão bastante bem mas sem algo de novo. Já Holly Hunter como a Senadora que trata do caso de Super-Homem é uma boa interpretação. Outro ponto algo sobrevalorizado é o de Jeremy Irons como Alfred. Não é que seja mau mas também não é nada de tão especial assim.
Na minha opinião, o filme é espetacular. Tem sido alvo de análises muito negativas e há um ou dois pontos no enredo que podiam ser modificados. Mas pensando nele como O Despertar da Justiça em vez do Batman V Super-Homem, o filme é realmente muito bom. É como um primeiro episódio muito longo de uma série que se vai estender durante anos. São introduzidas muitas personagens e em todos os casos, mal posso esperar por ver mais delas. E alguns dos grandes problemas não são do filme. Por exemplo, o mau desenvolvimento do Batman podia ter sido resolvido com um filme anterior a solo do herói. Claro que é responsabilidade do filme não a ter introduzido da maneira correta mas não é a única coisa que deve ser culpada.
Resumindo, gostei bastante do filme. Aconselho-vos a verem e pode ser que gostem como eu gostei deste início do Universo Cinematográfico da DC Comics.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Preview - Batman V Superman

Sei que venho atrasado mas mesmo assim decidi fazer uma antevisão de Batman v Super-Homem: O Despertar da Força- quer dizer - Justiça.
Tenho expectativas algo baixas. Quando o filme foi anunciado pensei que seria mais uma grande película inspirada em personagens da DC Comics, com a particularidade de juntar dois heróis em vez de um. Mas as notícias foram chegando e surgiu uma lista gigante de personagens a fazer pequenas aparições. Para além de uma contextualização do que aconteceu a Super-Homem desde Homem de Aço, vamos ter uma origem de Batman, provavelmente uma explicação daquele fato de Robin, a introdução de Lex Luthor, a aparição de Mulher-Maravilha e de Doomsday, cameos de vários outros membros da Liga da Justiça e, claro, o combate entre os heróis apresentados no título do filme.
Mas a verdade é que há demasiada coisa para um filme. Eu sei que vai ser longo e terá uma versão ainda maior de DVD mas não é isso que se quer. Seria melhor um filme sem Doomsday e sem Liga da Justiça. Até compreendo a introdução da Mulher-Maravilha mas tenho de admitir que são demasiados fenómenos para um filme só. E acho que o realizador tem de ter prioridades (sim, porque é impossível que Zack Snyder não se tenha apercebido que a história era demasiado longa). Espero que desenvolva o Batman, visto que não vai ter mais nenhum filme a solo nos próximos anos e que o filme seja centrado no duelo entre as personagens centrais. 
Outro aspeto que me parece um pouco falhado, tendo por base os trailers do filme: Lex Luthor. Luthor é uma personagem séria e convencida mas Jesse Eisenberg está a transformá-la num milionário extravagante que já vimos dezenas de vezes. Muita gente criticava este Lex e eu defendia-o bastante por achar que Eisenberg é um ator competente. Espero que no filme Luthor seja desenvolvido de maneira que fique mais fiel às bandas desenhadas.
E apesar destes problemas que espero que não estejam no filme, estou bastante ansioso por vê-lo. Vai ser uma espécie de começo. Eu, que deixei de dar tanta atenção aos filmes do Marvel Cinematic Universe (não é que sejam maus mas à exceção de uma lista algo restrita têm argumentos semelhantes e um sentimento de falta de diversão) tenho muitas esperanças neste filme. Apesar de saber que pode estar repleto de falhas, estou ansioso por ver Henry Cavill num dos seus melhores papéis, estou esperançoso em relação a Ben Affleck e estou muito, muito contente por poder ver este filme, que penso que será maravilhoso. Até pode ser muito mau e ter um enredo fraco mas ver estas personagens a chegar ao grande ecrã outra vez (ou pela primeira vez em live-action) faz-me querer ver o filme. Provavelmente até irei comprar o DVD pela versão mais longa e pelos extras.
Amanhã vou ver filme e podem esperar uma análise nos dias que se seguem.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Review - Star Wars Episódio VII - O Despertar da Força - Sem Spoilers

