Encontre mensagens mais antigas

Mostrar mensagens com a etiqueta As Minhas Leituras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta As Minhas Leituras. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

As Minhas Leituras - Monstress: Volume Um - Despertar

Graças a uma recente parceria com a editora Saída de Emergência, que explica o logótipo na parte lateral do blog, foi-me enviado o primeiro volume de Monstress, Despertar. Trago hoje então a crítica a  este maravilhoso livro, da autoria de Majorie Liu e de Sana Takeda.
O livro começa com a nossa personagem principal, Maika Meiolobo, a ser vendida como escrava num leilão. Depois de comprada por uma Cumaea, uma ordem de freiras cientificamente avançada, Maika revolta-se e procura uma antiga amiga da sua mãe, Yvette, também uma freira, que tem um fragmento de uma poderosa máscara, um objeto que a nossa protagonista procura. E, com todas as Cumaea à sua procura e um poder descontrolado que habita dentro dela, Maika tem de encontrar respostas às questões levantadas por uma fotografia que viu nos aposentos de Yvette. Num breve resumo, esta é a história. Isto se quiserem uma má descrição dela, pois na verdade toda a aventura é mais complexa. Em primeiro lugar, somos contagiados por um excelente mundo de fantasia, refrescante para a nossa década e que não responde a todas as perguntas de uma só vez. Pelos diálogos e pelos flashbacks de Maika com a sua amiga Tuya, vamos recebendo algumas informações sobre uma guerra que assolou este mundo e temos ainda na página final de cada capítulo, uma explicação relativa às raças ou a certas personagens mencionadas ao longo da narrativa. Em segundo lugar, há uma panóplia de intervenientes na ação, desde um grande número de Cumaea, alguns companheiros de Maika e, mais para o fim do livro, os membros da Corte do Ocaso. E todas as personagens são capazes de cativar minimamente os leitores, até mesmo as Cumaea que aparecem em meia dúzia de páginas até a Corvin, um membro da Corte do Ocaso muito carismático. 
Também todo o mundo é incrivelmente detalhado. Cada espécie tem os seus costumes e, apenas ao olhar para o mapa do fim do livro, apercebemo-nos de que não conhecemos nem perto de metade dos locais assinalados. E isso é algo que quero ver nos livros seguintes: Maika é a protagonista ideal para viajar por todo o mundo. Desde os Humanos aos Anciãos, todos querem capturar ou pelo menos chegar até ela, dando-lhe oportunidade de percorrer este mundo tão extraordinário.
Agora, se aconselho o livro? Sim: é de facto uma história com inúmeras vertentes. Começa com um primeiro capítulo que se assemelha aos filmes de vingança e passa para uma história sobre o medo e o passado de alta categoria. Em cada página são introduzidos novos elementos que mantêm o leitor curioso e é de extrema facilidade identificarmo-nos com as personagens. No argumento, conseguimos ficar abismados com a mudança de sentimentos, que vão desde a solidão à raiva, da compaixão à crueldade. A arte também contribui para isso, numa arquitetura muito bem idealizada e com cenas de violência grotesca inimagináveis. Ao todo, é criada uma bela história sobre as cicatrizes da guerra, sobre o descontrolo, sobre a força de vontade e sobre a confiança. Com um elenco maioritariamente feminino, e uma das melhores personagens na sua frente, este livro é uma compra obrigatória.
Mesmo assim, sei que certas pessoas podem não ficar muito entusiasmadas por ser um lançamento de uma editora com poucos livros de banda desenhada no seu catálogo. Confesso que tive essa dúvida antes de começar a ler o livro mas depressa de desvaneceu: o profissionalismo da Saída de Emergência fazem esta obra rivalizar com outras de editoras exclusivas de banda desenhada e a editora merece o voto de confiança, para que mais livros possam ser publicados por ela. A edição é excelente, com papel e capa de grande qualidade, sem mencionar a tradução bastante apelativa.
Concluindo: a Saída de Emergência traz desta vez um grande livro, uma excelente história a que poucos ficarão indiferentes. Dando um novo significado ao género de fantasia, esta narrativa brutal e sentimental é aconselhada por mim a todos os que apreciem mundos grandiosos e protagonistas fortes e refrescantes. Monstress é altamente recomendado.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

As Minhas Leituras - One-Punch Man Volumes 1 e 2

O humor nos animes e nas mangas é um dos aspetos que mais me desilude quando vejo ou leio uma série. Encontrar uma história nestes meios que tenha boas piadas, personagens engraçadas e seja verdadeiramente cómica pode ser uma tarefa difícil. No entanto, quando há cerca de ano e meio vi One-Punch Man, uma das maiores referências do género, fiquei extremamente feliz. À exceção de Haruhi Suzumiya, de Clannad e de Konosuba, poucos foram os animes que me fizeram rir e este One Punch Man era definitivamente mais um para se juntar a essa lista tão restrita.
E devem imaginar a minha alegria quando soube que a Devir ia publicar a manga que deu origem ao anime em português. Comprei o primeiro volume pouco depois de
ter saído mas só agora, agora que acabei o segundo, é que encontro tempo para os analisar.
Mas o que é One-Punch Man? Originalmente é um webcomic escrito e desenhado por One, um autor muito talentoso mas com alguns problemas no desenho. Felizmente, Yusuke Murata decidiu escrever ao autor original e pedir-lhe o lugar de desenhador da série. Assim, nasceu One-Punch Man como vem aqui publicado, uma série de manga com excelentes desenhos e uma história muito boa. 
A nossa personagem principal é Saitama, um herói nos tempos livres, que escolheu sê-lo para escapar aos aborrecimentos de uma vida normal. Mas mais do que seria de esperar pela figura, o protagonista é incrivelmente forte: com apenas um soco, consegue destruir qualquer inimigo desde terroristas a monstros. Com ele está Genos, um ciborgue que também tem poderes extraordinários mas que precisa de ter um mestre como Saitama para ficar ainda mais forte. E é assim que estas duas personagens criam muitas situações cómicas: desde Genos a aborrecer Saitama com a sua história de origem, a uma luta terminada abruptamente para que os nossos heróis possam aproveitar as promoções do super-mercado local, a química entre os dois seres de poderes fantásticos torna esta série espetacular.
Mas One-Punch Man é muito mais do que isso: para além de todo o potencial cómico que me faz rir durante capítulos inteiros, há ainda um cuidado muito notável nas cenas de luta, sempre de forma a parodiar animes de ação populares. E, parecendo que pode sair do tom, nestes dois volumes são colocados momentos de intenso dramatismo que são meticulosamente quebrados em pontos de interesse cómico, não deixando que One-Punch Man se torne demasiado sério, o que mantém uma fluidez ao longo dos livros.
Sinceramente, esta é uma das melhores séries de banda desenhada em publicação. Apesar de ter visto o anime, continuo a achar refrescante esta leitura de material que foi integralmente adaptado na série de 12 episódios. A edição portuguesa da Devir é muito boa, tendo sido escolhido um tipo de papel (e especialmente de capa) muito agradável, para além da tradução ser impecável, com excelentes alterações de certos elementos para algo mais acessível a leitores portugueses, sem estragar de maneira alguma a leitura.
Aconselho vivamente a aquisição destes livros. Assim que adquirir o terceiro volume em português, escreverei também uma crítica para o blog. Por enquanto, comprem e leiam esta brilhante história.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