Apesar de não ter escrito no blog durante bastante tempo quero corrigir esse erro e recomeçar em grande, com a análise de um dos melhores filmes do ano, Star Wars: O Despertar da Força.
Quero avisar que esta é a análise sem spoilers para não estragar a ninguém este filme.
Star Wars é uma das séries mais adoradas de todos os tempos e um ícone da cultura pop que afeta qualquer humano da Terra. Ao longo de quase quarenta anos, filmes, séries de televisão, bandas desenhadas, figuras de ação, romances, videojogos, CD's, jogos de tabuleiro, RPG's e merchandise variado ocuparam a vida de todos os habitantes de planeta. Alguns, de forma pequena, apenas reconhecendo o nome da franquia mas outros, outros deram a vida a esta saga. E J.J. Abrams, co-criador de séries como Fringe e Lost e realizador de Missão Impossível III e de Super 8, assim como fã de Star Wars, foi escolhido para realizar este sétimo episódio da saga, dez anos depois do úlimo e uma sequela direta a O Regresso do Jedi, de 1983. E para o argumento, Abrams precisou da ajuda de Lawrence Kasdan, um dos mais lendários argumentistas de cinema de todos os tempos, reconhecido pelo se trabalho em O Império Contra-Ataca, O Regresso do Jedi e Os Salteadores da Arca Perdida e Michael Arndt, escritor de Little Miss Sunshine, um dos meus filmes preferidos a par da trilogia original de Star Wars. E não nos devemos esquecer que toda a Lucasfilms foi comprada pela Disney, incluindo os direitos de Star Wars. Este filme teve então muito dinheiro a circular, para que fosse um autentico sucesso. Até este momento na análise temos: uma saga de sucesso ímpar, um realizador adorado pelos seus trabalhos anteriores, um grupo de argumentistas absolutamente genial e valores de produção astronómicos. Estes quatro fatores fazem grande parte da bilheteira de um filme mas será que fazem um filme ser bom. Só quando têm um bom elenco, claro. E O Despertar da Força merece toda a popularidade que tem, baseando-se apenas nos seus atores. Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Anthony Daniels e Peter Mayhew voltam aos seus papéis da trilogia original de Star Wars como Han Solo, Luke Skywalker, Leia Organa, C-3PO e Chewbacca. Todos eles desempenham espetacularmente os seus papéis trazendo a alma dos filmes originais com algo de novo nas personagens. As grandes novidades são, como é evidente, os atores que se juntaram neste filme à franquia. O curioso é todos estes atores serem algo desconhecidos como Hamill ou Fisher eram em 1977, aquando o lançamento do primeiro filme. Primeiro temos Adam Driver a desempenhar o papel de Kylo Ren, o vilão deste filme. Kylo Ren não é um sith, é apenas um homem que controla a força e usa um sabre de luz vermelho mas nunca teve, pensamos nós, um treino do Lado Negro da Força. Na verdade, se repararem, Kylo Ren é uma personagem bastante fraca a nível de poderes, o que o torna interessante. A atriz principal é Daisy Ridley a desempenhar o papel de Rey. Esta é sem dúvida a minha personagem preferida do filme todo. É uma simpática caçadora de tesouros do planeta Jakku e tem pais desconhecidos. Acaba por se envolver entre a Primeira Ordem (os vilões do filme) e a Resistência (os heróis do filme) e o seu desenvolvimento é espetacular. Prometo que no fim do filme vão pensar que se passaram meses desde a primeira cena devido à grande evolução de Rey. Outro ator principal é John Boyega no papel de Finn, um soldado da Primeira Ordem que se sente algo desajustado nos ideais do exército. A última personagem cuja descrição vou aprofundar é Poe Dameron, um piloto da Resitência interpretado por Oscar Isaac que está sempre acompanhado de BB-8, um robô esférico bastante adorado pelos fãs. Se há algo que este filme faz bem é as personagens e a evolução das mesmas. Parece que o espectador consegue sentir verdadeiramente os sentimentos das personagens e as relações entre as mesmas. Já é algo que este filme faz melhor do que as prequelas de Star Wars.
Passando só ao enredo, muito superficialmente: Luke Skywalker desapareceu e cabe a Poe levar à Resistência o último pedaço do mapa que indica a localização do jedi. Depois de uns quantos acontecimentos rebuscados, BB-8, contendo o tal pedaço de mapa, vai parar às mãos de Rey e esta tem de fazer os possíveis para completar a missão de Poe. Enredo simples, não? Sim, mas com muitas mais cenas bastante importantes. Há personagens a ser introduzidas, outras a reaparecerem na saga, combates fantasticamente realizados, pequenos pormenores para saciar os fãs da saga e muito outro conteúdo espetacular. Gostaria ainda de mencionar os excelentes visuais do filme. Vi em IMAX e não fiquei fã. Em cenas de muito movimento a imagem fica distorcida e não é a melhor maneira de se ver um filme para quem procura todos os pormenores visuais, já que apenas o primeiro plano é bem focado. Quero só deixar a recomendação da fantástica banda sonora de John Williams que compôs também as músicas dos outros filmes da saga. Há algumas faixas de filmes anteriores mas também uma boa quantidade de músicas inteiramente novas. 
O meu único problema com o filme é a semelhança que partilha com a história da trilogia original. E não acho que seja um verdadeiro problema. A frase "Não arranjem o que não está estragado" pode associar-se a este problema. Se a trilogia original era tão boa e se as prequelas introduziram aspetos que são odiados pelos fãs, um novo filme deve seguir as passadas dos três melhores filmes da saga. Assim o fez e eu e grande parte dos fãs da franquia apreciamos imenso este trabalho. É um dos melhores filmes de sempre! Sem dúvida, o melhor filme que vi este ano e um dos melhores filmes de toda a saga. É bastante melhor do que as prequelas e é mesmo superior ao Episódio VI. Tem o espírito dos filmes originais e foi construído pelo máximo esforço de diferentes pessoas. Recomendo este excelente filme se já viram todos os anteriores e, se não os viram, façam uma maratona e acabem-na com este Episódio VII.

domingo, 11 de outubro de 2015

Notícias: Sequela de Ant-Man e Fase 4 do MCU

Foi anunciado que Ant-Man, o mais recente filme da Marvel terá uma sequela chamada Ant-Man and The Wasp, anunciada para 6 de julho de 2018. Pessoalmente não esperava nada e pensava que estes dois heróis, Homem Formiga e Vespa, só iriam aparecer em filmes dos Vingadores, nunca num filme próprio. Melhor assim. Gostei do filme e provavelmente a sequela será também boa. Não tenho nenhuma ideia para um possível argumento mas seria bom, vê-los como heróis membros dos Vingadores. Este filme vai fazer parte da Fase 3 do Marvel Cinematic Universe e sairá poucos meses depois de Avengers: Infinity War - Part 1, podendo significar que pode ser uma parte 1.5. Mas espero que não, para não baralhar demais as histórias.
Um problema com a notícia deste filme é o facto de Captain Marvel ter sido adiado para o ano seguinte. O bom deste filme era o facto de ser o que melhor se relaciona com os Avenegers: Infinity War e o seu adiamento pode trazer problemas à narrativa. Mas se for bem feito, nada disso acontecerá.
A segunda coisa má que adveio de Ant-Man and the Wasp é o facto de Inhumans poder ser cancelado. Pessoalmente não estava muito entusiasmado com o filme. Acho que as personagens apareceram em Agents of S.H.I.E.L.D. (eu não vejo a série) e um filme sobre personagens convidadas num episódio desta série parece-me algo estranho. Mas não se sabe: a Fase 3 é muito direcionada ao Universo Marvel Cósmico e estas personagens podem ganhar alguma importância.
Por último foram anunciados três filmes do MCU para 2020: um em maio, outro em julho e um em novembro. Não se sabe que títulos são e nem sequer se sabe se vão pertencer à Fase 3 ou vão iniciar a Fase 4.
Sinceramente, acho que há alguns títulos que provavelmente vão ocupar estas vagas. A minha primeira ideia será Guardians of The Galaxy Vol. 3, já que o primeiro filme teve tanto sucesso e o segundo terá quase tanta. Há muita gente que se interessa por estes filmes e, se o segundo tiver boas críticas e bilheteiras, quase de certeza que uma destas vagas será para um terceiro.
Outra hipótese interessante é Spider-Man 2, já que terá 3 anos de diferença do primeiro filme desta nova franquia. O universo do Homem-Aranha tem sempre personagens e histórias interessantes e um segundo filme seria apenas o início da nova saga do Aranha.
Há ainda quem acredite num novo filme do Capitão América mas eu discordo já que não há quase nenhuma história empolgante para o público em geral desta personagem. Se fizerem um quarto filme dele, algo me diz que vai correr mal.
Estas são as três propostas mais apoiadas mas há também quem sugira um novo filme a solo do Hulk, já que desde 2008 que não o vemos no ecrã sem estar acompanhado dos Vingadores. Penso que sequelas a Black Panther ou a Captain Marvel possam ser possíveis. E talvez mesmo um Homem de Ferro 4...
Bom, foram estas as notícias do MCU. Provavelmente nesta semana ainda sejam anunciados estes misteriosos filmes.