As Minhas Leituras - Valérian - O Império dos Mil Planetas / O País Sem Estrela

Com várias semanas de atraso, trago hoje a crítica ao segundo álbum duplo de Valérian, da atual coleção da ASA, que inclui O Império dos Mil Planetas e O País Sem Estrela
A primeira história, que serve de principal inspiração para o filme da personagem que estreou no mês passado, é considerada a primeira aventura de Valérian no estilo que tanto marcou esta banda desenhada. Já inclui o traço clássico da personagem e no argumento há já uma história mais complexa, com um vilão diferente do típico rival que caracteriza o primeiro álbum e há até um estudo de toda uma sociedade. Sinceramente gostei bastante deste verdadeiro começo mas penso que o desfecho é muito repentino e que há, assim como na história anterior, demasiadas cenas curtas. Essas cenas levam a que pareça uma aventura mais rápida, sem desenvolvimento das personagens nem do mundo que é tão rico. No final, penso que foi dado muito pouco impacto aos acontecimentos e que não houve uma conclusão digna da história. No entanto, é uma grande aventura, com desenhos muito bonitos, incluindo numas duas ou três pranchas de uma vinheta só, em que se destaca o desenho de Méziéres. Considero ainda que os diálogos são extraordinários e que se deu um aprofundamento das personagens principais que as tornou muito mais humanas.
A segunda história tem também o desenvolvimento de um mundo estranho mas de forma muito melhor pensada e executada. Acho que até agora foi a melhor história. A arte continua a ser maravilhosa e é a primeira vez que se abordam os papéis de género e a luta contra a dominância destes, um aspeto que se torna numa das maiores marcas desta saga em relação a outras bandas desenhadas. É ainda a aventura em que Laureline mais se destaca e em que é vista como igual face a Valérian.
Concluindo, este segundo tomo da coleção da ASA, em parceria com o jornal Público, é mais uma grande coletânea de uma das maiores séries da banda desenhada mundial e aconselho vivamente a todos os fãs da nona arte. Se não gostaram ou acharam que o primeiro volume da coleção não era tão bom assim, recomendo que tentem mais uma vez com este pois é o primeiro feito no estilo que define esta saga espacial tão bem. Uma leitura obrigatória!

domingo, 6 de agosto de 2017

As Minhas Leituras - Valérian - Sonhos Maus / A Cidade das Águas Movediças

Mais uma vez, peço imensa desculpa por já cá não publicar há muito e talvez vá mesmo fazer um post daqui a uns dias com algumas reflexões em relação ao rumo que o blog vai tomar e outros assuntos do género. Mas hoje, decidi trazer mais uma análise a uma grande obra publicada agora em português, o início de Valérian.
Quando há umas semanas, a ASA anunciou a coleção dedicada inteiramente a uma das maiores bandas desenhadas de ficção científica, em conjunto com o Público, mal pude verdadeiramente conter o meu entusiasmo. Já li algumas histórias de Valérian e Laureline, uma delas até teve um post aqui no blog no ano distante de 2012 mas nunca tive oportunidade de colecionar todos os tomos. Mas felizmente, a ASA possibilitou-me isso e comprei o primeiro volume no dia de lançamento.
O álbum inclui duas histórias como 11 dos 12 livros que integram esta coleção: a primeira, Sonhos Maus, uma abordagem inicial à personagem Valérian, e uma segunda, A Cidade Das Águas Movediças, com um traço e um estilo muito diferentes.
Sonhos Maus é a típica história piloto de banda desenhada franco-belga, muito experimental e sem tomar riscos. O argumento é simples e somos apresentados à nossa personagem (assim como a Laureline, apesar desta ter um papel secundário nesta aventura), ainda desenhado com um estilo mais direcionado ao público juvenil, muito próximo ainda do cartoon. A história é mais curta e sem grande inovação mas consegue ser uma introdução deveras interessante.
A segunda história tem um desenho menos cartoon mas ainda distante do padrão das histórias seguintes da dupla Valérian e Laureline e esta última surge já com maior destaque (mas, por ser uma história dos anos 60, ainda algo obscurecida pelo herói masculino). Há um grande foco no texto e há uma aventura mais complexa, se bem que ainda presa aos padrões esperados das bandas desenhadas juvenis franco-belgas, ou seja, com desfechos simples e pouco aprofundamento das personagens.
Na minha opinião, estas duas histórias são espetaculares. Por ter lido poucas histórias desta dupla, sempre pensei que seria algo complexo, uma ficção científica muito mais intelectual e era isso que esperava logo desde o começo desta coleção; no entanto, apesar do início ser bem diferente daquilo que esperava, a aventura e o ambiente cativaram-me imenso. Não houve vinheta em que ficasse desinteressado ou desmotivado. Ao início, era algo diferente daquilo que mais esperava mas não posso dizer que fiquei desapontado com o primeiro tomo. Na verdade, agora que já estou a ler o segundo álbum, faço automaticamente paralelos com estas primeiras histórias que se distinguem por um estilo mais leve e divertido.
Recomendo então este primeiro álbum, e toda a coleção, penso, mesmo que não sejam apreciadores da banda desenhada europeia. É uma das maiores obras da ficção científica, e algo que não pode ser recriado. Só tenho de ler o resto das aventuras de Valérian.

sábado, 8 de abril de 2017

As Minhas Leituras - Paper Girls - Volume 1

Felizmente, ao longo dos últimos anos, a publicação de banda desenhada em português tem crescido bastante. Editoras como a Levoir, a G Floy ou a Devir têm cada vez mais aumentado o número de publicações em território nacional e muitas grandes obras estão agora disponíveis dos super-heróis às novelas gráficas, passando pela ficção científica, pela fantasia, pelo crime e por manga variada. E um desses títulos que mais me interessou foi Paper Girls de Brian K. Vaughan e de Cliff Chiang, contando com as cores de Matt Wilson. Ainda só saiu o primeiro volume em português, lançado na Comic-Con do ano passado pela Devir. Depois de vários meses, decidi aproveitar as promoções de 20% em livros que a Fnac fez no passado fim-de-semana e adquirir este volume e uma outra banda desenhada que terá direito a uma análise num futuro próximo.
Resultado de imagem para paper girlsE de que trata Paper Girls - Volume 1? A história tem como protagonista Erin Tieng, uma rapariga que vive com a sua família de classe média nos subúrbios de Stony Stream, Na noite de Halloween de 1988, Erin levanta-se de madrugada para distribuir jornais, como costuma fazer mas é atacada por uns adolescentes. Nesse instante surgem Mac, Tiffany e KJ, outras entregadoras de jornais que a ajudam. Ao fim de uma introdução, as quatro decidem fazer a entrega juntas, para se conhecerem melhor.
Mas o que sucede é que essa madrugada sofre acontecimentos fantásticos como aparições de dinossauros, visitas de viajantes no tempo e desaparecimentos misteriosos de pessoas. No resto da história, as quatro tentam desvendar o que quer que possa estar a acontecer, enquanto o leitor faz o mesmo, dado que há momentos que nos fazem sentir perdidos na quantidades de incidentes sobrenaturais que estão a surgir.
Achei que o livro é excelente mas notei alguns pontos negativos. O primeiro é a confusão provocada ao leitor pela falta de explicações, associado ao facto de o livro não ter uma verdadeira conclusão, deixando que os números seguintes possam clarear certos acontecimentos. Houve demasiadas cenas sem verdadeiro impacto na história completa, que quase que só serviram para introduzir personagens sem as desenvolver, deixando-me curioso com as mesmas, mas não o suficiente para sentir a sua falta. Penso que há um grande desequilíbrio no desenvolvimento das quatro raparigas principais. Erin é a mais desenvolvida, como seria de esperar; Mac tem bons momentos de história própria, que espero que tenham seguimento no próximo volume; Tiffany tem uma cena que mudou a minha perceção dela e que a tornou bem mais interessante, espero também que continuem o bom trabalho que estão a ter com ela; e por fim, KJ, tem um desenvolvimento quase inexistente. Toma certas atitudes bastante curiosas ao longo da obra mas não tem nenhum traço que a demarque do resto das outras protagonistas.
Em termos de pontos positivos, a minha lista é demasiado grande para a referir na íntegra, sinceramente. Por isso, irei apenas referir as melhores qualidades da obra. A arte é simplesmente bonita: Chiang cria um ambiente com o seu traço influenciado pela banda desenhada asiática e as cores de Wilson dão um estilo memorável à obra. Os dois conseguem fazer painéis inteiros sem uma palavra, com excelentes momentos e a passar toda uma estética que seria dificilmente atingível com o texto a acompanhar as ilustrações. A premissa da história também é muito interessante, conseguindo abordar temas clássicos da ficção científica, dando-lhes mais vivacidade pelos temas Bíblicos e temas de conspirações adjacentes. Também o ritmo da história é muito bom: Há cenas de ação e de tensão que fazem o leitor ficar colado ao livro mas sempre equilibrados por momentos de diálogo entre as nossas heroínas ou por uma cena que nos leva para outro local da cidade, com personagens que apenas servem para nos dar a conhecer um certo acontecimento (se bem que esta não seja a melhor escolha, na minha opinião). É também um livro que remonta para a infância, já que as protagonistas têm apenas 12 anos, lembrando qualquer um dos tempos mais simples e mais aventureiros da nossa vida.
Para mim, é um livro que vale a pena ler, especialmente por estes aspetos mencionados. Mesmo o lado mais negativo é quase inteiramente baseado em pequenos pormenores que em nada influenciam a experiência global que se tem da obra. Recomendo-o então a todos os que apreciam uma história que nos traga nostalgia, um sentimento de aventura e momentos de elevada tensão que prendem os leitores mais interessados.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

As Minhas Leituras - Joker - O Príncipe Palhaço do Crime (No Coração das Trevas DC - Volume 1)

Em primeiro lugar, tenho de pedir desculpa a todos os leitores pela minha ausência. Neste ano letivo tenho tido mais trabalho e manter atualizações regulares no blog tem sido extremamente difícil para mim. No entanto, vou voltar a fazer análises na rubrica As Minhas Leituras, começando pelos mais recentes volumes da Levoir, no âmbito da coleção No Coração das Trevas DC
Joker- O Príncipe Palhaço do Crime é uma antologia de histórias de diversas épocas e de dversos autores tendo por base o Joker e a sua constante dualidade com Batman. O tomo começa com uma introdução de duas páginas a toda a coleção pelo habitual autor José Hartvig de Freitas. Ao contrário das outras coleções da Levoir dedicadas aos universos Marvel e DC estes livros não têm textos introdutórios sobre as histórias que se seguem mas apenas uma referência global neste primeiro livro.
Posteriormente há um pequeno resumo da origem do Joker que se destaca por ser desenhada por Brian Bolland, o artista da história Piada Mortal, uma das mais marcantes deste vilão. Após tudo isto, chegamos às histórias. As primeiras duas são os primeiros encontros entre Batman e Joker de sempre e não saem dos típicos arquétipos de histórias da Era de Ouro da Banda Desenhada. É notável a influência de Conrad Veidt na criação do Joker e é sempre interessante esta análise mais simples das duas personagens.
A seguir, temos uma brilhante história de uma das maiores duplas da banda desenhada americana de sempre: Dennis O'Neil e Neal Adams. O argumento é sólido e tem um final que parece ser um precursor de, mais uma vez, Piada Mortal. A história também reforçou uma opinião que tenho há já algum tempo de que Neal Adams é dos melhores ilustradores de sempre. O seu estilo era tão avançado comparado com outros autores dos anos 70, que a sua arte mudou o panorama das bandas desenhadas americanas. Esta é uma história que me era desconhecida antes de ler o livro mas que fico muito contente por a ter lido. Uma excelente pérola desta dupla maravilhosa.
Resultado de imagem para joker the man who laughs ed brubaker