sábado, 19 de setembro de 2015

Capas - Fight Club 2 #1 (Clube de Combate 2 #1)

Partilho hoje convosco uma das grandes capas de banda desenhada deste ano, a do primeiro número de Fight Club 2, a banda desenhada de Chuck Palahniuk, o autor do livro que deu origem ao filme Clube de Combate de David Fincher, que se tornou um verdadeiro marco no cinema. A arte interior é de Cameron Stewart mas a capa, assim como as capas das restantes nove edições desta sequela ao filme e livro, são da autoria de David Mack, autor de banda desenhada conhecido pelo seu trabalho em Demolidor e Alias. Desta vez tocou a Marvel pela Dark Horse Comics.
Aqui fica esta enigmática ilustração, verdadeiramente fascinante.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Enredo do Próximo Filme de Nolan Está Acabado

Christopher Nolan, um dos meus realizadores prediletos, teve o seu próximo projeto anunciado, via twitter.
As informações são muito poucas: apenas foi afirmado que o enredo está completo mas não existe nenhuma confirmação de ator nem mais nenhuma especificação.
Fiquei claro entusiasmado pois um filme de Nolan é sempre uma experiência rica e espero ansiosamente pela sinopse oficial deste projeto.



domingo, 26 de julho de 2015

Andy Park Revela Mais Arte Conceptual de Avengers 2

O artista conceptual da Marvel, Andy Park, conhecido por ter sido responsável pela arte do filme Guardiões da Galáxia, atualizou o seu site com inúmeras ilustrações parecidas com as que fez para esse filme, mas para Vigadores: A Era de Ultron. Como são demasiadas escolhi só algumas, as de que gostei mais. Aqui estão.





terça-feira, 14 de julho de 2015

Review Especial Mamoru Hosoda Parte 2 de 4 - Summer Wars

Tive uma semana algo atarefada e não, não consegui escrever esta análise até à data indicada mas decidi publicá-la com essa data apesar de, na verdade, só ter sido escrita nos dias 18 e 19 de julho de 2015. Desculpem, desde já.

Se há tema explorado no anime, é o dos jogos em múltiplas séries e filmes. Muitas vezes, baseiam-se num jogo existente como um desporto ou um desporto com regras apropriadas à irrealidade do anime como Oliver e Benji (1º exemplo) ou Inazuma Eleven (2º exemplo). Outras, criam jogos especificamente para o anime ou baseadas nalgum jogo de cartas já existente como Yu Gi Oh ou Kaji: Ultimate Survivor.
Mas Summer Wars consegue criar algo na altura novo: misturar um jogo real, numa rede, semelhante à Internet futurística que a ficção científica tende a imaginar, com combates em que vários estilos de luta podem ser usados. E o melhor de tudo isto: nem sequer é o elemento principal do filme.