Passando para 2005, chega-nos O Homem que Ri, uma história que já tinha lido na coleção Os Clássicos da Banda Desenhada - Série Ouro, que tenho emprestada. Quando li a história há uns cinco anos gostei dela mas agora fiquei a gostar ainda mais. Nestes cinco anos li muitas histórias e era possível a minha opinião ter-se alterado, gostando menos da narrativa. Mas não, achei muito interessante ser quase um remake da primeira história do Joker de sempre e do facto de muitos aspetos dela terem sido transpostos para o grande ecrã nos filmes de Christopher Nolan. É definitivamente uma das melhores histórias que já li, no que toca a explorar o Joker.
Por último há uma história bastante recente que não tem nenhum elemento que a torne excepcional. Pelo contrário, o argumentista tentou explorar a infância do Joker, que é sempre algo que me desagrada. O ponto forte deste criminoso é o facto de não ter identidade. Isso é que o torna tão eficaz e tão curioso. Sempre que se tenta explicar uma razão para ser assim (exceto, claro, em Piada Mortal (pois é dada uma explicação satisfatória do porquê de Joker estar tão alterado, sem ser a razão baseada na "vítima tornada opressora" clássica) eu acabo por perder o interesse. É por isso que não consigo achar o primeiro filme de Tim Burton do Batman algo tão bom assim.
Resumindo, achei este volume excelente. Deu-me boas histórias e acabou por mudar um pouco a minha visão desta personagem marcante que o Joker é, um vilão que nunca conseguiu encantar-me como encantou tantos outros fãs de banda desenhada (apesar de o achar um excelente vilão, apenas não o maior dos vilões). Tenho acompanhado esta nova coleção e novas análises estarão presentes no blog nos próximos dias.

terça-feira, 21 de junho de 2016

As Minhas Leituras - Poderosos Heróis Marvel Vol. 7 - X-Men: Caixa Fantasma

Voltando a uma coleção que já li há algum tempo, Poderosos Heróis Marvel, da Levoir, trago X-Men: Caixa Fantasma.
Primeiramente, tenho de dizer que adoro os X-Men e este livro demonstra mais uma vez esse meu gosto por esta super-equipa. Os elementos no momento desta história eram Wolerine, Ciclope, Fera, Armadura, Emma Frost e Tempestade, personagens bem diferentes umas das outras. A história é muito normal com as caixas fantasma a aparecer por todo o mundo e a indicar uma possível invasão alienígena. Mas tudo isto é uma espécie de segundo plano.
O que realmente destaco neste livro são as relações entre as personagens e o diálogo entre elas. Tudo parece saído de uma série de televisão ou de um filme me vez de uma banda desenhada com pequenas piadas e referências à atualidade. Warren Ellis é um dos melhores argumentistas das últimas décadas e cimenta aqui uma das suas melhores histórias na Marvel dando densidade às personagens que apenas o seu antecessor em Astonishing X-Men (a revista que originalmente publicou esta saga), Joss Whedon, seria capaz de dar. 
E claro, não podia deixar de mencionar a arte deste volume. Simone Bianchi, um artista que assinou histórias de Wolverine ou Thor faz um trabalho verdadeiramente brilhante nesta aventura. Usa um desenho muito livre, não se conformando com as vinhetas das pranchas e usa um estilo muito realista para representar as personagens. As feições têm uma aparência assustadoramente humana, o que combina com o diálogo e as falas que podiam ser ditas por qualquer grupo de seis pessoas, fossem ou não X-Men.
Concluindo, eu adorei o livro. Para mim, o que deve receber maior destaque é mesmo a dupla que assina a história, já que trabalharam de maneira magistral todas as situações. As personagens têm profundidade, os desenhos podiam ser obras de arte e a história, do início ao fim é algo verdadeiramente único que não consigo ver nas mãos de quaisquer outros criadores artísiticos. Tenho pena que a dupla só tenha feito esta saga dos X-Men porque acho que o seu estilo é apropriado ao das personagens e acho que entram para a galeria dos maiores nomes da banda desenhada americana a trabalhar com o universo mutante, ao lado de Chris Claremont e John Byrne e Joss Whedon e John Cassaday. História completamente recomendada, sejam ou não fãs desta gloriosa equipa de super-heróis.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

As Minhas Leituras - Liga da Justiça: Origem

Eu sei que As Minhas Leituras tem estado muito parada mas eu vou tentar fazer uns dois posts por semana só dessa rubrica nos próximos tempos. Hoje, Liga das Justiça: Origem, publicada como o primeiro volume da coleção Super-Heróis DC da Levoir. 
O curioso é que eu já analisei este livro, quando li as seis revistas há 3 anos atrás (análise). E a minha opinião pouco mudou.
Acho que o livro introduz muito bem estas sete personagens como uma equipa. Todos têm o seus atritos mas têm de se unir para parar um bem comum como em todas as primeiras histórias... Mas as personagens parecem humanas e isso torna o livro quase real. Além disso, apesar de todas estas personagens serem bastante conhecidas, este livro pertence a Os Novos 52, um reboot que a DC Comics fez ao seu universo, apagando toda a cronologia e deixando espaço para novas histórias e introduções. Este Super-Homem nunca teve todas as batalhas de morte contra o Darkseid. Este Lanterna Verde ainda era extremamente imaturo e inexperiente e esta Mulher Maravilha ainda se estava a adaptar ao nosso mundo. Tudo isto faz com que a Liga pareça realmente nova e traz aos leitores um sentimento de novidade. Sentimento esse que se prolongou em todas as revistas desse tal reboot, mas nunca da mesma forma. Assim como em Batman V Superman, é único ver o início de algo tão grande.
O argumento é do mestre Geoff Johns que escreveu sagas como 52 ou Blackest Night e conta com desenhos de Jim Lee, artista de Super-Homem: Pelo Amanhã ou Justiceiro: Diário de Guerra (já publicadas em coleções anteriores da Levoir). Os dois funcionam muito bem. Johns é um argumentista concetuado e estava já habituado a trabalhar com vários membros da Liga da Justiça. Tem um talento para o diálogo característico de alguém que também escreve para séries de televisão. Já Jim Lee tem o seu estilo único cheio de detalhe em diferentes planos e com um uso de diferentes tons de cor.
Eu gostei imenso desta saga. Sabendo que a DC estava a trabalhar um pouco sem saber o que fazer já que o reboot é uma coisa bem recente na banda desenhada, fizeram um excelente trabalho. O argumento é simples mas sem revelar demasiado fazendo os leitores continuarem a querer acompanhar a série de banda desenhada. Entre combates, diálogos engraçados, momentos épicos e desenvolvimento das personagens, esta história é definitivamente excelente. E volto a dizer: para o futuro e já anunciado filme da Liga da Justiça, este é o argumento certo a adaptar. Recomendo imenso.


sexta-feira, 29 de abril de 2016

As Minhas Leituras - Coleção de Banda Desenhada da Visão

A revista semanal Visão lançou ao longo das últimas seis semanas revistas portuguesas clássicas de banda desenhada despertando um sentimento de nostalgia nos jovens que as compravam nos anos 60 e 70 e dando a conhecer heróis como Fantasma ou Major Alvega a uma nova geração de leitores.
Gostei bastante da coleção e gostei de ler todos os números. Não vivi os anos 70 e não tive acesso a publicações de Flash Gordon ou d' O Mosquito mas esta foi uma excelente forma de os conhecer. Republicando a revista na íntegra, alterando apenas o tipo de papel e o formato (penso eu), esta coleção gratuita teve um grande efeito em mim. Gostei de acompanhar todas as aventuras de uma altura em que a banda desenhada era mais simples e em que as crianças portuguesas podiam ler histórias de ficção científica, crime, terror, aviação e comédia numa visita ao quiosque mais próximo. Agora há muita oferta mas mais dirigida para lojas dedicadas exclusivamente à banda desenhada e não numa papelaria normal.
Aconselho a coleção quer queiram reviver histórias da juventude, quer queiram simplesmente conhecer um pouco de história de banda desenhada portuguesa.

sábado, 16 de janeiro de 2016

As Minhas Leituras - Poderosos Heróis Marvel Volume 6 - Justiceiro: A Ressurreição de Ma Gnucci

Quero voltar já a realizar As Minhas Leituras, a minha rubrica de críticas a banda desenhada que tem andado parada nos últimos tempos. Felizmente, tenho muitos livros e revistas a analisar e quero fazê-lo em breve. Hoje, Justiceiro: A Ressurreição de Ma Gnucci, o sexto volume da coleção Poderosos Heróis Marvel.
Para começar, quero só dizer que não sou o maior fã do Justiceiro do mundo. Li Diário de Guerra, uma violenta e espetacular obra, já anteriormente publicada numa outra coleção da Marvel da editora Levoir e fico-me por aí. Sem contar a sua participação noutras bandas desenhadas, em especial a sua fantástica aparição na Guerra Civil.
Pode então dizer-se que não conhecia bem a personagem. E o mesmo acontece com os autores do livro. A dupla ficou muito popular nos anos 90 com a série adulta Preacher que eu nunca li mas que tenho de dizer que sempre me fascinou.
Chegando finalmente ao volume em questão, tudo começa quando o filho rico de um antigo adversário do Justiceiro quer vingança. Ao longo da história podemos acompanhar os pensamentos desta personagem algo maníaca e racista social, sendo ele desta vez o autor do Diário de Guerra. Há ainda o tema principal da obra, ou seja, o regresso de Ma Gnucci, uma antiga chefe da máfia com quem o Justiceiro lutou no passado. Ma foi morta mas de alguma maneira voltou e está agora a começar uma guerra no submundo do crime. Claro que cabe a Frank Castle, o Justiceiro, lidar com tudo isto mas desta vez vai ter alguma ajuda: Charlie Schitti, o último membro da família Gnucci vivo, que dá informações sobre o seu tempo a trabalhar para a Ma ao Justiceiro e a Tenente Molly Von Ritchofen, que se alia ao anti-herói, apenas até matarem a chefe da máfia renascida, que esta odeia profundamente.
E nesta história multifacetada, entra ainda o ponto alto das histórias do Justiceiro: a ação. Muitas armas e referências a westerns, culminando numa excelente cena que une o quinto capítulo ao sexto, envolvendo todas as personagens centrais da história num tiroteio violento e com humor negro à mistura.
A arte é a clássica de Dillon: grande uso de figuras poligonais, deixando por vezes a sensação de profundidade mal estudada mas criando um efeito visual fantástico. Nas cenas de ação, há uma especial atenção aos detalhes, tornando-as mais próximas dos filmes que esta obra tanto homenageia.
É algo verdadeiramente fantástico. Ennis conhece a personagem e sabe o que os leitores querem: violência e humor negro, dentro dos limites de publicação da Marvel. Gostei bastante e tornou-se uma das minhas histórias preferidas com releitura obrigatória para daqui a uns anos.


domingo, 13 de setembro de 2015

As Minhas Leituras - O Regresso do Cavaleiro das Trevas

1986. Haverá maior ano na banda desenhada que este? É difícil que haja... Watchmen, Maus, Demolidor: Renascido e, claro, O Regresso do Cavaleiro das Trevas do autor Frank Miller foram lançados em 86 e marcaram para sempre este meio. Este ano começou também a Era Moderna da banda desenhada americana marcada por uma violência maior na banda desenhada e um realismo que até então não existia com muita frequência. Esta era dura até hoje mas passou por muitas diferenças ideológicas e criativas ao longo dos anos.
Mas continuando, O Regresso do Cavaleiro das Trevas foi um dos maiores marcos culturais de toda a década de 1980, não apenas na banda desenhada. Marcou toda a ficção científica distópica e praticamente deu um novo tom às bandas desenhadas de super-heróis.