A história começa quando Kenji Koiso é convidado pela miúda mais popular da escola, Natsuki Shinohara, para a acompanhar na festa de 90 anos da sua avó. Kenji aceita o convite e é acolhido pela a avó de Natsuki e pela sua família. Mas, uma noite, recebe um estranho SMS, com um código, e Kenji sendo o apaixonado pela matemática que é, tenta resolvê-lo. Isto leva a que no dia seguinte seja procurado por todo o mundo por ter levado o mundo de OZ, a tal rede que liga toda a gente do mundo, num espaço digital onde se pode conviver ou praticar múltiplos desportos e onde quase toda a gente do mundo tem um seu segundo "eu". A sua procura deve-se a uma estranha personagem neste mundo de OZ que absorve os avatares das pessoas nesse universo digital e usa-os para aceder a estruturas no mundo real, podendo até lançar mísseis ou simplesmente roubar todo o dinheiro de todas as contas bancárias do mundo. Kenji é procurado por ter sido o seu avatar o primeiro a ser absorvido por este controlador.

Em termos de personagens, o filme tem um ponto bastante sólido: Kenji é a típica personagem de animes, desajeitado mas com um bom coração. Na verdade, acho que as suas parecenças com a maior parte dos espectadores mais jovens é o que torna esta personagem tão boa e, consequentemente, este filme tão popular. Natsuki é uma personagem mais dramática e são muitos os momentos em que nos leva por montanhas russas emocionais. Há ainda membros na sua família extremamente desenvolvidos e os que não são, têm um ou outro aspeto que os torna memoráveis: temos Kazuma, um jovem bastante hábil nos combates no mundo de OZ; Sakae Jinnouchi, a avó de Natsuki, de bom coração e que é uma personagem bastante interessante; e há ainda Wabisuke, um filho ilegítimo do avô de Natsuki mas que foi adotado pela avó da mesma. Em menos de duas horas, este filme consegue mesmo mostrar-nos personagens muito bem criadas e um desenvolvimento das mesmas rápido e bem trabalhado.

Na animação, o filme não dececiona mas também não traz grandes avanços em relação ao anterior filme de Hosoda. Dentro do mundo de OZ, especialmente nas cenas de jogos, é realmente notável um maior cuidado com a luminosidade e o brilho dos cenários e das personagens, o que achei um toque bastante interessante.

Em termos de banda sonora as músicas ouvem-se bastante bem enquanto se vê o filme mas fora disso, são poucas as faixas que se destacam fora do filme. Assim como na animação, faz o seu trabalho mas não é exatamente excecional.

Pessoalmente, gostei bastante do filme: o seu ambiente, personagens, cenas de jogos e uma quantidade de drama bastante grande para um filme com este título fazem desta uma das melhores obras de Hosoda. Entre este e o outro filme que vi deste realizador, tenho de dizer que preferi o outro, apesar da diferença ser pequena. Mesmo assim devem vê-lo, se esperam uma obra repleta de cenas dramáticas e emocionais, se bem com uma boa dose de momentos épicos. É um filme para toda a família e sem dúvida alguma que o recomendo.

sábado, 11 de julho de 2015

Review Especial Satoshi Kon Parte 2 de 4 - Sennen Joyuu

Numa tradição quase tão velha quanto o próprio cinema, os atores e atrizes tendem a ser glorificados e quase idolatrados. Muitas vezes têm alguns motivos para serem tão bem referenciados, ou por serem grandes atores, no caso de Robert DeNiro, Daniel Day-Lewis ou Al Pacino ou por estarem ligados a grandes causas políticas e/ou ecológicas como Leonardo DiCaprio ou ainda por serem o centro de vários escândalos ou por terem relações com outras celebridades como Brad Pitt ou Angelina Jolie.
Mas o que acontece quando um grande fã destas celebridades fica encarregue de fazer um documentário sobre a vida do seu ídolo. Pode depender do ator mas segundo a visão de Satoshi Kon, temos a excelente história de Sennen Joyuu ou Millennium Actress.