A história começa com um Bruce Wayne que deixou de ser o Batman há dez anos. Agora Gotham está ainda mais podre do que estava nas histórias da cronologia normal do Batman (porque esta história passa-se num futuro de um universo alternativo deste herói). É governada por um grupo de delinquentes arruaceiros armados chamados Mutantes e a polícia da cidade é liderada pela corrupção. Até o benevolente Jim Gordon, se vai reformar e deixar para trás o cargo de Comissário. Mas entretanto, Bruce Wayne decide voltar a ser o Batman. Um Batman que promete acabar com os Mutantes. E ele vai tentar a todos os custos. Mas contra ele está praticamente toda a imprensa. Apenas algumas pessoas, todas elas oprimidas acreditam no regresso do heróis. Muitos acham até que Batman não passou de um mito. Mas agora ajudado por uma nova jovem Robin, que acredita mais nos seus ideais do que em qualquer outra coisa, Batman vai retomar o controlo de Gotham e até lutar contra dois dos seus maiores inimigos de outrora: Joker e Duas-Caras que graças ao psiquiatra Bartholomew Wolper recuperaram a sua sanidade mental. Tudo até ao Regresso de Batman.
Também há pontos menores da história que na minha opinião não foram tão bem trabalhados como Oliver Queen e a sua revolta contra o sistema ou a Crise de Mísseis que atormenta Gotham (este último ponto acaba por ter um papel-chave no último capítulo da saga mas ao longo da história é pouco explorado).

Mas além desta espetacular história, também a arte é genial nesta saga. Tudo desenhado por Frank Miller (apenas com arte-final de Klaus Janson), este desenhador consegue ter um estilo adequado a esta Gotham horrível: sujo, desbotado, caras inexpressivas, toda a gente vestida de cinzento... E faz também com que todos os movimentos sejam próprios das personagens como os Mutantes violentos ou a leve e cuidadosa Robin, Os desenhos são todos detalhados e há sempre uma sensação estranha quando alguém que leu a história olha uma das suas pranchas.


E não podia não falar da imprensa nesta história. A imprensa fictícia de vários canais de televisão que mostram as suas opiniões em relação a diferentes assuntos. O décimo aniversário do desaparecimento do Batman, a ameaça de mísseis, as diferentes opiniões sobre o regresso de Duas-Caras. Em grande parte das pranchas, há uma ou mais (normalmente mais do que quatro) vinhetas com canais de notícias com comentadores a falar sobre tudo isto. Há uma presença constante, uma presença que é muito sentida e que ajuda a progredir a história e a inserir o leitor neste universo.

Na minha opinião, esta é uma das melhores minisséries de todos os tempos. Uma das melhores sagas em banda desenhada de sempre. Começando pelo pior: há realmente uma falta de história central ao longo de toda a saga, funcionando mais como um mostruário do que é este Universo alternativo horrível. A história fica um pouco de lado e o clímax do último capítulo não é nada de espetacular, considerando que o caminho que levou a esse acontecimento é muito curto. Passando ao lado bom, o universo funciona muito bem: foi bastante bem criado e só podia ser mesmo assim, uma Gotham sem o Batman. A história, apesar do que mencionei anteriormente continua a ter aspetos muito bons, especialmente todas as menções a antigos eventos do universo de Batman. A arte é realmente uma das melhores de sempre e, como um todo, esta é uma das melhores obras de banda desenhada da década.
É cativante, emocionante, violento e simplesmente fabuloso. Mesmo que não tenham lido muitas histórias de Batman nem sejam grandes fãs de banda desenhada americana, esta é uma saga que mesmo assim aconselho. Simplesmente espetacular.

sábado, 12 de setembro de 2015

As Minhas Leituras - Poderosos Heróis Marvel Vol. 5

Desde há muito tempo que ouvi falar de Todd McFarlane e há muito tempo que senti curiosidade em relação a Tormento, esta história de Homem-Aranha.
Finalmente a Levoir proporcionou aos leitores portugueses esta obra e desde o seu anúncio que fiquei bastante contente. Depois de ler... bem, não tanto. Mas comecemos pelo princípio.
Depois de McFarlane ter feito sucesso em pequenas revistas de diferentes editoras e, mais tarde, ter assumido o papel de um dos melhores ilustradores e argumentistas da Marvel nas histórias de Hulk e Homem-Aranha, decidiu que merecia a própria revista deste último herói. Logo os editores concordaram com esta estrela jovem da editora e publicaram Spider-Man, escrita e desenhada por McFarlane. O autor, no entanto não quis fazer apenas uma outra série do Aranha e quis distanciar-se de Amazing Spider-Man, revista em que atingiu o estatuto de estrela da editora. E realmente distanciou-se. Apesar de não ser visível esta mudança neste livro, nos números seguintes de Spider-Man, McFarlane colocou o Homem-Aranha a lutar contra ladrões de rua em vez dos planos de conquista mundial de Doutor Octopus ou do Abutre.
Já neste livro, uma onda de assassinatos percorre Nova Iorque e o seu autor é um dos maiores inimigos do Trepador de Paredes, o Lagarto. Mas o Lagarto está na verdade a ser controlado por uma feiticeira que usa as mesmas magias de Kraven, o Caçador. E é Homem-Aranha que, em apenas uma noite tem de derrotar a besta que é o Lagarto e descobrir a identidade desta feiticeira.
Esta é basicamente a história mas a coisa que realmente inovou foi a arte. McFarlane tentou usar quadrículas verticais, técnica que normalmente é do meu desagrado e que aqui acabou também por ser. E talvez por causa do pequeno período de tempo que o argumentista e artista tinha para fazer cada capítulo, as caras das personagens ficaram muito cartonizadas. Nas cenas de combate, tudo isto pouco importa mas nos momentos de Mary Jane, nos quais ela se preocupa com Peter (e, vou admitir, a minha parte preferida da história) é notável esta falta de cuidado. Estas sagas em que o argumentista é também o artista deveriam sair apenas de dois em dois meses, como O Regresso do Cavaleiro das Trevas mas já que esta era para ser uma série contínua, todo o processo teve de ser apressado.
Mas Todd McFarlane consegue realmente fazer boas cenas de ação e se tivesse tido mais tempo, podia ter feito uma das séries com melhor arte de sempre.
Pessoalmente, gostei do livro. Não era o que esperava. Mas com as cenas de ação e o detalhe dado ao Homem-Aranha e a Mary Jane a um nível psicológico, consegui aprender a gostar. Esperava uma mudança. Acabei por ter de ser eu a mudar os meus parâmetros e aprender a gostar deste livro. Se calhar eram esses os planos do autor.
É sem dúvida uma das melhores histórias do Homem-Aranha nessa época negra para a personagem que foram os anos 90. O primeiro número de Spider-Man e primeiro capítulo da história foi a banda desenhada mais vendida de sempre (soprada pouco depois pelo primeiro número de X-Men de Chris Claremont e Jim Lee). Mas sobretudo esta é ainda hoje uma das histórias de banda desenhada mais controversas de sempre. Muitos acham excelente. Muitos acham que é realmente horrível. Eu estou mais ou menos no meio. Sim, a história de Homem-Aranha não é nada de espetacular e o desenho, na maior parte das vezes tem muitas falhas. Mas continua a ser interessante e, sem esta história, Todd McFarlane podia nem sequer ter criado Spawn e formado a Image Comics. Não importa se gostem ou não: esta história marcou a banda desenhada. Só por isso é leitura obrigatória.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

As Minhas Leituras - Poderosos Heróis Marvel Vol. 4

Quando as pessoas pensam na Viúva Negra veem duas coisas, principalmente: 1. uma membro valiosa dos Vingadores; 2. uma personagem secundária, nas histórias do Capitão América ou do Wolverine ou de outros heróis. Pois este livro vem mostrar exatamente o contrário. Esta personagem não é só bastante importante como também tem uma fiel seguidora, esta mais nova e sempre com resultados piores do que a Viúva Negra original (Natasha Romanova).
Este livro inclui duas histórias, uma centrada em Yelena (a mais recente espia) e outra que se centra na rivalidade entre as duas usuárias deste "manto".

Na primeira história, Yelena vai investigar a morte do seu mentor, o Tenente-Coronel Starkovsky ao seu local da morte, um clube noturno bastante estranho que este oficial de alta patente frequentava. No clube, o fetiche que lhe era proporcionado era uma atriz vestida exatamente como Yelena. Só que esta atriz ficou obcecada com os desejos do seu cliente e conseguiu atingir uma mentalidade parecida com a de Yelena. Tudo isto torna-se bastante negro quando esta atriz pensa realmente que é Yelena e começa a assumir o seu papel. A história é de um dos melhores autores de banda desenhada da década passada Greg Rucka e conta com os desenhos de Igor Kordey. Pessoalmente, gostei da história e achei que era uma boa obra sobre a identidade. Dos desenhos, no entanto, achei que foram usadas demasiadas vinhetas por pranchas. Há uma boa técnica no que toca a luminusidade e achei que houve um bom tom de cores por toda a história.


Na segunda história, Yelena e Natasha têm uma missão em comum, ir a Rhapastão, um país fictício, buscar uma nova arma biológica. Mas Yelena decide competir com a sua ídolo, e transforma esta missão de alta importância numa prova pessoal. Gostei da história apesar de achar que as reviravoltas que acontecem várias vezes ao longo do argumento são algo desnecessárias. Foi escrita por Devin Grayson e os desenhos são de J.G. Jones. No que toca a arte esta segunda história é espetacular. Cenas emocionantes, pranchas não lineares. Fiquei a gostar deste autor que para mim era desconhecido.

Pessoalmente gostei do livro. Ambas as histórias são sólidas, memoráveis e conseguem ser boas aventuras de uma heroína que tem estado sempre em segundo plano. A edição não desaponta, continua a ser o esperado da Levoir mas tenho um problema com esta capa. Não que seja má, não. Mas tanto a primeira, como a segunda história tiveram capas excelentes. Talvez as da primeira apenas se relacionassem com o capítulo específico mas as capas da segunda são realmente fantásticas. 

Concluindo: desenhos extraordinários; argumentos bem-escritos; boa exploração de todas as personagems, com destaque para Yelena, claro; e duas das melhores minisséries dos anos em que saíram. Uma excelente obra da nona arte que poderia muito bem, dar origem a um filme do MCU, para finalmente colocarem Natasha Romanova no primeiro plano.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

As Minhas Leituras - Magneto Volume 1: Infamous


Hoje trago uma prenda excelente que meus amados familiares me deram há pouco tempo: Magneto Volume 1 Infamous, da linha da Marvel Now.

Traz-nos este Magneto, um dos vilões da Marvel que sempre achei mais interessante pela constante alteração do seu estatuto de herói para vilão e pelo seu passado estranho, mas aqui descontrolado por ter estado exposto à Força Fénix, apesar de nunca a ter controlado diretamente. Aqui segue um rumo solitário deixando para trás os seus novos X-Men e torna-se muito violento procurando finalmente atingir os seus ideais: acabar com todos os seres humanos e deixar os mutantes serem os seguintes na cadeia da governação do mundo.
Neste livro, Culen Bunn, dá-nos seis diferentes histórias, todas elas com uma conclusão no mesmo número em que começaram. Numa tenta acabar com um antigo caçador de mutantes, noutra, tenta proteger refugiados da sua espécie e tudo anda muito à volta disto.
As diferenças acontecem nos últimos dois números que este volume compila: num, Magento encontra uma jovem interessada em ajudá-lo e o vilão aceita este auxílio e no último, Magneto encontra mutantes fabricados e pretende usá-los como seu exército. Estes são os Carrascos de Mutantes, antigos inimigos dos X-Men.
Eu gostei bastante do argumento de Cullen Bunn, conhecido já por histórias de The Damned e do Capitão América e os desenhos são bastante bons para uma série mensal e combinam muito bem (quando menciono os desenhos, dou os parabéns a ambos os desenhadores, Gabriel Hernandez Walta e Javier Fernandez). Há uma boa relação entre arte e argumento, que é um dos pontos mais importantes nas bandas desenhadas e que nem sempre funciona.
Gostei imenso deste livro e guardo-o com carinho na minha prateleira.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

As Minhas Leituras - Vingadores: Era de Ultron

Ainda não acabei de analisar a última coleção da Levoir em Portugal mas já comecei a fazer as críticas à coleção atual. Hoje, os dois primeiros volumes desta fantástica coleção, Vingadores: Era de Ultron Volumes 1 e 2.