Genya Tachibana e o seu cameraman vão entrevistar a ídolo de Genya, Chiyoko Fujiwara, uma atriz que ao longo do século XX desempenhou vários papéis desde princesa numa história de samurais a piloto de uma nave espacial e que tem uma história de vida bem trágica e curiosa. Na sua infância, um produtor de cinema quer recrutá-la para um filme mas a sua mãe diz automaticamente que não. Mais tarde, Chiyoko encontra um homem misterioso, perseguido pela polícia e apaixona-se por ele. O perseguido tem de voltar a fugir mas deixa à rapariga uma chave dizendo-lhe que ela abre o maior dos tesouros, apesar de não dizer o que é o tesouro. O rapaz vai para a Manchúria, onde desempenha o papel de rebelde e Chiyoko decide também ir para lá convencendo a sua mãe a aceitar a proposta do produtor.
Assim começa uma extraordinária vida de papéis de cinema e onde a maior personagem é a própria atriz que vive sem nunca encontrar o homem por quem se apaixonou. Guarda sempre consigo a chave e as buscas pelo seu amor foram enormes.


Poster japonês do filme

Mas o filme podia ser uma história em qualquer outro meio com um argumento destes. Para que fosse algo exclusiva ao cinema, Kon apresenta-nos várias técnicas para contar esta aventura maravilhosa ao incluir os entrevistadores nas histórias da velha atriz, levando-os por todos os seus papéis. Além disso, Chiyoko participa em diversos papéis que têm uma busca semelhante à dela por um amor perdido cujo nome é desconhecido. São vários os momentos que começam com cenas dos filmes em que a nossa protagonista participa e só ao fim de um minuto é que o espectador se apercebe que não se trata de algo da vida da atriz. Isso leva a um pequeno problema: o facto de que todas as personagens de Chiyoko têm demandas parecidas com a dela. Mas não é um problema assim muito grande e é utilizado para fazer deste filme uma obra muito maior.

Em termos de animação, para 2001, o filme tem movimentos bastante realistas e o desenho não tem nenhum problema. Apesar do filme já ter 14 anos em cima, se se o for ver com a mente aberta para uma animação um pouco pior da que temos hoje, consegue ter uma das melhores experiências visuais do século XXI. Na parte sonora, sinto que falta alguma coisa, já que o tema é pouco apelativo e não há nenhuma faixa absolutamente espetacular. Ouve-se enquanto se vê o filme mas fora disto, é pouco interessante.

Este é considerado o melhor filme de Satoshi Kon e, dos dois que vi até ao momento, foi o de que gostei menos. Na verdade, foi o que adorei menos. A história é muito boa, a realização é perfeita e é um dos melhores filmes em anime que vi até hoje.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Review Especial Mamoru Hosoda Parte 1 de 4 - Toki wo Kakeru Shoujo

Já na minha review do anime Steins;Gate mencionei isto: As viagens no tempo são um dos melhores temas que a ficção científica pode oferecer. E, também devido ao meu novo interesse por filmes do realizador Mamoru Hosoda, levou a este especial que começa hoje e à primeira análise: Toki wo Kakeru Shoujo, um dos melhores filmes anime da década passada. E tem todos os aspetos que Steins;Gate tinha e que fazia com que fosse espetacular, só não ao mesmo nível.

A história passa-se à volta de Makoto Kanno, uma estudante japonesa que tem os mesmos problemas que muitos alunos: acorda, tarde, chega atrasada às aulas e não tem tempo para estudar e divertir-se com os seus amigos. Mas certo dia, Makoto encontra um pequeno objeto, semelhante a um berlinde que a leva a conseguir retroceder no tempo. Assim Makoto tem todo o tempo para se divertir do mundo e consegue apagar momentos de que não se orgulha. Mas ao longo do tempo percebe que ao alterar o fluxo temporal leva a que outros que não ela se magoem. Mesmo assim, Makoto usa o poder, apesar de ser apenas para salvar os seus amigos. Certo dia, a jovem repara que tem umas marcas no braço com uns números que vão reduzindo sempre que usa o poder. Isso significa que tem um número limitado de saltos no tempo e que precisa de os poupar.
Com Makoto estão os seus dois melhores amigos: Chiaki e Kousuke, dois amigos com quem adora jogar basebol e que tenta proteger com os seus poderes. Os dois vão-se revelando ao longo da história em momentos emocionantes, dramáticos e de romance.

Poster do filme

Pessoalmente, a história foi um ponto bastante positivo do filme: era interessante e tinha um equilíbrio perfeito entre os géneros ficção científica e Slice of Life. As personagens têm as motivações corretas e todo o filme parece depender delas. Todo o conceito foi bem explorado e à exceção de um comportamento menos humano mais típico de uma personagem fictícia que torna o aspeto das personagens menos bom.
Em termos de arte, o filme tem uns dos melhores desenhos que já vi num anime até hoje e que mais tarde Hosoda usou nos seus outros filmes que serão analisados nas próximas semanas. A animação é leve, natural e parece realmente um filme desenhado. O melhor: tudo isto veio de 2006, o mesmo ano em que estreou o Fate/Stay Night original. É um filme da Madhouse e isso acaba por justificar a animação já que o estúdio investe bastante nos seus filmes.
Já na banda sonora, tenho algumas queixas. Para além do tema principal, que, adiciono já, é muito bom, há pouca música. O som do ambiente é muito usado mas há falta de faixas memoráveis levando a um decréscimo na qualidade do som.
Em termos pessoais, este é dos melhores filmes de anime que vi até hoje. Friso o equilíbrio dos temas e o final dramático. Sinceramente gostei desta minha primeira experiência com os filmes de Mamoru Hosoda e estou muito ansioso pelo próximo.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Notícia - É Anunciada Sequela de Evil Dead

Foi anunciado recentemente uma continuação da saga de filmes Evil Dead do realizador Sam Raimi (também responsável pela primeira trilogia cinematográfica do Homem-Aranha), denominada Ash Vs. Evil Dead. Será transmitida no canal Starz e contará com Bruce Campbell no papel de Ash, vários anos depois de ter interpretado esta personagem pela última vez. Dana Delorenzo, Ray Santigo e Lucy Lawless também se juntarão. A série irá ter dez episódios e já recebeu uma imagem. Não tem ainda data de estreia mas o seu anúncio pôs fãs da franquia a ansiar que chegue a data do primeiro episódio.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Cinema: Indiana Jones do Pior para o Melhor

Hoje vou fazer mais um post sobre coisas da pior para a melhor (ainda não arranjei um bom nome). Hoje é dedicado aos quatro filmes de Indiana Jones. Vamos começar.

4. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Este é sem dúvida o pior dos filmes tendo uma má história e, para ser franco, é doloroso ver o Harrison Ford a fazer as cenas de ação e toda a parte dos aliens não me entusiasmou nada. E nem falo da parte do frigorífico...

3. Indiana Jones e o Templo Perdido
Fica em 3º lugar este segundo filme pois é espetacular. O único problema? Os seguintes são melhores. Mesmo assim tem todas aquelas cenas memoráveis como a da ponte, a do vagão ou a do casino no início. E isto para não falar na tão parodiada fala Ah bon Chabai (ou que quer que seja dito).

2. Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida
Eu sei que muitos pensavam que o primeiro e mítico filme ia ficar em primeiro mas na minha opinião pessoal, não. Tem uma história muito boa ainda para mais no filme de estreia e está repleto de cenas que toda a gente conhece como a da substituição do ídolo, a demonstração do espadachim ou a pedra gigante no início. Um dos filmes que vi mais vezes na minha vida

1. Indiana Jones e a Grande Cruzada
O terceiro filme da personagem é o meu preferido. Sim, toda a gente conhece a cena da pedra do primeiro filme mas este é melhor como filme e não como ícone. Tem sempre partes memoráveis como a final do cálice mas é diferente dos outros filmes. Parece que foi tentada uma abordagem diferente. E só posso agradecer a quem teve essa ideia.

Espero que tenham gostado pois sou um fã de Indiana Jones (não daqueles que sabem todos os segredos mas dos que apenas gostam do filme) e vou tentar fazer isto mais amiúde aqui no blog.