Tudo começa quando a Vingadora Mulher-Aranha é apanhada numa missão da S.W.O.R.D., uma empresa que lida com agentes extraterrestres. Quando os Vingadores a encontram, descobrem que a sua companheira foi procurar um sinal de energia de um Cavaleiro do Espaço, um ser alienígena que foi trazido pelos criminosos que também raptaram a Mulher-Aranha, um grupo de super-vilões conhecidos como Intelligencia. Os Vingadores derrotam facilmente estes vilões mas descobrem algo terrível: este Cavaleiro do Espaço é o Ultron, a inteligência artificial criada pelo Vingador Hank Pym e destruída várias vezes por inúmeros heróis, sempre em lutas com grandes baixas e muito esforço. Mas Ultron parece ativar-se sozinho e... bem, nunca sabemos o que é que fez pois isto tudo se passa num prólogo, escrito anos antes numa edição extra da revista principal dos Vingadores (curiosamente, tinha lido esta mesma pequena história num volume desta revista e nunca pensei que servisse de prólogo para esta saga) mas no primeiro número da minissaga, descobrimos que tornou o mundo em algo horrível onde tudo é vigiado por robôs Ultrons. Nesse primeiro número, Clint Barton, o Gaviao Arqueiro, tenta salvar Peter Parker, o Homem-Aranha, de uns criminosos que o querem vender ao Ultron, segundo o que eles dizem. Barton apresenta-se muito violento mas consegue salvar Parker e levá-lo a um abrigo onde se encontram o que resta dos heróis que iluminavam o mundo. Lá, abatidos e sem esperança, tentam arranjar maneira de derrotar o Ultron. Decidem então procurar um antigo abrigo de Nick Fury na Terra Selvagem e utilizar um dispositivo de viagens no tempo para ir ao futuro acabar com Ultron. Claro que apenas vai uma pequena equipa e Wolverine, um dos que fica decide ir então ao passado e matar Hank Pym antes que ele construa a máquina que levará o mundo a este futuro. A Mulher Invisível, desobedecendo a ordens vai com ele.

Claro que tudo se revela muito mais complicado mas a história progride bem.

O meu maior problema: o paradoxo temporal. Isto consiste num viajante no tempo como Wolverine e Mulher Invisível irem ao passado matar Hank Pym para que Ultron não exista simplesmente porque Ultron existe. A causa: o terrível genocídio causado por Ultron levou a que os dois viajantes fizessem o efeito (matar Pym). Mas já foi tão usado e desculpado que nem pode ser considerado um erro...

As personagens parecem algo fora do contexto. No início, os heróis estão realmente abalados com a morte de grande parte dos seus amados mas depois parece que já nada mudou e que esta é simplesmente uma missão de enfrentar um vilão como qualquer outra. Algo normal para uma história feita quase exclusivamente para vender.

O estilo de arte incomoda-me um pouco com as suas mudanças. A mudança de estilo a acompanhar a mudança de local ou de era temporal não é nada de novo mas até funciona bem. Bryan Hitch mostra-se como um grande desenhador e lendas como Carlos Pacheco mostram que ainda conseguem fazer uma arte espetacular mas resumidamente, os desenhos não impressionam.

Na minha opinião, Bendis fez um bom trabalho mas esta fica muito longe de ser a minha saga de super-heróis preferida. É boa, mas o tema de viagens no tempo e de linhas paralelas sem nada de especial parece-me banal. Como fã de viagens no tempo, posso dizer que esta obra não tem o sentido que poderia ter e mesmo com o paradoxo, podia ter algo de identificativo, mas não. Baseia-se simplesmente em viagens no tempo com paradoxos e um ou dois momentos (como a hora de Wolverine tomar as decisões ou a Viúva Negra nos primeiros capítulos da história) realmente bons.
Fica ainda o meu conselho: depende do que quiserem ler. Não leiam isto a querer ler uma história de viagens no tempo revolucionária nem esperem uma história de super-heróis com personagens bem exploradas. Mas se quiserem apenas uma saga típica de Bendis, não procurem mais. Para nota, dou um B-. É bom mas não faz nada de especial ou mesmo extraordinariamente bem feito. Lê-se bem e para uma história de Bendis fica um pouco atrás das histórias a que nos habituou. Mesmo assim, uma leitura bastante boa.

terça-feira, 28 de julho de 2015

As Minhas Leituras - EBAL Invictus nº 16

Esta análise de hoje será rápida: é de uma revista que adquiri recentemente na loja Tintim por Tintim, que a minha Mãe me ofereceu: Incvictus nº 16 da editora EBAL, uma compra por razões de colecionismo já que as histórias não têm conclusão e a sua edição é bastante fraca.

Este número apresenta duas histórias: uma de Arqueiro e de Lanterna Verde dos fabulosos Denny O'Neil e Mike Grell e que, devido a coleções Levoir, me captou a atenção. Já num volume dessa coleção tive a oportunidade de ler esta série e gostei bastante dela e também já tinha lido um trabalho nessas coleções de Grell precisamente sobre o Arqueiro Verde. A história é simples com um vilão que precisa de ser derrotado pela dupla de heróis, aqui acompanhados pela mulher do Arqueiro, Canário Negro.

Na segunda história, desta vez de Flash, a Patinadora é presa mas deixa um substituto para acabar com o Flash: o Mestre dos Anéis que ganha protagonismo e deixa muita gente, incluindo a mulher do herói, Iris West, a desacreditar o Homem Mais Rápido do Mundo. Isto é um golpe vital em Flash e este tem de recuperar antes que a Patinadora escape da prisão.

As histórias são ambas excelentes com muita boa arte e uma trama interessante. Como disse, escolhi esta edição devido a colecionismo mas acabei por até gostar imenso das histórias. Como foi lida por essa razão não terá nota mas recomendo a acrescentarem-na às vossas coleções.